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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Carnaval sem Photoshop

Nesses dias de carnaval em terras brasileiras pululam na internet (leia-se web), fotografias de celebridades e subcelebridades – essa invenção pós-moderna que tanto alegra e preenche os interesses da mídia de difusão. O que chama a atenção em uma rápida visita aos portais de notícias é que muitas das fotos publicadas não recebem o usual tratamento em Photoshop. O registro e consumo instantâneos dificultam o tratamento das inúmeras imagens oferecidas em farto banquete ao público. Corpos nus e seminus parecem, paradoxalmente e sem trocadilho, desnudos.
 
Referências Conexas
 
Adorno, T. W. (2002). Indústria cultural e sociedade. São Paulo: Paz e terra.
 
Kellner, D. (2003). A cultura da mídia e o triunfo do espetáculo. Líbero, 6(11), p. 4-15.

Lilti, A. (2017). The invention of celebrity. Polity Press.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Casamento de Romeu e Julieta

A temporada de futebol em 2012 começou dias atrás. Muito espaço na mídia para pouco resultado em campeonatos estaduais. Os próximos meses, contudo, reservam outros torneios como a Copa do Brasil e a Copa Libertadores da América. Essa última, desejada por 11 entre cada 10 clubes brasileiros.

O futebol, como se sabe, é um esporte que envolve e desperta a paixão de milhões e milhões de brasileiros. Com bastante frequência tem produzido comportamentos difíceis de serem explicados com a mínima racionalidade. Tendo em vista as proporções que alcançou, seria mais adequado dizer que se transformou em um grande negócio para diferentes indústrias: entretenimento, imprensa, material esportivo, eletrodomésticos, eletrônicos, saúde, etc. E é exatamente isso que estamos vendo em curso nesse início de ano.

O Casamento de Romeu e Julieta (BRA, 2005, 93 minutos), comédia dirigida por Bruno Barreto, baseada em um conto de Mario Prata, ilustra bem esse universo. Como o título sugere, envolve um amor quase impossível entre um homem e uma mulher. No caso, um corintiano, interpretado pelo ator Marco Ricca, e uma palmeirense, interpretada pela atriz Luana Piovani.

Trata-se de um filme que apresenta diferentes aspectos do consumo material e simbólico em torno do futebol, que muitas vezes não percebemos. É curioso observar como o universo do futebol pode ser demarcado pelo consumo de alimentos, bebidas, lugares, roupas, relações familiares, experiências e viagens, entre outras possibilidades. O filme proporciona boa diversão e, também, uma ótima oportunidade para observamos o consumo do futebol na sociedade brasileira.

Esse post compõe uma série chamada “Filme”. Trata-se de sugestões de filmes.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O perfil do BBB 11

Espiar, acompanhar, conferir, ver, seguir, torcer, debater criticar ... são muitos os verbos no infinitivo que podem ser usados para a experiência de consumo do Big Brother Brasil 11, programa de entretenimento que a TV Globo leva ao ar durante os três primeiros meses do ano. Em sua décima primeira edição, o programa já não tem novidades e está completamente decifrado pelo grande público. O consumo do programa indica o chamado mais do mesmo, especialmente porque a Rede Globo resolveu não mais apostar na situação de pessoas que são comuns e podem ser encontradas em qualquer rua do país. Pelo contrário, as pessoas confinadas na casa do BBB 11, e que disputam o prêmio de R$ 1,5 milhão, tem um perfil previamente escolhido para a performance midiática. Anteriormente com um conceito voltado para a representação da sociedade brasileira e sua enorme diversidade regional e étnica, inclusive do ponto de vista profissional, o programa, nos dias de hoje, tem como único compromisso o entretenimento por meio da estética corporal, do diálogo fácil e de situações bizarras. São 17 pessoas. Dentre elas, há 2 administradores, 1 analista criminal, 1 engenheiro, 1 estudante e 1 jornalista. Os outros 11 participantes são vinculados, direta ou indiretamente, ao mundo dos espetáculos, da imagem e da estética corporal: 2 modelos, 2 produtoras, 1 atriz, 1 bailarina, 1 coreógrafo, 1 dançarina, 1 barman, 1 cabeleireira e 1 músico. A sociedade brasileira está muito longe de ser assim!

Referências Conexas

CAMPANELLA, Bruno. Investindo no Big Brother Brasil: uma análise da economia política de um marco da indústria midiática brasileira. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, p. 3-17, abr. 2007.

CRUZ, Maria A. M. Big brother Brasil: um cenário observado a procura de uma estratégia de posicionamento crítico no espaço público. São Leopoldo: Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 2007. (Dissertação de Mestrado)

CURVELLO, Vanessa. Big brother Brasil: realidades espetacularizadas. sl.,sd., se.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Debates presidenciais para consumo

Eles não mudam nada! Algum tempo atrás os debates entre presidenciáveis eram capazes de alterar os rumos de uma campanha, mas hoje em dia perderam essa condição. Servem como um produto adicional das emissoras de TV, dos grandes jornais e portais da Internet. No atual panorama político, os debates mais entretêm do que informam o eleitor, e são mais úteis para os analistas políticos de plantão, que precisam de matéria e conteúdo para movimentar suas discussões, do que para decidir a escolha entre os candidatos a presidente da república.

Os resultados das pesquisas de intenção de voto para presidente, freneticamente divulgados por jornais e TVs, tem revelado a pouca influência dos debates sobre a decisão de votos dos eleitores. A maior parte deles tem o voto definido de forma anterior à realização dos debates e baseada em critérios de escolha que não são alterados pelo conteúdo do debate.

Os debates para presidente da república são eventos nobres, porém tem perdido importância para o eleitor nesse momento. Talvez tivéssemos uma experiência diferente se a agenda da mídia não fosse tão voraz, se as emissoras de TV os exibissem em horários adequados e com menor concorrência na programação, se a militância partidária atual não fosse quase que inexistente, se os candidatos não fossem tão parecidos em suas propostas, e se, especialmente, o presidente Lula, com toda a sua popularidade e avaliação positiva de governo, não estivesse envolvido no processo sucessório.

Referências Conexas

BERNDT, Alexander. Modelo de monitoração das intenções de voto. Revista de Administração (RAUSP), v. 29, n. 2, p. 110-16, 1994.

THIOLLENT, Michel. Pesquisas eleitorais em debate na imprensa. São Paulo: Cortez, 1989.

VEIGA, Luciana F.; SOUZA, Nelson R. de; SANTOS, Sandra A. Debate presidencial: as estratégias de Lula e Alckmin na TV Bandeirantes. Política & Sociedade, n. 10, p. 195-217, 2007.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O espetáculo da solidariedade

A mídia precisa de informações. Consome. A mídia produz informações. Vende. O consumo, no caso, suprimento, é também o produto. Simultaneamente. Simples assim. Em algumas circunstâncias, quanto mais dramático o suprimento, mais dramático ainda é o produto, posto que o suprimento pode ser trabalhado, intensificado, revisado, iluminado, enfim, editado.

Diuturnamente, em maior ou menor proporção, acontecem acidentes, mazelas, desastres, catástrofes. O terremoto ocorrido um mês atrás no norte do Chile, e que deixou 33 mineiros presos sem condições de alcançar a superfície da mina onde trabalhavam, é mais um suprimento ou produto da mídia, a depender do ângulo que para ele se olhe. A novidade é que tais acidentes, infelizmente também passaram a ser vorazmente consumidos pelas chamadas redes sociais de solidariedade.

Embaladas pela mídia, redes de solidariedade de objetivos duvidosos tem sido criadas em torno desse triste episódio chileno. É sempre assim. Muda apenas o lugar, o endereço. Na última sexta-feira circulou uma mensagem por e-mail solicitando a doação de US$ 3.00 para ajudar as famílias dos mineiros da Mina San José no Chile. Aquele ou aquela que fizesse a doação, por meio de transferência ao Banco Santander no Chile, receberia em troca um e-book com o título “Sou Mineiro: o livro da cooperação”. O remetente do e-mail foi a Unicist Goodwill Network do The Unicist Research Institute. É curioso como conseguem o e-mail dos internautas e não dos agentes governamentais e empresariais responsáveis e diretamente envolvidos com o episódio!

Redes sociais de solidariedade tem usado esse expediente; ou seja, doe um determinado valor monetário e receba algo em troca, como um livro ou um objeto qualquer. Até a solidariedade precisa de estímulos em tempos pós-modernos. O acidente com os mineiros do Chile tornou-se um espetáculo a céu aberto.

Referências Conexas

ADORNO, Theodor W. Indústria cultural e sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

GOMEZ, Sandra L. La subcontratación en la minería en Chile: elementos teóricos para el análisis. Polis, v. 8, n. 24, p. 111-131, 2009.

KILDUFF, Martin; TSAI, Wenpin. Social networks and organizations. London: Sage, 2003.

VERONESE, Marilia V. Sujeito, consumo e solidariedade: as ausências e presenças. E-Compós, v. 11, n.2, p. 1-18, 2008.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Cinderelas do carnaval

Outro dia li uma reportagem da BBC Brasil sobre um livro que foi lançado na Espanha em que personagens antológicos da literatura infanto-juvenil se rebelam e desempenham papéis completamente distintos daqueles que lhe foram atribuídos em histórias originais. Trata-se do livro “La Cenicienta Que No Queria Comer Perdices”, de autoria de Nunila López Salamero (texto) e Myriam Cameros Sierra (ilustrações), cuja tradução é “a Cinderela que não queria comer perdizes”.

O livro, que está disponível no formato pdf na web, retrata a mudança de comportamento da Cinderela. Ela se rebela ao perceber que era maltratada, que tinha que fazer constantes regimes para caber nas roupas com manequins de baixa numeração, e que tinha que enfrentar um marido que deixou de ser um príncipe e virou um machão. No livro, Cinderela deixa o baile após a meia noite e ainda se separa do príncipe encantado. As autoras do livro quiseram, assim, e de uma forma bem humorada, apontar um novo patamar de ação feminina e da atmosfera da suas relações para com os homens no Século XXI.

Eu lembrei dessa reportagem e do livro porque vi cenas do último carnaval em que algumas mulheres tatuaram os nomes de seus parceiros em parte íntima de seus corpos e, ao mesmo tempo, fizeram questão de exibi-los para a mídia de difusão. O que será que Nunila e Myriam, autoras do livro, teriam a dizer sobre isso se estivessem passando o carnaval no Brasil?

Referências Conexas

INFANTE, Anelise. Cinderela larga príncipe e Branca de Neve toma Prozac em livro na Espanha. BBC Brasil, Cultura & Entretenimento, 14 jan. 2010.

SALAMERO, Nunila L.; SIERRA, Myriam C. La cenicienta que no queria comer perdices. Barcelona: Planeta, 2009.