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domingo, 17 de agosto de 2014

Os Sons do Capitalismo



Práticas de consumo pressupõem diferentes formas de expressão cultural e diversos modos de interação em torno da materialidade dos objetos. Sentidos e significados são construídos não apenas em torno daquilo que pode ser visto, tocado e adquirido, mas também em função daquilo que se ouve, seja em ambientes onde se processa a aquisição de objetos, seja em espaços públicos ou domésticos onde se manifesta a interação entre indivíduos sem uma expressão de consumo material objetiva. A música, ao longo de anos e anos, tem sido um elemento de construção desses sentidos e significados. O livro "The Sounds of Capitalism: Advertising, Music, and the Conquest of Culture", escrito por Timothy Taylor e publicado pela University of Chicago Press em 2012 (368 páginas, US$ 21.40, edição em paperback), trata desse assunto ao abordar como a música tem sido usada para permear relações de consumo e construir identidades em torno de marcas e produtos, especialmente por meio de propagandas e jingles, veiculados em meio a programação de rádio e TV.

Esse post compõe uma série chamada "Olhar Acadêmico". Trata-se de observações realizadas sobre artigos, dissertações, teses ou livros relacionados ao campo de cultura e consumo.

domingo, 8 de julho de 2012

Preconceitos da propaganda contra idosos

Dentro de poucos anos o Brasil não será mais um país jovem. Pouco se fala nisso, mas segundo dados do IBGE, 11% da população brasileira atual tem 60 ou mais anos de idade e esse percentual tende a aumentar a cada ano que passa. Conforme projeções do IBGE, divulgada após o mais recente Censo, em 2050 serão 65 milhões de idosos.

Esses dados colocam em perspectiva uma situação curiosa: pelo menos por enquanto, os idosos brasileiros não conseguem se ver nas propagandas veiculadas no país. Idosos possuem renda, consomem inúmeros produtos e serviços, mas quando os publicitários de plantão usam suas imagens associadas a práticas de consumo, em geral as usam para colocá-los, no máximo, como coadjuvantes. Em algumas situações, usam imagens que até mesmo causam constrangimento ou os ridicularizam, como nas propagandas da cerveja de marca Nova Schin na televisão ou do UOL em revista – no primeiro caso dois jovens são perseguidos por idosas e no segundo uma idosa demonstra lentidão no uso de equipamento eletrônico.

Em uma sociedade que valoriza a juventude e que tanto cultua a estética do corpo, como será a propaganda nos próximos anos? Idosos continuarão a ser ignorados, como se não existissem, não fizessem parte da população e não consumissem? O país do futuro está envelhecendo, mas, aparentemente, ainda não percebeu.

Referências Conexas

Camargo, L. O. de L., & Bueno, M. L. (2008). Cultura e consumo: estilos de vida na contemporaneidade. São Paulo: Senac.

Debert, G. G. (2003). O velho na propaganda. Cadernos Pagu, 21, p. 133-155.

Moschis, G. P., Mosteller, J., & Fatt, C. K. (2011). Research frontiers on older consumer’s vulnerability. Journal of Consumer Affairs, 45(3), p. 567-491.

Ursic, A. C., Ursic, M. L., & Ursic, V. L. (1986). A longitudinal study of the use of the elderly in magazine advertising. Journal of Consumer Research, 13(1), p. 131-133.

domingo, 25 de setembro de 2011

Uma imagem, mil palavras

A expressão do título desse post não é nova, mas permanece forte e com uma rara capacidade de síntese na língua portuguesa. De uma forma brilhante, foram usados quatro chaveiros com chaves de quatro marcas diferentes para compor a logomarca da Audi. A riqueza simbólica da imagem é que ela sugere que a Audi reúne em uma única marca atributos que se encontram diluídos em outras marcas como Alfa Romeo (design), BMW (velocidade), Volvo (segurança) e Mercedes-Benz (tecnologia). Tenta-se, assim, definir uma identidade para consumo sobre, e acima de, outras empresas concorrentes.

Referências Conexas

BARBOSA, Lívia; CAMPBELL, Colin. Cultura, consumo e identidade. Rio de Janeiro: Editora da FGV, 2006.

ELLIOTT, Richard; WATTANASUWAN, Kritsadarant. Brand as symbolic resources for the construction of identity. International Journal of Advertising, v. 17, n.2, p. 131-144, 1998.