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quarta-feira, 27 de março de 2019

A nostalgia do vinil




o vinil veio, ficou durante muitos e muitos anos, e foi embora ... 
depois voltou, após nos acostumarmos com avanços da tecnologia e facilidades do mundo digital ...
parece que está indo embora novamente !

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O carnaval já foi melhor



Bater; doer; se armar; atirar ...  é tudo o que se escuta.
O nome da banda é Vingadora e o título da música é Metralhadora.
Dizem que é revelação do Carnaval !
 Prêmio YouTube Carnaval !!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Qual é a cara que é cara de rica?



A cara é o rosto, a face, a imagem que vai no documento Registro Geral (RG) que é chamado de carteira de identidade. No entanto, essa identidade é apenas um número. Apenas mais um dentre tantos outros que parecem ser necessários ao Estado para ordenar e, também, controlar, a vida em sociedade.

A cara é o lugar, o espaço, o pedaço do corpo para onde, via de regra, outras pessoas olham em um primeiro momento, quando veem alguém à distância ou quando se dirigem a alguém de forma mais próxima em um mesmo espaço físico.

A cara é o selfie, o autorretrato formado por um conjunto de milhões e milhões de pixels que formam a imagem digital que é compartilhada e que se vê cotidianamente nas redes sociais e websites que se visita.

Mas, qual é a cara que é cara de rica? Existe uma cara da riqueza? Especialmente, a cara de uma mulher rica? É possível expressar uma identidade relacionada à riqueza?

Se depender da música Cara de Rica, sim! A música foi composta por Erikka Rodrigues e Paula Mattos, e no momento faz sucesso na voz da primeira. Como se pode perceber por meio do vídeo disponibilizado logo acima nesse post, a música sugere que não precisa pertencer a classe "A gargalhada" para expressar uma identidade rica. Isso pode ser feito de outra maneira e com muito menos dinheiro, inclusive por quem pertence a uma classe de rendimento econômico inferior. O que é relevante ressaltar, no caso, é que a identidade rica contida na música é categoricamente afirmada pelo consumo conspícuo - independentemente do valor monetário relacionado aos objetos materiais adquiridos ou serviços contratados e referidos na letra da música.

Em última análise, a cara é tão somente um recurso semântico na música, uma referência para a expressão de uma espécie de identidade do que é ser rica. Conforme a música, para ter a cara de rica basta incorporar alguns gestos e expressões corporais acompanhadas de adornos, formas no cabelo e pinturas no corpo - sobre e sob a pele.

Nesse sentido, é possível destacar três blocos de elementos relativos à música e que moldam a compreensão da formação da identidade rica em seu contexto: (i) perfil do personagem da música, (ii) itens de consumo do personagem e (iii) expressões comportamentais e simbólicas referentes ao personagem. Tais elementos estão na Tabela 1, a seguir.

Tabela 1 - Elementos da música Cara de Rica 

 Perfil do Personagem
Itens de Consumo 
Expressões  Comportamentais e Simbólicas
Mulher jovem
Toda tatuada
Manda na cidade
É bonita
Faz escova no cabelo
Está dominando
Pega ônibus às 7 (sete)
Anda sempre na moda
Não tem limite, não tem medo
Está ralando
Usa perfume importado
Ela se garante, toda poderosa

Usa sapato 36 de salto
Faz cara de rica


Ela não dá moral


Vai seduzir, fazer passar mal


Provoca porque é bonita


É perigosa


É um veneno

Está causando


Jeito menina / atitude mulher

É isso que ela quer
Fonte: Música Cara de Rica, de autoria de Erikka Rodrigues e Roberta Mattos, capturada no Youtube, 17/09/2014.

Referências Conexas

Belk. R. (1988). Possessions and extended self. Journal of Consumer Research, 15(2): 139-168.

Belk. R. (2013). Extended self in a digital world. Journal of Consumer Research, 40(3): 477-500.

Hall, S. (1998). A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A.

McCracken, G. (2008). Transformations: identity construction in contemporary culture. Bloomington: Indiana University Press.

Scanlon, J. R. (Ed.) (2000). The gender and consumer culture reader. New York: NYU Press.

Soutilha, D., Ayrosa, E. A. T., & Cerchiaro, I. B. (2013). Do bom e do melhor: o consumo de bens de luxo na classe C. Sociedade, Contabilidade e Gestão, 8(1):80-97.

Tonini, K. A. D., & Sauerbronn, J. F. R. (2013). Mulheres cariocas e seus corpos: uma investigação a respeito do valor de consumo do corpo feminino. Revista Brasileira de Marketing, 12(3): 77-101.

Veblen, T. (2013). The theory of the leisure class. New York: Penguin Books.

domingo, 17 de agosto de 2014

Os Sons do Capitalismo



Práticas de consumo pressupõem diferentes formas de expressão cultural e diversos modos de interação em torno da materialidade dos objetos. Sentidos e significados são construídos não apenas em torno daquilo que pode ser visto, tocado e adquirido, mas também em função daquilo que se ouve, seja em ambientes onde se processa a aquisição de objetos, seja em espaços públicos ou domésticos onde se manifesta a interação entre indivíduos sem uma expressão de consumo material objetiva. A música, ao longo de anos e anos, tem sido um elemento de construção desses sentidos e significados. O livro "The Sounds of Capitalism: Advertising, Music, and the Conquest of Culture", escrito por Timothy Taylor e publicado pela University of Chicago Press em 2012 (368 páginas, US$ 21.40, edição em paperback), trata desse assunto ao abordar como a música tem sido usada para permear relações de consumo e construir identidades em torno de marcas e produtos, especialmente por meio de propagandas e jingles, veiculados em meio a programação de rádio e TV.

Esse post compõe uma série chamada "Olhar Acadêmico". Trata-se de observações realizadas sobre artigos, dissertações, teses ou livros relacionados ao campo de cultura e consumo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O ECAD e os direitos autorais em consultórios médicos

Outro dia fui a um consultório médico e vi um cartaz colado na tela da TV informando que a TV não seria ligada porque havia uma determinação, compreendida como um abuso, para o pagamento de uma taxa ao ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). Algumas pessoas que estavam na sala à espera do atendimento comentavam sobre como era chato ter que ficar esperando a hora da consulta sem ter o que fazer para se distrair.

Havia revistas e jornais para serem lidos, mas não parecia haver interesse por parte das pessoas quanto aos mesmos. A única exceção talvez se referisse às revistas de notícias sobre o mundo das chamadas celebridades da TV e do cinema, especialmente aquelas cujas edições eram mais recentes.

Ao adentrar a sala do médico para a realização da consulta, não pude me furtar de fazer uma pergunta sobre o cartaz afixado na TV da sala de espera. Ouvi cobras e lagartos do médico em relação ao ECAD e o quanto era abusivo o pagamento que eles estavam solicitando. O médico disse, também, que vários outros colegas seus de profissão tinham feito a mesma coisa. Eles não iriam disponibilizar música ambiente ou ligar a TV para exibir DVDs com documentários, filmes, músicas ou o que quer que fosse, porque não concordavam com o pagamento que havia sido determinado. Segundo o médico, quanto maior a metragem quadrada do consultório ou da clínica, maior seria o valor a ser pago.

A situação acima descrita está vinculada à modernização da legislação do Direito Autoral, cuja consulta pública foi realizada em meados do ano passado. Quando consultórios e clínicas disponibilizam música ambiente ou imagens por meio da exibição de DVDs, fazem-no de modo que representa uma extensão do serviço que prestam aos consumidores dos serviços médicos. Nesse caso, os médicos não estão consumindo música, filmes, ou o que quer que seja, enquanto indivíduos – pessoa física –, mas sim enquanto organizações empresariais – pessoa jurídica. A cobrança do ECAD, portanto, faz sentido.

Referências Conexas

CASTRO, Gisela. Não é propriamente um crime: considerações sobre pirataria e consumo de música digital. Comunicação, Mídia e Consumo, v. 14, n. 10, p. 73-87, 2007.

GANDELMAN, Henrique. De Gutenberg à internet – direitos autorais das origens à era digital. Record: São Paulo, 2007.

PIMENTA, Eduardo S. Função social dos direitos da obra. Lumen Juris: Rio de Janeiro, 2009.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Pena Branca

O falecimento de Pena Branca na última segunda-feira traz tristeza para os amantes da música caipira e para os que apreciam a viola como instrumento musical. Nunca gostei de música caipira, mas, paradoxalmente, sempre gostei do som da viola. Quando criança, costumava ouvir sons de viola nas feiras livres e no mercado central, quando acompanhava minha mãe nas compras, geralmente nas manhãs de sábado.

Pena Branca pertenceu a uma geração de músicos, considerados caipira de raiz, que não foram alavancados profissionalmente por meio do trabalho desenvolvido por assessores poderosos ou que lançavam mão do jabaculê. Passa para a história da música brasileira por talento e autenticidade, que foram construídos e compartilhados com seu irmão Xavantinho, falecido pouco mais de dez anos atrás.

A indústria musical sempre aproveita essas ocasiões para relançar CDs constantes em seus catálogos musicais e para reunir artistas com o objetivo de prestar uma “homenagem” àqueles que já se foram. Tal “homenagem”, a rigor, não passa de um eufemismo, pois, seja feita por gravadoras ou por artistas individuais, tem sobretudo o sentido de aproveitar a ocasião da morte de alguém para lançar um novo produto no mercado fonográfico.

Pena Branca foi o nome artístico escolhido por José Ramiro. Um nome bastante simbólico para um músico negro que se insere entre aqueles que nos ajudam a lembrar que, como diz Fernando Brant em bela letra escrita para uma música de Milton Nascimento, “o Brasil não é só litoral”.

Referências Conexas

CALDAS, Waldenyr. Acorde na aurora: música sertaneja e indústria cultural. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1977.

SOUZA, Walter. Moda inviolada: uma história da música caipira. São Paulo: Quiron, 2005.