quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Ensino de marketing nos doutorados em administração no Brasil



Este blog trata de cultura e consumo, bem como de questões relacionadas às práticas de mercado - que foram sendo incorporadas aos posts nele publicados ao longo de seus quase cinco anos de existência. Com exceção de um ou outro curso dentro do campo das Ciências Sociais, notadamente Antropologia e Sociologia, a temática de cultura e consumo parece ser tratada no Brasil sobretudo nos cursos de pós-graduação em Administração. E, nesses cursos, em geral é tratada sob ou como extensão da área de Marketing. O recente aumento do número de artigos relacionados à Consumer Culture Theory, publicados por periódicos brasileiros, e a filiação acadêmica e campo de atuação de seus autores, é um sinal para que se chegue a essa compreensão. Dado esse contexto, é de particular relevância para pesquisadores e interessados na temática de cultura e consumo, a leitura do artigo "Disciplinas e bibliografia no ensino de marketing nos programas de doutorado em administração no Brasil", de autoria de Tânia Veludo-de-Oliveira, Ronan Quintão e André Urdan, recentemente publicado pela Organizações & Sociedade, volume 21, número 71, páginas 661-678, ano de 2014. O artigo "(...) tem por objetivo apresentar um panorama sobre as disciplinas de marketing dos programas brasileiros de doutorado em Administração (...)".

Esse post compõe uma série chamada "Olhar Acadêmico". Trata-se de observações realizadas sobre trabalhos acadêmicos na forma de artigos, dissertações, teses ou livros relacionados direta ou indiretamente ao campo de cultura e consumo.  

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Com amor, da França



A França parece cansada dos produtos chineses que invadiram a Europa e outros continentes. Há um movimento para que se valorize o consumo de produtos produzidos no próprio país, sobretudo aqueles que são feitos artesanalmente. Além disso, defende-se a ideia de que o turista, ao ir à França, deve viver a experiência de adquirir um produto genuinamente francês. É nisso, por exemplo, que a Antoine & Lili acredita.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

CCT Blues by Chris Hackley



"If you are interested in life, you should be interested in CCT
The only paradigm that is worth taken seriously (...)"

Obs.: link enviado por João Felipe Sauerbronn, professor da Unigranrio, pesquisador em estudos de consumo e que assina o blog Marketing, Consumo e Sociedade.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Qual é a cara que é cara de rica?



A cara é o rosto, a face, a imagem que vai no documento Registro Geral (RG) que é chamado de carteira de identidade. No entanto, essa identidade é apenas um número. Apenas mais um dentre tantos outros que parecem ser necessários ao Estado para ordenar e, também, controlar, a vida em sociedade.

A cara é o lugar, o espaço, o pedaço do corpo para onde, via de regra, outras pessoas olham em um primeiro momento, quando veem alguém à distância ou quando se dirigem a alguém de forma mais próxima em um mesmo espaço físico.

A cara é o selfie, o autorretrato formado por um conjunto de milhões e milhões de pixels que formam a imagem digital que é compartilhada e que se vê cotidianamente nas redes sociais e websites que se visita.

Mas, qual é a cara que é cara de rica? Existe uma cara da riqueza? Especialmente, a cara de uma mulher rica? É possível expressar uma identidade relacionada à riqueza?

Se depender da música Cara de Rica, sim! A música foi composta por Erikka Rodrigues e Paula Mattos, e no momento faz sucesso na voz da primeira. Como se pode perceber por meio do vídeo disponibilizado logo acima nesse post, a música sugere que não precisa pertencer a classe "A gargalhada" para expressar uma identidade rica. Isso pode ser feito de outra maneira e com muito menos dinheiro, inclusive por quem pertence a uma classe de rendimento econômico inferior. O que é relevante ressaltar, no caso, é que a identidade rica contida na música é categoricamente afirmada pelo consumo conspícuo - independentemente do valor monetário relacionado aos objetos materiais adquiridos ou serviços contratados e referidos na letra da música.

Em última análise, a cara é tão somente um recurso semântico na música, uma referência para a expressão de uma espécie de identidade do que é ser rica. Conforme a música, para ter a cara de rica basta incorporar alguns gestos e expressões corporais acompanhadas de adornos, formas no cabelo e pinturas no corpo - sobre e sob a pele.

Nesse sentido, é possível destacar três blocos de elementos relativos à música e que moldam a compreensão da formação da identidade rica em seu contexto: (i) perfil do personagem da música, (ii) itens de consumo do personagem e (iii) expressões comportamentais e simbólicas referentes ao personagem. Tais elementos estão na Tabela 1, a seguir.

Tabela 1 - Elementos da música Cara de Rica 

 Perfil do Personagem
Itens de Consumo 
Expressões  Comportamentais e Simbólicas
Mulher jovem
Toda tatuada
Manda na cidade
É bonita
Faz escova no cabelo
Está dominando
Pega ônibus às 7 (sete)
Anda sempre na moda
Não tem limite, não tem medo
Está ralando
Usa perfume importado
Ela se garante, toda poderosa

Usa sapato 36 de salto
Faz cara de rica


Ela não dá moral


Vai seduzir, fazer passar mal


Provoca porque é bonita


É perigosa


É um veneno

Está causando


Jeito menina / atitude mulher

É isso que ela quer
Fonte: Música Cara de Rica, de autoria de Erikka Rodrigues e Roberta Mattos, capturada no Youtube, 17/09/2014.

Referências Conexas

Belk. R. (1988). Possessions and extended self. Journal of Consumer Research15(2): 139-168.

Belk. R. (2013). Extended self in a digital world. Journal of Consumer Research, 40(3): 477-500.

Hall, S. (1998). A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A.

McCracken, G. (2008). Transformations: identity construction in contemporary culture. Bloomington: Indiana University Press.

Scanlon, J. R. (Ed.) (2000). The gender and consumer culture reader. New York: NYU Press.

Soutilha, D., Ayrosa, E. A. T., & Cerchiaro, I. B. (2013). Do bom e do melhor: o consumo de bens de luxo na classe C. Sociedade, Contabilidade e Gestão, 8(1):80-97.

Tonini, K. A. D., & Sauerbronn, J. F. R. (2013). Mulheres cariocas e seus corpos: uma investigação a respeito do valor de consumo do corpo feminino. Revista Brasileira de Marketing, 12(3): 77-101.

Veblen, T. (2013). The theory of the leisure class. New York: Penguin Books.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O consumo da diversidade em Aberdeen



Aberdeen é uma cidade que está situada no nordeste da Escócia, região litorânea do Mar do Norte, e foi constituída ainda no século VIII. A cidade se orgulha de ser um lugar onde reina a diversidade. Em 2008, diversos órgãos a ela relacionados, e com o intuito de promovê-la, lançaram um cartaz (imagem que se vê acima, nesse post) explorando exatamente essa noção.

A diversidade, contemplada e explorada no cartaz, é destacada pelo fato de Aberdeen possuir, à época, 212.125 pessoas que falavam 60 línguas e professavam 14 fés diferentes. O slogan cunhado para tamanha diversidade foi o seguinte: "Todos diferentes; Todos iguais; Todos juntos; Nós somos Aberdeen"

Do ponto de vista de estudos de cultura e consumo, Aberdeen deve ser um verdadeiro laboratório a céu aberto. No presente momento, no entanto, considerando o plebiscito que ocorrerá no próximo dia 18, em que os escoceses decidirão se querem permanecer como parte integrante do Reino Unido ou se a Escócia será um estado completamente independente e autônomo, é bem possível que Aberdeen esteja em meio a um grande dilema: reafirmar a sua diversidade por meio de uma identidade continuamente relacionada ao Reino Unido ou reafirmar sua diversidade por meio de uma nova identidade meramente escocesa.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Calçados, calçados, calçados



Calçados. Vários. Diversos. Para todas as horas e eventos. A indústria de móveis criou uma solução de sapateira giratória para guarda-roupas. Solução criativa para se organizar os sapatos e também para estimular o consumo dos mesmos.