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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Consumer Culture Theory

O periódico Marketing Theory, editado pela Sage, acaba de lançar uma edição especial com o título "Consumer Culture Theory: History, Perspectives and Prospectives". 

A edição especial foi organizada pelos professores Soren Askegaard (University of Southern Denmark) e Linda Scott (Oxford University). Foram publicados cinco artigos. Vale a pena conferir. Para acessar a edição, clique aqui.

Esse post compõe uma série chamada "Web News". Trata-se de observações acerca de eventos relacionados à cultura e consumo informados no World Wide Web.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Se quiser beber, venha buscar

Durante a realização de eventos no Brasil e em vários outros países é bastante comum os participantes serem servidos por garçons que se dirigem diretamente até os lugares em que estão ou até as mesas que ocupam. Esse hábito não é necessariamente uma regra na Escócia. Lá, durante a realização de eventos sociais, é possível que convidados e participantes que quiserem desfrutar de bebidas precisem se deslocar dos seus lugares até o local onde elas são servidas. Esse hábito desperta a atenção porque, entre outras coisas, sinaliza a pouca propensão para hábitos serviçais entre os britânicos.

Obs.: na foto acima é possível observar garçons e garçonetes no centro do salão do Aberdeen Beach Ballroom, na cidade de Aberdeen, Escócia.

Esse post compõe uma série chamada “Nota de Viagem”. Trata-se de um conjunto de pequenas observações realizadas durante viagens.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Literatura e moda na Cultura

 

Em suas possibilidades de construção textual, a literatura expressa e reflete, a um só tempo, as diversas dimensões da vida cotidiana. Entre elas, estão aquelas relacionadas aos artefatos e indumentárias que diferentes tempos e sociedades usam para vestir os corpos.


O aspecto material dessas indumentárias sinaliza claramente as condições de organização e estrutura produtiva das sociedades, mas é o aspecto simbólico imbricado em tais indumentárias que é capaz de proporcionar uma compreensão mais acurada das sociedades. A literatura, com efeito, captura essa sutileza por meio dos universos e personagens que constrói e reconstrói em diferentes tempos. 



Obs.: as fotos acima são do desfile “Moda e Literatura”, realizado por alunos e professores da FMU na Livraria Cultura, em 22 de outubro de 2010, na cidade de São Paulo, Brasil.

Esse post compõe uma série chamada “Nota de Viagem”. Trata-se de um conjunto de pequenas observações realizadas durante viagens.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A quem interessa o livro digital?

O primeiro livro digital, assim como o primeiro de seus leitores eletrônicos, foi lançado nos Estados Unidos durante os anos 1990. No entanto, foi apenas após o lançamento do leitor eletrônico Kindle pela Amazon.com em 2007, que o livro digital passou a ser conhecido em larga escala.

De lá para cá, o livro digital tem sido celebrado por inúmeras pessoas, em diversas frentes, desde leitores e livreiros até editores e ambientalistas. Mas quem mais festeja a introdução do livro digital no mercado são os fabricantes de e-Readers, isto é, a indústria eletrônica vinculada ao universo da informática e do mundo digital.

Há, hoje, dezenas de modelos de leitores eletrônicos disponíveis no mercado. Só a Sony tem cinco modelos diferentes para venda. Depois que a Amazon.com lançou o seu Kindle, a Barnes & Nobles, outra grande livraria virtual, lançou o seu Nook, e muito recentemente a Apple lançou o iPad. Ocorre que o e-Reader é o tipo de aparelho eletrônico que não envolve uma tecnologia tão sofisticada a ponto de seu fabricante inicial permanecer sozinho no mercado por muito tempo. As barreiras de entrada no mercado de produtos tecnológicos estão cada vez mais fáceis de serem transpostas.

Certamente, os lançamentos continuarão e livrarias virtuais e editoras ainda empreenderão muitos esforços para individualizarem seus produtos e tentarem posicioná-los como únicos no mercado, até, talvez, chegarem a conclusão de que eles poderão ter uma plataforma padrão, em termos de software, que leia qualquer livro digital. Esse “qualquer”, todavia, interessa mais às editoras dos livros digitais do que aos fabricantes de e-Readers e do que às livrarias virtuais. São muitos os desdobramentos em torno dessa questão e passam, inclusive, pela discussão de práticas de monopólio relacionadas a quais softwares serão definidos para serem usados nos aparelhos e-Readers.

No Brasil, os livros digitais começaram a ser vendidos esse ano. Livrarias virtuais como Cultura, Saraiva e Submarino.com já disponibilizam milhares de títulos, especialmente os chamados best sellers e escritos no idioma inglês. Além da diversidade de e-Readers apresentada por essas empresas, e com a qual o leitor deve lidar, há os softwares que podem ser instalados em computadores do tipo notebook ou desktops e que permitem a leitura dos livros digitais.

Como é de se esperar, esses softwares são também diferentes. A Cultura sugere o Adobe Digital Editions e a Saraiva sugere o Saraiva Digital Readers. Já o Submarino.com oferece vários títulos, mas não disponibiliza a possibilidade de acesso ao livro digital que não seja por meio de um e-Reader. Diferentemente da Cultura e da Saraiva, a Submarino.com desenvolveu uma espécie de parceria com a Gato Sabido e-books para a venda de livros digitais, e a oferta dos livros se dá apenas por meio do COLL-ER, seu e-Reader. Surfando a onda dos livros digitais oferecidos pelas nossas livrarias virtuais, a Positivo, fabricante brasileira de computadores, iniciou a produção do seu e-Reader, cujo nome é Alfa.

Argumentos a favor do livro digital costumam ser razoáveis, particularmente aqueles que apontam para a portabilidade e a mobilidade, características da sociedade pós-moderna, bem como os que destacam o fato dos livros digitais poderem ser adquiridos por menores preços e, ainda, não poluírem o meio ambiente, ajudando a preservar milhões de árvores que não precisarão ser utilizadas para a fabricação de papel. Um outro argumento, que não vem muito à baila, diz respeito a obras volumosas, de grande complexidade de manipulação, assim como obras raras, que devem ser transformadas em livros digitais. Tal procedimento seria conveniente e necessário para dar visibilidade e acesso às mesmas.

Olhando para todo esse cenário, algumas impressões, e também dúvidas, vêm à tona:

1. a indústria tende a criar novos produtos para, assim, criar novos mercados e expandir seus negócios. O livro digital e, em contrapartida, o e-Reader, se encaixam perfeitamente bem nesse sentido;

2. com os livros digitais, editoras e livrarias virtuais mudam significativamente a maneira de vender livros e economizam substancialmente ao longo do processo de produção e venda de seus livros. O trabalho com logística, envolvendo gráfica, transporte, estocagem, distribuição e envio para as compras realizadas pela Internet, por exemplo, simplesmente não existe, o que significa expressiva redução do uso de mão-de-obra, instalações e redução de custos;

3. a vida dos autores dos livros melhorará? Eles receberão maior participação dos lucros decorrentes da venda dos livros com o novo formato? Afinal, as editoras poderiam remunerar melhor os autores, pois os seus custos serão reduzidos consideravelmente e o argumento do custo de produção dos livros sempre foi usado para justificar os parcos repasses de direitos autorais aos autores de livros;

4. para onde irão todos os e-Readers que estão sendo vendidos, na hora em que forem descartados? Terão o mesmo destino que os aparelhos de telefone celular, os notebooks e os desktops, ou seja, o lixo comum? Os e-Readers também poluem e são uma ameaça ao meio ambiente. E, diga-se, a indústria de computadores, do mesmo modo que a de telefonia celular, ainda não apresentou uma solução para o descarte de seus produtos;

5. na medida em que a indústria editorial diminui proporcionalmente a venda de livros em papel e aumenta a venda de livros digital, o que será feito com os empregos relacionados à produção e distribuição de livros em papel? Caberá a seus ocupantes a máxima de readaptar, readequar, reutilizar, reciclar?

A quem interessa o livro digital? Muitos argumentos, em um primeiro momento, remetem a uma posição quase que intocável dos livros digitais e, com efeito, é preciso reconhecer o caráter inexorável da sua presença entre nós nos próximos tempos. Não obstante, até o presente momento, quem mais parece ter se beneficiado com os livros digitais são as próprias empresas que compõem a cadeia de negócios em torno dele.

Referências Conexas

BELK, Russel W.; TUMBAT, Gülnur. The cult of Macintosh. Consumption Markets & Culture, v. 8, n. 3, p. 205 – 217, 2005.

CHANDLER, Stephanie. From entrepreneur to infopreneur: make money with books, e-books and information products. Hoboken: Wiley, 2006.

DENEGRI-KNOTT Janice; MOLESWORTH, Mike. Concepts and practices of digital virtual consumption. Consumption Markets & Culture, v. 13, n. 2, p. 109 – 132, 2010.

FRECHETTE, Barry G. Brand digital: simple ways top brands succeed in the digital world. Journal of Consumer Marketing, v. 27, n. 3, p. 293 – 293, 2010.

FURTADO, José A. O papel e o pixel – do impresso ao digital: continuidade e transformações. Florianópolis: Escritório do Livro, 2004.

MILLER, Daniel. The confort of things. Cambridge: Polity Press, 2009.

NEGROPONTE, Nicholas. A vida digital. 3ª. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

VIEIRA, Valter A.; SLONGO, Luiz A. Um modelo dos antecedentes da lealdade no varejo eletrônico. Revista de Administração Contemporânea, v.12, edição especial, p. 65-87, 2008.

WEBER, Steve. ePublish: self-publish fast and profitably for Kindle, iPhone, CreateSpace and print on demand. S.l.: Weber Books, 2009.

domingo, 3 de outubro de 2010

Cultura da transferência da responsabilidade

A culpa é sempre sua, nunca minha! Essa é uma máxima que se verifica cotidianamente das mais diferentes formas na sociedade brasileira hoje em dia. Nas relações profissionais e mesmo nas relações de caráter pessoal, é possível observar o quanto se transfere para outros a responsabilidade por atos e ações que são sinônimos de problemas, equívocos ou resultados avaliados como negativos.

Exemplos simples desse fenômeno podem ser constatados de diversas maneiras: o gerente nunca é o responsável, o funcionário é que não soube fazer o trabalho; o vendedor não deve ser responsabilizado, o problema é da fábrica que produziu o produto com defeito; o entregador não poderia fazer melhor, o trânsito é que estava horrível; o governador não tem como apresentar uma solução mais adequada, pois a legislação não permite; o deputado não pode fazer algo diferente, dado que a pauta das votações está trancada; o policial não pode implementar adequadamente a lei seca, já que há apenas um bafômetro na cidade; o garçom não pode responder pelo erro no pedido, visto que foi o cozinheiro que não prestou atenção no prato; é possível, sim, agir de uma determinada forma, a interpretação da legislação é que não está correta.

Dito de uma forma simples, é como se houvesse uma condição tácita de que se algo aconteceu de errado, a culpa não é minha; pelo contrário, é dele ou dela. Culturalmente, esse fenômeno parece ter uma relação com a situação de querer estar em vantagem em relação ao outro. Se a responsabilidade é sempre dos outros e nunca de um determinado indivíduo, esse tenderá a estar sempre em uma situação de harmonia com os interlocutores que tem em perspectiva e, por conseguinte, jamais em situações desconfortáveis de conflito. Tem-se, assim, e em tese, uma condição em que o indivíduo está pessoal ou profissionalmente envolvido, mas nunca é responsabilizado.

Esse fenômeno cultural tende a ser recrudescido devido não só ao ambiente cada vez mais competitivo das organizações brasileiras, como também à crescente fragilidade dos vínculos pessoais e profissionais nessas mesmas organizações.

Referências Conexas

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

DaMATTA, Roberto A. O que faz o Brasil, Brasil? Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

VIEIRA, Francisco. G. D. ; CRUBELLATE, João M.; SILVA, Ilse G. ; SILVA, Wânia. R. Silêncio e omissão: aspectos da cultura brasileira nas organizações. Revista de Administração de Empresas – Eletrônica, v. 1, n. 1, p. 1-14, 2002.

sábado, 16 de janeiro de 2010

O Consumo da solidariedade

A tragédia causada pelo terremoto no Haiti reacende o debate sobre a disposição de ajudar o outro. Trata-se, no mínimo, de uma perspectiva diferente para o verão, período em que as pessoas estão mais centradas nelas mesmas e em seus prazeres pessoais. Talvez a repercussão dessa tragédia seja maior no Brasil do que em outros países, tanto pelo fato de haver um contingente do exército brasileiro como força de estabilização em missão da ONU naquele país, quanto pela morte da médica Zilda Arns, que lá estava em missão humanitária e que possuía longa e conhecida trajetória de trabalho comunitário.

Nesses casos, por uma questão de interesses geopolíticos, Estados nacionais assumem papéis de solidariedade: destinam fundos e enviam alimentos e remédios, entre outros recursos. Indivíduos, em menor escala, doam recursos ou se oferecem para trabalhos voluntários. Em ambos os casos ocorre o consumo da solidariedade. No primeiro, um consumo pragmático, no segundo um consumo simbólico.

Costumes, hábitos e, especialmente, valores, individuais, comunitários ou mesmo religiosos, orientam o caráter de ações individuais e sociais de solidariedade. Assim, a solidariedade, mesmo que revestida de nobreza, não é consumida de modo igual e com o mesmo sentido. A propósito, entre o segundo semestre de 2008 e o primeiro de 2009, ocorreram chuvas de extrema intensidade nas regiões nordeste e sul do nosso país, deixando milhares e milhares de pessoas desabrigadas. Para cada R$ 1,00 recebido em solidariedade pela região nordeste, a região sul recebeu R$ 8,50, quando havia uma proporção de 4 desabrigados na primeira para cada 1 desabrigado na segunda.

Que o legado de Zilda Arns não seja tão rapidamente esquecido como parece já ter sido esquecido aquele deixado pelo Betinho (Herbert José de Sousa), que criou no início dos anos 1990 o movimento Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida. Pois, afinal, como já dizia Caetano Veloso, em canção do disco comemorativo dos 25 anos do tropicalismo, lançado em 1993, “o Haiti é aqui”.

Referências Conexas

DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

NEPSTAD, Sharon E. Convictions of the soul: religion, culture, and agency in the Central America solidarity movement. Oxford: Oxford University Press, 2004.

WEBER, Max. Ensaios sobre a teoria das ciências sociais. São Paulo: Centauro, 2003.

WYMER JR., Walter W.; SAMU, Sridhar. Volunteer service as symbolic consumption: gender and occupational differences in volunteering. Journal of Marketing Management, v. 18, n. 9, p. 971-989, 2002.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Cultura e consumo no nosso dia-a-dia


Os blogs, a princípio, foram criados como uma espécie de diário daqueles que neles escrevem. Com o passar do tempo, tornaram-se plataformas para a expressão de pensamentos, a divulgação de informações e a realização de análises, entre outras diferentes possibilidades. O meu propósito com esse blog é lançar um olhar sobre fenômenos de cultura e consumo, o que, em maior ou menor medida, corresponde a quase totalidade do que fazemos e vivemos em nosso dia-a-dia. Nesse sentido, a ideia é usar este blog como um meio para a realização de observações, comentários e interpretações sobre cultura e consumo.

O leque de possibilidades é extraordinariamente amplo. Fenômenos de cultura e consumo, enquanto construções individuais e coletivas, podem ser ou estar associados à desde um simples artefato material, como uma enxada que se usa para capinar, até complexos padrões de comportamento, como o engajamento em trabalhos voluntários de caráter social. Possuem, portanto, um caráter tanto conspícuo quanto simbólico e são transversais à vida cotidiana.

No mundo contemporâneo, para o bem ou para o mal, há muito que o consumo deixou de ser um substantivo masculino e passou a ser visto como um vilão ou um redentor da vida em sociedade. Poucos, entretanto, o vêem como inexorável, ou menos ainda como uma espécie de vetor, simultâneo, de produção e reprodução cultural. Por um lado se impõe uma racionalidade de criação e estruturação de mercados, bem como geração de riquezas e a concepção de que a felicidade virá por meio dos bens. Por outro, subsiste a expectativa de uma lógica distinta. Em meio a esse processo, pessoas e empresas definem e constroem identidades que estão presentes e permeiam espaços privados e públicos, inclusive no que diz respeito à relação com o Estado.

Olhar fenômenos de consumo e cultura no nosso dia-a-dia, compreendendo consumidores como sujeitos socialmente construídos, e empresas como estruturas que têm agência social, é, assim, objetivo deste blog.

Referências Conexas

BARBOSA, Lívia; CAMPBELL, Colin. (Orgs.) Cultura, consumo e identidade. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2006.

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

BELK, Russel; GER, Güliz; ASKEGAARD, Søren. The fire of desire: a multisited inquiry into consumer passion. Journal of Consumer Research, v. 30, n. 3, p. 326-351, 2003.

BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean C. Reproduction in education, society and culture. London: Sage, 1990.

FIRAT, A. Fuat; DHOLAKIA, Nikhilesh. Consuming people: from political economy to theaters of consumption. London: Routledge, 2003.

LIPOVETSKY, Gilles. A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

McCRACKEN, Grant. Cultura e consumo: novas abordagens ao caráter simbólico dos bens e das atividades de consumo. Rio de Janeiro: MAUAD, 2003.

SAHLINS, Marshall. Cultura e razão prática. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.

SHERRY, John F. (Ed.) Contemporary marketing and consumer behavior: an anthropological sourcebook. Thousand Oaks: Sage, 1995.

SLATER, Don; TONKISS, Fran. Market society: markets and modern social theory. Cambridge: Polity, 2001.