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domingo, 1 de março de 2026

CULTURA E CONSUMO AGORA NO SUBSTACK

Última atualização em 26-08-2026

Após dezesseis anos de publicações no Blogger, o Cultura e Consumo inicia uma nova etapa.

Os textos passam a ser publicados no Substack, em um ambiente mais adequado às dinâmicas atuais de leitura, circulação e diálogo.

Este blog permanece disponível como arquivo histórico, reunindo a trajetória construída desde 2010. O que permanecerá aqui continua sendo parte fundamental da identidade do projeto.

Se você deseja acompanhar os novos comentários e observações sobre cultura de consumo, marketing e construção de mercados, convido a acessar o 👉 Substack Cultura e Consumo

Agradeço profundamente a todos que leram, comentaram e acompanharam o Cultura e Consumo ao longo desses anos aqui no Blogger e gostaria muito de vê-los no Substack.

ACOMPANHE OS NOVOS POSTS AQUI (basta clicar nos títulos abaixo para ler o conteúdo):


segunda-feira, 1 de abril de 2024

Construção e Dinâmicas de Mercado - EnANPAD 2024


O EnANPAD 2024 será realizado na Universidade Federal de Santa Catarina, na cidade de Florianópolis, entre 16 e 18 de setembro. Construção e Dinâmicas de Mercado está entre os temas da Divisão de Marketing pelo sexto ano consecutivo. Trata-se de excelente oportunidade para a interação e debate acadêmico. O link para as submissões de trabalhos já está disponível e pode ser acessado aqui.

domingo, 19 de março de 2023

Construção e Dinâmicas de Mercado - EnANPAD 2023


O EnANPAD 2023 será realizado de forma presencial na Universidade Presbiteriana Mackenzie, na cidade de São Paulo, entre 26 e 28 de setembro. Construção e Dinâmicas de Mercado está entre os temas da Divisão de Marketing pelo quinto ano consecutivo. Trata-se de excelente oportunidade para a interação e debate acadêmico. A chamada de trabalhos já está disponível e pode ser acessada aqui

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Marketing mente?

Luiz Felipe Pondé é um filósofo importante na cena editorial e midiática brasileira. Costuma provocar debates sobre aquilo que escreve. Como todos, às vezes acerta e às vezes comete equívocos. O título da coluna dele de ontem na Folha de S. Paulo foi "O marketing é um retrocesso para a espécie e deveria parar de mentir". Pondé comete pelo menos dois equívocos em seu texto. O primeiro é reduzir marketing à comunicação, particularmente à comunicação persuasiva. Marketing é mais que isso e corresponde à prática administrativa de desenvolver produtos e serviços, e organizar sistemas de distribuição e precificação de produtos, entre outros aspectos. O segundo é tratar marketing como sujeito, atribuindo-lhe capacidade de agência. Marketing não é indivíduo. O retrocesso a que ele se refere é das organizações e instituições como um todo enquanto atores sociais! 


domingo, 12 de abril de 2020

Cultura e consumo no Brasil




Organizado por Marcelo de Rezende Pinto e Georgiana Luna Batinga, professores da PUC Minas e da UFMS, respectivamente, o livro Cultura e Consumo no Brasil: estado atual e novas perspectivas é leitura obrigatória para pesquisadores e estudantes do campo de estudos de consumo. 

Publicado em 2018 pela Editora PUC Minas, o livro possui prefácio, texto de introdução escrito pelos organizadores, e mais treze capítulos, independentes entre si, assinados por vários pesquisadores brasileiros de diferentes instituições. Ao longo de 335 páginas, o livro está organizado da seguinte forma:

Prefácio
Letícia Moreira Casotti

Por que cultura e consumo no Brasil?
Marcelo de Rezende Pinto, Georgiana Luna Batinga

1. Preparando o caminho para a chegada da Consumer Culture Theory
Roberta Dias Campos, Thaysa Nascimento, Valéria de Pinho

2. Os estudos de consumo em uma perspectiva cultural e simbólica sob a ótica da teoria de marketing
Dalton Jorge Teixeira, Helena Belintani Shigaki

3. O campo da pesquisa da cultura de consumo no Brasil
Ronan Torres Quintão

4. Representações da família brasileira de baixa renda na mídia: um caso pioneiro à luz da cultura de consumo
Luís Alexandre Pessôa, Marcus Wilcox Hemais

5. Azul para os meninos, rosa para as meninas: heterossexismo, consumo, gênero e sexualidade
Severino Joaquim Nunes Pereira, Heloisio Moulin de Souza

6. Falsificação sim, mas de coração! Uma investigação interpretativa sobre o ato de presentear com produtos falsificados
Matheus Lemos de Andrade, Ramon Silva Leite, Silvia Salvador de Oliveira

7. O jovem brasileiro e o fenômeno do funk ostentação: um estudo avaliando a posição do jovem de alta e baixa renda
Sérgio Silva Dantas

8. Dialética dos extremos: refutando mitos sobre consumo erótico feminino
Luciana Castello da Costa Leme Walther

9. Transformative consumer research: reflexões, diretrizes e a interlocução com a Consumer Culture Theory
Gustavo Tomaz de Almeida, Bruno Medeiros Ássimos

10. A semiótica social, seus recursos e noção de cultura: abordagens úteis à CCT
Luiz Antônio Mattos do Carmo

11. Discutindo articulações entre a Consumer Culture Theory - CCT e a teoria da prática
Adriano de Mendonça Joaquim

12. Colocando a América Latina no/fora do mapa da CCT: caminhos para uma travessia teórico-reflexiva latino-americana em estudos de cultura do consumo
Marlon Dalmoro, Getúlio Sangalli Reale

13. Do olhar para o indivíduo à perspectiva de sistemas de mercado: uma análise dos distintos focos de estudo e o futuro da pesquisa em CCT
Rodrigo Bisognin Castilhos, Marcelo Jacques de Fonseca

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O que será da experiência de consumo?



Em anos recentes a administração de marketing desenvolveu o conceito de experiência de consumo. Não basta comprar um produto qualquer. Isso pode ser feito por meio da internet, com entrega direta em domicílio. Mais importante do que o produto físico em si é a experiência em torno da sua aquisição. Transferindo o conceito da compra de produtos físicos para o setor de serviços, onde não há a materialização física daquilo que se compra, o conceito de experiência de consumo ganha ainda mais importância. Mas considerando as circunstâncias que temos vivido ao longo das semanas mais recentes, e diante das incertezas que o futuro nos reserva, que desdobramentos terá o conceito de experiência de consumo após a pandemia do Coronavírus? 

Referências Conexas

Lusch, R. F., & Vargo, S. L. (2006). Service-dominant logic: reactions, reflections and refinements. Marketing Theory6(3), 281-288.

Vargo, S. L., & Lusch, R. F. (2004). Evolving to a new dominant logic for marketing. Journal of Marketing, 68(1), 1-17.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

15 anos do EMA - Encontro de Marketing da ANPAD



No dia de hoje faz 15 anos que teve início o primeiro Encontro de Marketing da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração (EMA). Ao longo desses 15 anos foram realizadas oito edições do evento, que veio a ser, salvo melhor juízo, o maior encontro acadêmico da área de marketing na América Latina.

A edição inaugural do EMA ocorreu de 5 a 7 de novembro de 2004, na cidade de Porto Alegre. A Escola de Administração (EA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foi a anfitriã, talvez não só pelo esforço dos professores que lá trabalhavam à época, como possivelmente pelo fato de a EA da UFRGS possuir considerável produção acadêmica na área de marketing no início dos anos 2000 e, assim, liderar o processo de organização do primeiro EMA. 

Embora a EA da UFRGS tenha sido a anfitriã, o evento ocorreu nas instalações do Sheraton Porto Alegre Hotel. A coordenação geral do primeiro EMA foi realizada pelos professores Carlos Rossi e Fernando Luce, ambos da UFRGS. Um grupo composto pelos professores Ângela da Rocha (COPPEAD/UFRJ), José Afonso Mazzon (FEA/USP), Rogério Quintella (UFBA) e Sérgio Benício de Mello (UFPE), complementou a coordenação do evento.

Ao longo de todos esses anos, seja apenas como ouvinte ou apresentando paper, tive o prazer de participar de todos os EMAs. Logo abaixo está uma espécie de tabela com o ano, cidade de realização do EMA e nome do Coordenador da Divisão de Marketing da ANPAD à época de cada evento.

Ano de Realização
Cidade
Coordenador da Divisão
2004
Porto Alegre
Sérgio Benício de Mello
2006
Rio de Janeiro
Marcos Campomar
2008
Curitiba
Carlos Rossi
2010
Florianópolis
Eduardo Ayrosa
2012
Curitiba
José Mauro Hernandez
2014
Gramado
Paulo Prado
2016
Belo Horizonte
Vinícius Brei
2018
Porto Alegre
Paulo Prado

A existência e continuidade do EMA nesses 15 anos, expressa, de diferentes maneiras, a vitalidade e relevância acadêmica da área de marketing no Brasil. Informações adicionais sobre a coordenação de cada evento, bem como sobre o Comitê Científico que trabalhou junto aos coordenadores em cada um dos eventos, e ainda sobre os papers apresentados e publicados em cada um deles, podem ser obtidas diretamente no website da ANPAD.

domingo, 30 de setembro de 2018

Eleições, "marqueteiros" e marketing



Desde que se iniciou o processo de redemocratização do país, a cada ano eleitoral ocorre sempre a mesma coisa: políticos procuram se cercar de diferentes profissionais que desenvolvem atividades que vão da definição de estratégias de campanha e realização de pesquisas de intenção de voto, até o cuidado com a aparência pessoal e o modo por meio do qual falam com os eleitores e expressam suas propostas de campanha. Isso é mais evidente para aqueles políticos que disputam cargos majoritários, como é o caso dos cargos de prefeito, governador e presidente.

Salvo raras exceções, eleitores, candidatos e, para piorar, a própria mídia de difusão, têm por hábito não proceder a uma distinção clara sobre o tipo de papel que é desempenhado por cada um desses profissionais ou assessores. Mais que isso, costumam denominá-los de “marqueteiros”. Trata-se de algo lamentável e que tem sido danoso tanto para profissionais que exercem a atividade de propaganda e publicidade, quanto àqueles que exercem a atividade de marketing em diferentes organizações, com ou sem fins lucrativos.

Em termos específicos, a atividade de marketing termina sendo reduzida à comunicação – diga-se de passagem, comunicação persuasiva de má fé, com fins espúrios, para mentir e enganar eleitores. Ao se referirem aos “marqueteiros”, até se referem a marketing com o uso do artigo masculino definido: o marketing. Ocorre que marketing não é sujeito, não tem capacidade de agência. Esse é um viés infelizmente alimentado pela mídia de difusão ao realizar a cobertura das eleições. 

Marketing também é comunicação, mas é muito mais que isso: envolve desde a pesquisa e estudo de produtos e serviços, até o desenvolvimento, formatação e produção dos mesmos, incluindo distribuição, logística e precificação, por exemplo. A rigor, marketing tanto é uma disciplina acadêmica quanto uma prática administrativa em organizações, que existe desde o início do século passado.

Profissionais de marketing, sejam eles praticantes ou acadêmicos, não são mentirosos ou ludibriam pessoas, por princípio ou definição. Mentir ou ludibriar independe do exercício de uma dada profissão e pode acontecer em qualquer atividade. Aliás, nunca é demais lembrar que as pessoas, pelo menos em tese, possuem capacidade de discernimento para fazer suas próprias escolhas. Se isso não acontece como desejado para o pleno exercício da cidadania, não deveria ser algo imputado aos profissionais de marketing. 

Talvez a tentativa de atribuir responsabilidade ao profissional de marketing por mazelas que existem na política brasileira seja mais uma manifestação daquilo que eu defino como cultura da transferência da responsabilidade, algo típico em nossa sociedade: a culpa nunca é minha ou sua; é sempre de outra pessoa.

* Publicado originalmente em Revista ACIM - Associação Comercial e Industrial de Maringá, v. 53, p. 58, 05 de julho de 2016.

domingo, 27 de março de 2016

RIMAR, v. 5, n.2, Jul./Dez. 2015



O número mais recente da RIMAR - Revista Interdisciplinar de Marketing já está disponível para leitura. Trata-se do n.2, v.5, jul./dez. 2015. Os textos dessa edição são os seguintes:
Editorial
- Estudos Sobre Consumo e Marketing
por Francisco Giovanni David Vieira
Artigos
- O Gosto do Consumidor: Reflexão Teórica e Conceptualização
por Renato Renato Hübner Barcelos
- Reflexões Sobre Consumo, Identidade e Masculinidade em um Bairro Carioca
por Fávia Cupolillo e Eduardo Ayrosa
- Mulheres Ricas: Distinção e Subjetivação nas Práticas de Consumo da Classe A
por Louise Henkes e Marlon Dalmoro
- Consumer Culture Theory (CCT) no Contexto das Experiências de Consumo de Serviços: Em Busca de Uma Agenda de Pesquisas
por Marcelo Pinto, Rodrigo Freitas, Sara resende e Adriano Joaquim
- Reflexões Sobre as Perspectivas de Contribuição da Semiótica Francesa Para os estudos de Marketing e Branding
por Luís Pessôa, Viviane Sant'Ana e Flávia Mello
Confira a edição por meio desse link:http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/rimar/index

terça-feira, 14 de julho de 2015

Marqueteiros para o consumo ético da Filosofia


"(...) Vai pegar lá o Kotler, tem um solzinho, né? Vai lá ... é ... prá você é o máximo que dá, velho. Num, num ... você tem o teto, num tem jeito ... num, né, é ... o vento venta, a maré mareia, o sapo sapeia e você é marqueteiro. Você ... dali prá cima você não passa. Você tá dando razão pros gregos, sabe? Nasceu pá, pá, pá coió ... num, num é da, da ,,, não pode". (Clóvis de Barros Filho)
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 atesta em seu Artigo 5o., Incisos IV e IX, que é livre a manifestação do pensamento, bem como é livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação. Talvez por isso algumas pessoas acreditem ter licença para falar mal de profissionais que trabalham com marketing. E não é apenas falar mal por falar ou fazer um comentário à toa. É falar mal e falar de forma agressiva.

Em alguns momentos marketing é tratado como sinônimo de enganação e manipulação, sobretudo em períodos eleitorais. De modo simplista, confunde-se marketing com comunicação, notadamente de caráter eleitoral, e por extensão julga-se o profissional de marketing como um mentiroso contumaz. Em outros momentos, toma-se o profissional de marketing como um sujeito funcionalista, reducionista. 

Agora é a vez até mesmo de um professor de Ética e Filosofia Corporativa se referir aos profissionais de marketing como profissionais limitados. Mais do que isso, como pessoas intelectualmente pobres e que encontraram em marketing uma espécie de teto máximo até onde podem ir e entender o mundo em que vivem. É o que se assiste aos 3 minutos e 22 segundos em um vídeo de um curso ministrado pelo Prof. Dr. Clóvis de Barros Filho (USP, HSM) e que foi disponibilizado no YouTube em nome do Espaço Ética - é esse mesmo o nome: Espaço Ética; você não leu errado; não se surpreenda! 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Relançamento da RIMAR



A RIMAR - Revista Interdisciplinar de Marketing acaba de ser relançada. A RIMAR é o primeiro periódico acadêmico brasileiro de marketing. Ela foi lançada no ano de 2001 e teve a sua primeira edição publicada em 2002, funcionando até 2004, com a publicação de três volumes (vol. 1, n.1, n.2, n.3, 2002; vol. 2, n.1, n.2, 2003; e vol.3, n.1, 2004).

Agora em 2014 a RIMAR foi reestruturada e passou a ser publicada no Portal de Periódicos da UEM - Universidade Estadual de Maringá. A atual publicação usa o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER), que é originário do Open Journal System (OJS), software de publicação de revistas eletrônicas desenvolvido pelo Public Knowledge Project (PKP).

A edição de relançamento da RIMAR é a v.4, n.1, 2014 e está disponível para acesso. As edições anteriores aos poucos serão disponibilizadas na página da revista.

Como uma revista de caráter interdisciplinar, a RIMAR aceita submissão de artigos oriundos de diversas áreas e com diferentes temas relacionados a marketing, entre eles cultura e consumo.

Para acessar a RIMAR clique aqui.  

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Ensino de marketing nos doutorados em administração no Brasil



Este blog trata de cultura e consumo, bem como de questões relacionadas às práticas de mercado - que foram sendo incorporadas aos posts nele publicados ao longo de seus quase cinco anos de existência. Com exceção de um ou outro curso dentro do campo das Ciências Sociais, notadamente Antropologia e Sociologia, a temática de cultura e consumo parece ser tratada no Brasil sobretudo nos cursos de pós-graduação em Administração. E, nesses cursos, em geral é tratada sob ou como extensão da área de Marketing. O recente aumento do número de artigos relacionados à Consumer Culture Theory, publicados por periódicos brasileiros, e a filiação acadêmica e campo de atuação de seus autores, é um sinal para que se chegue a essa compreensão. Dado esse contexto, é de particular relevância para pesquisadores e interessados na temática de cultura e consumo, a leitura do artigo "Disciplinas e bibliografia no ensino de marketing nos programas de doutorado em administração no Brasil", de autoria de Tânia Veludo-de-Oliveira, Ronan Quintão e André Urdan, recentemente publicado pela Organizações & Sociedade, volume 21, número 71, páginas 661-678, ano de 2014. O artigo "(...) tem por objetivo apresentar um panorama sobre as disciplinas de marketing dos programas brasileiros de doutorado em Administração (...)".

Esse post compõe uma série chamada "Olhar Acadêmico". Trata-se de observações realizadas sobre trabalhos acadêmicos na forma de artigos, dissertações, teses ou livros relacionados direta ou indiretamente ao campo de cultura e consumo.  

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A história da água mineral em garrafa


Esse vídeo é bem esclarecedor acerca do debate entre o atendimento de necessidades e desejos dos consumidores ou a criação de necessidades e desejos de consumo por parte de organizações, usando para isso expertise vinculada à administração de marketing. Olhado sob uma perspectiva complementar, ele ilustra, de forma bastante consistente, um caso de market-making (construção de mercados). Vale a pena conferir !

sábado, 31 de agosto de 2013

Novo Blog: Marketing, Consumo e Sociedade

Foi lançado dia 27/08/2013, terça-feira dessa semana, pelo Prof. João Felipe Sauerbronn, o blog Marketing, Consumo e Sociedade. O blog tem o propósito de promover a divulgação e incentivar reflexões e discussões relacionadas à temática que lhe confere o título.
 
A produção de conteúdos para o blog estará, também, relacionada aos estudos, pesquisas e experiências desenvolvidas no Observatório de Marketing, Consumo e Sociedade, grupo de pesquisa com base na UNIGRANRIO (Universidade do Grande Rio), cadastrado no Diretório de Pesquisa do CNPq. Visite o blog clicando aqui.

sábado, 24 de julho de 2010

Bolsas de estudo na pós-graduação e remuneração em atividade profissional

No último dia 16 de julho, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a Portaria Conjunta Nº 1, relativa ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, que dispõe, em seu Artigo 1º, que “Os bolsistas da CAPES e do CNPq matriculados em programa de pós-graduação no país poderão receber complementação financeira, proveniente de outras fontes, desde que se dediquem a atividades relacionadas à sua área de atuação e de interesse para sua formação acadêmica, científica e tecnológica”. Esse post discute rapidamente o consumo dessa Portaria, relacionando-o à área de administração, em geral, e à área de marketing, em particular.

A publicação dessa Portaria, nesse momento, gera curiosidade porque, entre outras questões, estamos em período eleitoral para os cargos de presidente da república, governador de estado, senador e deputados federais e estaduais. De algum modo, parece que o governo do presidente Lula conseguiu desenvolver uma aproximação para com o mundo acadêmico maior do que aquela conseguida pelo seu antecessor, o presidente Fernando Henrique Cardoso, que paradoxalmente tem a sua origem profissional e militância política relacionadas à universidade enquanto universo institucional. A curiosidade, no entanto, pode ser expressada pela seguinte pergunta: a quem interessa a remuneração por meio de atividades profissionais a bolsistas da CAPES e do CNPq? É possível que interesse ao governo federal, por supostamente qualificar de modo mais rápido pós-graduandos das chamadas áreas duras e engenharias, cuja formação tem sido demandada pelo governo federal visando colocar o país em outro patamar de desenvolvimento tecnológico. Um outro interesse é possível vislumbrar sem muita margem de erro: tal remuneração interessa ao próprio pós-graduando.

No que tange ao segundo interesse, especificamente, a Portaria desperta a atenção por sugerir o consumo da ideia de que é possível estar matriculado em um curso de pós-graduação stricto sensu – assumindo todos os encargos decorrentes dessa ação – , e ao mesmo tempo desenvolver atividades profissionais relacionadas à área de atuação e formação acadêmicas. O consumo dessa ideia resgata e coloca em perspectiva uma enorme teia de questões ainda não resolvidas dentro do sistema de distribuição de bolsas na pós-graduação de um modo geral, em todo o país, e também coloca em perspectiva eventuais assimetrias dos próprios programas de pós-graduação, individualmente.

Logo de saída, a distribuição de bolsas traz em si o dilema de se adotar critérios de desempenho ou critérios sócio-econômicos. Alguns alunos não atendem os critérios sócio-econômicos, que via de regra prevalecem nos diferentes programas, mas têm desempenho superior àqueles que atendem tais critérios e, portanto, sentem-se injustiçados por não desfrutarem de bolsas. Esse sentimento é ainda mais forte entre alunos que não possuem bolsa, exercem atividades profissionais fora do curso de pós-graduação e ainda conseguem desempenho superior àqueles que são bolsistas.

Seria bom avaliar, sim, o aluno também pelo seu desempenho. Antes, porém, é preciso criar condições para que esse aluno tenha possibilidade efetiva de ter bom desempenho. Caso contrário, trataremos de forma igual os desiguais. Como o desempenho do aluno não é resultado de um único fator, ou seja, o fator individual, outras diferentes questões e aspectos, a exemplo não só de condição sócio-econômica, mas também de infra-estrutura e clima organizacional dos programas de pós-graduação, precisariam ser contemplados na análise.

Os critérios sócio-econômicos servem como uma diretriz, mas a bolsa também é vista como um prêmio para o aluno que se dedica em tempo integral e está integrado ao programa de pós-graduação. Infelizmente, contudo, isso não impede que ela possa ser usada politicamente dentro dos programas, seja para distribuição a alunos já conhecidos, por meio de efeito endógeno, seja para distribuição a alunos que são orientados por professores que estão mais próximos ao centro de poder dos programas, por meio de órgãos colegiados ou coordenações.

Apontar limites e encontrar problemas no sistema é sempre mais simples do que encontrar soluções efetivas para o mesmo e, mais que isso, conseguir implantá-las. Aparentemente, todos concordam que a distribuição de bolsas para alunos de pós-graduação não é exatamente uma tarefa considerada fácil nos programas de pós-graduação.

Posto isso, algumas breves considerações adicionais são aqui feitas. A primeira delas é que a exceção não faz a regra. Há alunos de pós-graduação na área de administração, que são, de fato, bastante produtivos, considerando-se o que se convencionou chamar como produtivo em termos de pontuação para o sistema Qualis da CAPES. Todavia, se os alunos publicam não é porque o fazem de forma natural, e sim porque o sistema os induz. Isso se dá, por exemplo, tanto por meio dos professores das disciplinas dos cursos, quanto por meio dos orientadores de teses e dissertações nesses cursos. No primeiro caso, solicitam papers ao final das disciplinas como forma de avaliação e também de oportunidade para o exercício acadêmico de síntese e problematização de conteúdos. No segundo caso, porque, no processo de orientação e interação com seus orientandos, avaliam como salutar a redação de papers oriundos das teses e dissertações, seja como uma forma de amadurecer o trabalho de pesquisa, seja como modo de ampliar a capacitação dos seus orientandos. Evidentemente, professores e orientadores se beneficiam com esse processo, especialmente devido ao exercício da co-autoria nos papers publicados. Não obstante, é preciso lembrar que isso decorre de orientações oriundas das coordenações dos programas de pós-graduação, as quais, em última instância, atendem à demanda das agências de fomento e avaliação. Afinal, os programas precisam ser avaliados e as próprias agências atribuem peso importante à interação entre alunos e professores no processo de publicação de papers. Apenas para pontuar, é importante lembrar que essa discussão se desdobra em torno de argumentos bastante eloqüentes de que parte substancial da publicação brasileira em administração, inclusive dos papers aqui mencionados, pouco acrescenta e apenas repete sinais e modelos antes publicados no hemisfério norte.

Um das faces do problema é que as agências brasileiras se espelham no que está fora. A área de administração, por sua vez, espelha-se nas chamadas áreas duras, que têm outra realidade quanto aos seus objetos de estudo e outra dinâmica quanto à publicação dos seus resultados de pesquisa, estando, ademais, à frente da área de administração. Faz-se referência aqui à condição de que estão à frente da administração em geral, pois a área de marketing, em particular, muitas vezes é vista com reservas pela chamada academia no Brasil. Para tanto, basta observar, por exemplo, a distância que existe entre a área de organizações e a área de marketing no Brasil. Isso, sem mencionar a diferença do nível de inserção nas agências de fomento e avaliação, capacidade de articulação política ou defesa dos interesses e criação de estrutura de trabalho e veículos de publicação na, da e para a área.

Aparentemente, é muito raro se fazer doutorado no hemisfério norte e trabalhar ao mesmo tempo. Simplesmente, o modelo é outro. Para os praticantes, para quem está inserido no mercado, existem outras modalidades de curso. Isso deveria ser levado em consideração pelas agências quando resolvem, por exemplo, copiar de modo oblíquo exigências relacionadas à produção acadêmica.

Na década de 1980 e até início da década de 1990, muitas dissertações em administração, em geral, eram verdadeiras teses de doutorado. É simples verificar isso: basta cotejar uma dissertação produzida naqueles anos com uma tese de doutorado produzida nos anos 2000. Certamente haverá mais semelhanças que diferenças.

Se, em nível de doutorado, é possível estudar e trabalhar ao mesmo tempo, há alguma coisa errada com a qualidade do curso, com a qualidade da tese de doutorado ou com a qualidade do trabalho desenvolvido profissionalmente.

Referências Conexas

FARIA, Alexandre de A. Crítica e cultura em marketing: repensando a disciplina. Cadernos EBAPE.BR, v. 4, n. 3, p. 1-16, 2006.

MELLO, Cristiane M. de; CRUBELLATE, João M.; ROSSONI, Luciano. Dinâmica de relacionamento e prováveis respostas estratégicas de programas brasileiros de pós-graduação em Administração à avaliação da CAPES: proposições institucionais a partir da análise de redes de co-autorias. Revista de Administração Contemporânea, v. 14, n. 3, p. 434-457, 2010.

VELLOSO, Jacques. Mestres e doutores no país: destinos profissionais e políticas de pós-graduação. Cadernos de Pesquisa, v. 34, n. 123, p. 583-611, 2004.

VIEIRA, Francisco G. D. Panorama acadêmico-científico e temáticas de marketing no Brasil. In: XXIV ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO (2000: Florianópolis). Anais ... Marketing. Rio de Janeiro: ANPAD, 2000. (Versão integral em CD-ROM do Evento)

VIEIRA, Francisco G. D. Latindo atrás do Lattes, Revista Espaço Acadêmico, v. 7, n. 73, junho/2007. (revista eletrônica: http://www.espacoacademico.com.br/073/73vieira.htm)