segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Leituras sobre Rock and Roll




O Rock in Rio 2019 terminou alguns dias atrás, mas quem gosta de rock não precisa, necessariamente, ficar alimentando a nostalgia da experiência vivida in loco ou da experiência de assistir aos shows por meio da TV. Tampouco carece de já começar a imaginar como será o próximo festival. Na verdade, as duas coisas são perfeitamente possíveis, e até se completam. Porém, há uma outra maneira de continuar vivendo o mundo do rock, ou se permitir descobrir coisas que em um primeiro momento talvez não estejam tão aparentes em seu universo musical. Refiro-me à experiência de leitura de dois livros escritos por Daniel Rezende e disponíveis para compra em forma de e-book na Amazon. 

Daniel Rezende é professor universitário no Departamento de Administração e Economia da Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais, e pesquisador no campo de estudos de consumo e mercados. É apaixonado por rock, e nas horas vagas tem o hábito de escrever sobre o assunto. Os dois livros que publicou são extremamente convidativos à leitura, sobretudo porque além de bem escritos, fogem do lugar comum. 

Um livro tem o título de Rock Feminino, e contem 43 indicações que começam em 1964, com The Ronettes, e vão até 2017, com St. Vincent. O livro é uma celebração do talento e brilhantismo feminino no mundo do rock. 

O segundo livro tem o título de Rock Alternativo: 50 álbuns essenciais. Como o próprio título sugere, trata-se de 50 indicações daquilo que não se pode deixar de ouvir. Fazendo uma espécie de trocadilho com o título do livro, parece que o essencial é a essência em termos de inquietação e criatividade no rock. 

Os livros representam um verdadeiro achado para amantes do rock!
    

quarta-feira, 3 de julho de 2019

III Encontro Cultura e Consumo Brasil



O III Encontro Cultura e Consumo Brasil será realizado nos dias 05 e 06 de setembro. Como tem sido em anos recentes, o evento acontecerá na cidade do Rio de Janeiro. Nesta oportunidade será nas dependências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especificamente no auditório Prof. Almir Valladares Fraga. O tema do encontro desse ano será "a natureza do consumo", e a programação inclui a realização de várias atividades, como, por exemplo, discussões teórico-metodológicas e mentorias para alunos de mestrado e doutorado, integrando alunos com docentes. Para acesso as informações sobre a programação, basta clicar aqui

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Eu, Daniel Blake




Para aqueles que andam apaixonados com a ideia de reformar a previdência no Brasil e modificar o sistema de benefícios sociais que atualmente existe no país, e que sempre comparam a situação brasileira com a situação de outros países, e mais ainda, sempre acham que o que existe lá fora é melhor do que o que existe aqui, recomendo fortemente que assistam ao filme "Eu, Daniel Blake", até pouco tempo atrás disponível na Netflix. Produção de 2016 do Reino Unido, França e Bélgica, o filme, ambientado na Inglaterra, retrata a situação de um senhor que busca benefícios oferecidos pelo Estado, após ter um problema de saúde que o impede de trabalhar. Vira pó nesse filme a imagem que se tem de que tudo funciona bem nos chamados países de primeiro mundo.

Esse post compõe uma série chamada "Filme". Trata-se de sugestões de filmes relacionados ao universo de Cultura de Consumo, Marketing, e Construção de Mercados.

domingo, 30 de junho de 2019

Sobre o Autoritarismo Brasileiro





Escrito por Lilia Schwarcz e publicado recentemente pela Companhia das Letras, Sobre o Autoritarismo Brasileiro, 273p., R$ 49,90, é um livro que considero como pertencente àquela categoria de leitura necessária. Trata-se de uma contribuição para compreender o Brasil, que é particularmente relevante se levarmos em conta o momento atual vivido em nosso país.

Sugerindo uma espécie de travessia que não terminou, ao longo de oito capítulos o livro aborda temas e questões imbricadas na história e formação social brasileira. Escravidão e racismo, mandonismo, patrimonialismo, corrupção, desigualdade social, violência, raça e gênero, e intolerância, são tratados de forma analítica por meio de acontecimentos e dados.

A leitura do livro revela inúmeros equívocos que são cometidos a respeito do brasileiro, a começar pela ideia amplamente disseminada de que somos um povo "gente boa". É curioso pensar como essa ideia tem sido aceita - e ela não necessariamente está alicerçada no conceito de homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda. O fato é que a realidade objetiva do cotidiano social brasileiro não só traz em si, como também perpetua, as mazelas de sua constituição histórica enquanto nação. E nessa constituição, as ideias de respeito e tolerância estão ausentes. Mesmo quando querem se fazer democráticos, brasileiros têm sido autoritários e violentos.   

Esse post compõe uma série chamada "Olhar Acadêmico". Trata-se de observações realizadas sobre trabalhos acadêmicos na forma de artigos, dissertações, teses ou livros, relacionados direta ou indiretamente ao campo de cultura e consumo.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Before printing



O mercado editorial acadêmico e científico movimenta milhões e milhões de dólares. Há uma tendência para a concentração do mercado em torno de algumas poucas editoras. A disputa entre elas é acirrada e cada uma tenta superar a outra na valorização dos periódicos que publicam, seja em termos de prestígio acadêmico ou seja no que se refere ao preço das assinaturas individuais e, sobretudo, institucionais que cobram pelo acesso aos títulos que publicam. Prestígio acadêmico e preço de assinatura, aliás, são duas coisas que caminham juntas nesse caso. Uma das formas que usam para tanto é o processo de criação e lançamento de novos produtos, formatos e concepções editoriais. Um exemplo claro disso consiste na divulgação em plataformas digitais de artigos que acabaram de ser aprovados editorialmente para publicação. A ideia é que a divulgação antecipada promova maior influência sobre pesquisas em andamento, recebam citações e, por conseguinte, aumentem o fator de impacto do periódico. Cada editora dá um título diferente a esses produtos, que ao final significam exatamente a mesma coisa. Os títulos que consegui identificar estão listados abaixo. 

# advanced articles
# ahead of print
# early view
# just been published
# online first
# online now

Não há a menor dúvida. A indústria editorial sabe como formatar mercado.

domingo, 23 de junho de 2019

Sobre empresa privada e acesso à informação



Um dos principais pilares da construção de uma sociedade livre, soberana e democrática é o acesso à informação. É impossível imaginar uma atuação independente das diferentes instituições dentro da sociedade civil organizada, sem que exista o acesso à informação. A economia de mercado, em meio à complexidade dos diferentes agentes que a constituem, também tem no acesso à informação uma condição inexorável para o seu funcionamento.

Quando uma empresa nega o acesso à informação e, sobretudo, cria dificuldades para que órgãos de imprensa divulguem para o público consumidor os preços que ela pratica, essa empresa simplesmente fere um princípio básico da economia de mercado e atenta, no limite, contra a própria sociedade civil organizada. Negar o acesso à informação é retroceder no tempo, em termos de organização social e econômica.

É preciso que se compreenda que as empresas, mesmo que privadas, têm um caráter público. Elas são privadas, geram lucros e obedecem a orientações administrativas e estratégicas de origem e caráter privado, particular, mas têm um interesse de caráter público. Isso ocorre pelo simples fato de que ao oferecerem um produto ou serviço ao mercado, as empresas estabelecem, criam e desenvolvem uma relação mercadológica que não está circunscrita exclusivamente aos interesses empresariais, mas que também contempla interesses de caráter público. Em curtas palavras, as empresas são de origem privada, mas a relação que desenvolvem com o mercado é pública. Portanto, não há sentido em negar acesso a informações que interessam ao mercado, especialmente informações sobre os preços dos produtos que oferta aos potenciais consumidores presentes nesse mercado.

A prática empresarial de negar aceso à informação, entretanto, não está restrita apenas à esfera de preços que, a rigor, são de interesse público. Em geral, informações sobre procedimentos administrativos e dados de atuação e desempenho mercadológicos são sistematicamente negados. Ocorre que as empresas necessitam de um volume de informações e dados cada vez maior e mais consistente para definirem adequadamente suas estratégias, tomarem decisões e, por conseguinte, serem bem sucedidas no mercado. Isso representa um contra-senso, pois cada vez mais as empresas precisam e buscam informações, mas, por sua vez, não fornecem informações, ou criam dificuldades e subterfúgios para não fornecerem. A prática da realização de pesquisas e divulgação de dados estatísticos é bastante comum em países desenvolvidos e tem crescido no Brasil. Ela representa um importante instrumento para o aperfeiçoamento de práticas administrativas privadas e públicas, e também pode ser entendida como uma espécie de mecanismo que ajuda na construção da cidadania.

Além da Imprensa, que eventualmente tem o acesso à informação negado por parte das empresas, instituições acadêmicas e universitárias também vivenciam experiência semelhante. É menos raro do que se imagina que estudantes de graduação e pós-graduação nas áreas de administração e economia, entre outras, recebam um sonoro “não” como resposta às tentativas que fazem de obtenção de dados e informações empresariais. Via de regra, tais solicitações são feitas com o propósito de subsidiarem pesquisas e análises que desenvolvem em seus estudos, especialmente estudos para a conclusão de curso, como monografias de graduação, dissertações de mestrado e teses de doutorado. Isso, sem mencionar diferentes outros tipos de estudos que são realizados na área de business e que são vinculados a instituições universitárias de ensino e pesquisa.

A sociedade brasileira evoluiu e hoje dispõe de importantes estruturas para a geração de conhecimento baseado na obtenção séria e tratamento adequado de dados e informações. Não há mais espaço para padrões de comportamento pautados única e exclusivamente na obtenção de informações. É preciso também fornecê-las. Caso contrário, viveremos uma situação retrógrada, algo como um eterno “venha a nós o vosso reino”.

* Publicado originalmente sob o título "Venha a nós o Vosso Reino" em O Diário do Norte do Paraná, p. A2, 20 de fevereiro de 2009.

domingo, 31 de março de 2019

Sandy & Junior e a memória afetiva




Para a geração Y, Xuxa. Para a geração Z, Sandy & Junior. Antes, nostalgia era coisa do passado. Hoje, parece ser coisa do presente. Sente-se saudades do que ainda se tem, e não, necessariamente, do que se passou. É como se o presente carregasse em si, de modo simultâneo, e também ambíguo, o ter e o não ter, a presença e a distância.

O retorno da dupla Sandy & Junior aos palcos arrebatou a atenção de toda uma geração que ao longo dos anos se distanciou do chamado teen pop da dupla e foi se acostumando com funk, pagode, hip hop, rock, sertanejo e afins. Os jornais e a TV noticiam diariamente o retorno da dupla em uma turnê em várias cidades brasileiras - até agora, basicamente capitais.

Logo de início, aparentemente houve uma espécie de negação do interesse em (re)ver a dupla. Esse sentimento é algo muito comum para a análise psicológica: negar para se afirmar. É como se admitir o interesse no show de Sandy & Junior sugerisse um comportamento infanto-juvenil em um momento em que a geração Z quer se afirmar como adulta. Não obstante, os ingressos para os shows em São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, estão esgotados nas vendas online.

O fato é que a dupla não é uma dupla qualquer, mas sim uma dupla formada por irmãos. Com isso, ou seja, com a irmandade, a dupla é portadora de um símbolo cultural que é universal e que perpassa diferentes esferas da vida cotidiana. Além disso, a turnê a ser realizada tem o título de "Nossa História". Isso é mais do que suficiente para resgatar a memória afetiva de toda uma geração. Quem não tem uma história para contar?

Referências Conexas

Firat, F., & Venkatesh, A. (1995). Liberatory postmodernism and the reenchantment of consumption. Journal of Consumer Research, 22(3), 239-267.

Freud, S. (2000). A psicopatologia da vida cotidiana. Rio de Janeiro: Imago.

Holbrook, M. (1993). Nostalgia and consumption preferences: some emerging patterns of consumer tastes. Journal of Consumer Research, 20(2), 245-256.

Larsen, G., Lawson, R., & Todd, S. (2010). The symbolic consumption of music. Journal of Marketing Management, 26(7-8), 671-685.