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segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Marketing mente?

Luiz Felipe Pondé é um filósofo importante na cena editorial e midiática brasileira. Costuma provocar debates sobre aquilo que escreve. Como todos, às vezes acerta e às vezes comete equívocos. O título da coluna dele de ontem na Folha de S. Paulo foi "O marketing é um retrocesso para a espécie e deveria parar de mentir". Pondé comete pelo menos dois equívocos em seu texto. O primeiro é reduzir marketing à comunicação, particularmente à comunicação persuasiva. Marketing é mais que isso e corresponde à prática administrativa de desenvolver produtos e serviços, e organizar sistemas de distribuição e precificação de produtos, entre outros aspectos. O segundo é tratar marketing como sujeito, atribuindo-lhe capacidade de agência. Marketing não é indivíduo. O retrocesso a que ele se refere é das organizações e instituições como um todo enquanto atores sociais! 


terça-feira, 14 de julho de 2015

Marqueteiros para o consumo ético da Filosofia


"(...) Vai pegar lá o Kotler, tem um solzinho, né? Vai lá ... é ... prá você é o máximo que dá, velho. Num, num ... você tem o teto, num tem jeito ... num, né, é ... o vento venta, a maré mareia, o sapo sapeia e você é marqueteiro. Você ... dali prá cima você não passa. Você tá dando razão pros gregos, sabe? Nasceu pá, pá, pá coió ... num, num é da, da ,,, não pode". (Clóvis de Barros Filho)
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 atesta em seu Artigo 5o., Incisos IV e IX, que é livre a manifestação do pensamento, bem como é livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação. Talvez por isso algumas pessoas acreditem ter licença para falar mal de profissionais que trabalham com marketing. E não é apenas falar mal por falar ou fazer um comentário à toa. É falar mal e falar de forma agressiva.

Em alguns momentos marketing é tratado como sinônimo de enganação e manipulação, sobretudo em períodos eleitorais. De modo simplista, confunde-se marketing com comunicação, notadamente de caráter eleitoral, e por extensão julga-se o profissional de marketing como um mentiroso contumaz. Em outros momentos, toma-se o profissional de marketing como um sujeito funcionalista, reducionista. 

Agora é a vez até mesmo de um professor de Ética e Filosofia Corporativa se referir aos profissionais de marketing como profissionais limitados. Mais do que isso, como pessoas intelectualmente pobres e que encontraram em marketing uma espécie de teto máximo até onde podem ir e entender o mundo em que vivem. É o que se assiste aos 3 minutos e 22 segundos em um vídeo de um curso ministrado pelo Prof. Dr. Clóvis de Barros Filho (USP, HSM) e que foi disponibilizado no YouTube em nome do Espaço Ética - é esse mesmo o nome: Espaço Ética; você não leu errado; não se surpreenda!