domingo, 1 de março de 2026

CULTURA E CONSUMO AGORA NO SUBSTACK

Última atualização em 16-06-2026

Após dezesseis anos de publicações no Blogger, o Cultura e Consumo inicia uma nova etapa.

Os textos passam a ser publicados no Substack, em um ambiente mais adequado às dinâmicas atuais de leitura, circulação e diálogo.

Este blog permanece disponível como arquivo histórico, reunindo a trajetória construída desde 2010. O que permanecerá aqui continua sendo parte fundamental da identidade do projeto.

Se você deseja acompanhar os novos comentários e observações sobre cultura de consumo, marketing e construção de mercados, convido a acessar o 👉 Substack Cultura e Consumo

Agradeço profundamente a todos que leram, comentaram e acompanharam o Cultura e Consumo ao longo desses anos aqui no Blogger e gostaria muito de vê-los no Substack.

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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Tapioca com queijo e goiabada, mas pode chamar de alimento fitness e funcional


Tapioca fitness e funcional com queijo e goiabada
Tapioca 'fitness e funcional' com queijo e goiabada

Imagine a cena: você está em um restaurante natural, percorrendo o bufê com aquele olhar de quem busca saúde, e se depara com uma tapioca de queijo com goiabada. Até aí, nada de novo, apenas uma sobremesa afetiva. O detalhe, porém, estava no rótulo: aquela não era uma tapioca qualquer. Além de fitness, ela era funcional.

Essa experiência me fez parar para pensar. Afinal, se formos rigorosos, todo alimento é funcional em alguma medida, já que fornece nutrientes e substâncias que permitem ao corpo desempenhar suas funções vitais. Mas, ali, o adjetivo "funcional" não era biológico, mas sim mercadológico.

A construção de uma categoria

Fiquei questionando se essa placa no bufê era apenas um viés isolado daquele estabelecimento ou se estaríamos diante de algo maior: um desdobramento da formatação do mercado de alimentos por meio de práticas representacionais.

Sabemos que essa história não começou ontem. Embora o conceito tenha ganhado força no Brasil com os iogurtes probióticos da Danone, a semente foi plantada no Japão, ainda na década de 1980. Ao incorporar substâncias bioativas, como fitosteróis e probióticos, as empresas não criaram apenas novos produtos, mas sim a categoria de alimentos funcionais. O mercado passou, então, a prometer benefícios que vão além da nutrição básica, adentrando o imaginário do consumidor com promessas de saúde otimizada.

O nascimento do "Consumidor F2"

Parece que os restaurantes se integraram de vez ao chamado “universo fitness". É um movimento, portanto, que transborda das prateleiras de suplementos e das academias para o prato do dia a dia.

O que há de mais curioso nessa dinâmica é observar o papel do queijo com goiabada nesse cenário. Tradicionalmente associado ao prazer palatável e também ao medo do ganho de peso, o "Romeu e Julieta" ganha uma nova roupagem. Ao ser batizado como "funcional", o alimento sofre uma espécie de purificação simbólica: a) alivia a consciência, pois o prazer deixa de ser pecado; b) justifica a escolha, pois o consumidor sente que não está agindo fora de propósito; e c) neutraliza o risco, pois a ameaça de "prejudicar o corpo" é substituída pela promessa de "ajudar uma função".

O mercado foi capaz de criar o que agora podemos chamar de alimentos F2 (ou FF): Fitness e Funcional. No fim das contas, a tapioca no bufê não era apenas comida, mas sim um dispositivo de mercado desenhado para que a gente possa comer a goiabada sem o peso da culpa, acreditando que estamos, na verdade, cumprindo uma tarefa supostamente técnica de cuidado e manutenção do corpo.

Referências Conexas

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Sassatelli, R. (2007). Consumer culture: History, theory and politics. SAGE Publications.

Siró, I., Kápolna, E., Kápolna, B., & Lugasi, A. (2008). Functional foods. Product development, marketing and consumer acceptance - a review. Appetite, 51(3), 456-467. https://doi.org/10.1016/j.appet.2008.05.060

domingo, 15 de fevereiro de 2026

On Us, Our Publications, and the Nature of a Consumer Culture Studies Community

 

Terceiro Encontro Cultura e Consumo Brasil (CCB), 2019, UFRJ
CCB Meeting, Rio de Janeiro, 2019 

In September 2019, I had the opportunity to give a presentation during the third meeting of our Cultura e Consumo Brasil (CCB) community, held at the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ). That day, my intention was to provoke an exercise of self-reflection by addressing the theme “Us, our publications, and the nature of a community in consumer studies.”

The idea behind the presentation was simple. It was an invitation to pause, even if only briefly, and reflect on who we were and what we were writing. But above all, it sought to address a question that might have felt uncomfortable: why had we decided to create a collective academic space such as CCB in the first place?

Looking back now, after facing the challenges of the pandemic through virtual meetings (2021 and 2022 hosted by FGV/EAESP) and our in-person reunion at PUC-Rio in 2024, I realize that revisiting those data is not only a way of understanding the genesis of an identity that began to take shape in 2016 at Unigranrio, but also a reminder that those provocations are still very much alive.

Who Are “We”?

To understand our community, I began by mapping who we were geographically and demographically. The 2019 data revealed a vibrant community, but one facing challenges of capillarity. Rio de Janeiro was our epicenter, concentrating 45% of our members. However, we were already seeing important fronts in Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, and São Paulo (ranging from 9.8% in the first two states to 8.4% in the latter two). In addition, we had a meaningful international presence, with members working in institutions outside Brazil.

More than location, however, what defined us was transition. By analyzing members’ higher education institutions of training and the time elapsed since their most recent academic degree, I realized that we were not merely a community, but a network of researchers at different stages of maturation. Senior scholars shared space with a new generation of researchers, many of whom were still institutionally connected to their home universities.

Something that caught my attention at the time, and still seems worth mentioning, was that CCB appeared to function as a kind of “second home” for researchers who felt isolated in traditional departments that recognized marketing, but not yet the field of culture and consumption. In other words, CCB seemed to operate as an institutional, intellectual, and even affective support network.

Our Publications: What We Say, Whom We Cite, and the Political Act of Writing

The analysis of our publications revealed an interesting detail. Between 2017 and 2018, we counted 90 papers presented at academic conferences, 40% of which were co-authored. At first glance, this suggested that we were indeed working collectively within CCB. Broadly speaking, our studies addressed both specific and broader themes related to gender, food, low-income consumption, fashion, markets, social media, meanings, and consumption practices, among others.

However, the deeper reflection emerged from examining 2,926 citations made across 60 journal articles published by CCB members. When I investigated whether members of the community were recognizing and citing one another, I entered somewhat delicate territory, especially when comparing citations of CCB members’ publications (4.3% of the total) with self-citations (2.0%). In other words, nearly half of the citations to CCB work were, strictly speaking, self-citations.

At that moment, I defended the idea that citing a colleague from the community is not merely a technical formality in academic writing, but a political act of strengthening. A community that does not recognize its peers remains invisible and risks being merely a cluster of individuals rather than a theoretical field. In my view, building a solid theoretical body of work from the Brazilian context goes beyond self-reference. It creates the conditions to engage in dialogue with international scholars and to promote the internationalization of academic production emerging from CCB.

The Nature of Our Community: Why Are We Here, After All?

This was the central point of the talk and what I consider the thesis of our existence, as well as what brought us to the 2024 meeting at PUC-Rio. I argued that CCB was not born merely out of academic interaction, bibliographic exchange, or shared experiences, but rather from four fundamental pillars:

Legitimization: the search to validate Consumer Culture Studies as a serious and necessary field within Brazilian academia, an autonomous and rigorous area that moves beyond the simplistic view that we are merely an “appendix” of Marketing;

Respect: the achievement of a space where our perspective is heard and respected among traditional disciplines and within institutional environments, including our own universities;

Power: the understanding that academia is also a field of disputes, and that having an organized community allows us to generate influence in academic and institutional arenas, so that once organized, we become a voice that cannot be ignored;

Occupation of Space: the active participation in discussions, organizations, institutional structures, funding calls, councils, committees, associations, classrooms, and public debates as both a synthesis and the very justification for CCB’s existence.

Looking Ahead

Since its foundation in 2016 at Unigranrio, through COPPEAD in 2017, PUC-Rio in 2018, the virtual meetings during the pandemic, and finally our most recent in-person encounter, I believe that Cultura e Consumo Brasil has remained committed to its purpose despite the adversities and uncertainties of the Brazilian academic environment. Strictly speaking, I believe its essence remains the same: we are researchers, professors, and students who understand that consumption is a complex and important phenomenon, one that is worth studying.

That 2019 talk was an invitation to self-recognition. Today, I see that we have moved forward. We no longer need to prove that we exist. Gradually, I believe we are consolidating the territory we occupy. Our challenge now is to continuously revisit the nature of our community, while expanding and deepening the knowledge we produce.

Related References

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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Fevereiro de BBB, futebol e carnaval: o zeitgeist brasileiro do consumo de celebridades


BBB, Futebol e Carnaval: consumindo celebridades

Do sofá à arquibancada e à avenida, fevereiro parece reunir uma situação ímpar de exposição midiática e atenção do público por meio da tríade Big Brother Brasil (BBB), futebol e carnaval. É como se houvesse uma convergência perfeita para a definição de ídolos e vilões, processo típico da construção, do culto e do consumo da celebridade moderna.

A espetacularização privada e a céu aberto, transmitida pela TV e pelo streaming, envolve a performance de intimidades e relações, o herói de chuteiras portador de esperanças, bem como a estética de corpos que buscam a realeza sob os holofotes da passarela. É um verdadeiro “triângulo das bermudas midiático”: um espaço de atração irresistível onde o consumo em cada tela ou vitrine implica em identidade, pertencimento ou projeção.

Mais que isso, há uma dinâmica em que se cria um mercado com produtos e serviços, em que praticamente tudo vira um evento midiático pronto para espetacularização, consumo e culto às celebridades: o participante, o apresentador, o diretor e o digital influencer do BBB; o atleta, o técnico e o presidente do clube de futebol; o narrador, o comentarista, o repórter de campo da emissora de TV ou da plataforma de streaming que transmite a partida de futebol; a musa, a rainha da bateria, a porta bandeira, o passista, o puxador de samba e o presidente da escola de samba.

O volume de recursos envolvidos na estruturação e organização de cada vértice desse triângulo é considerável e inclui inúmeros agentes de mercado. Segundo o BPMoney, a Rede Globo deve faturar R$ 1,5 bilhão com o BBB neste ano. No futebol, a força econômica da Série A do Campeonato Brasileiro já movimenta receitas superiores a R$ 10 bilhões, conforme a Galapagos Capital. Já o carnaval deve atingir uma movimentação recorde de R$ 14,48 bilhões agora em 2026, segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) publicadas no ICL Notícias.

A confluência neste mês entre BBB, a efervescência dos campeonatos estaduais e o andamento das primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro da Série A, somada à realização do carnaval, revela como a dinâmica de consumo e o culto às celebridades moldam, simultaneamente, a vida social e a economia nacional. Além disso, sugere o zeitgeist brasileiro para o mês de fevereiro.

Referências Conexas

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Scharf, E. R., Vieira, F. G. D., Perassi, R., & Russi, E. (2017). Corporate brand building from the corporate stories perspective: A Brazilian football teams study. Cadernos EBAPE.BR, 15(1), 101–114. https://doi.org/10.1590/1679-395131375

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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Digite paciência

 

Digite Paciência

Discar 0800 é como discar "paciência"!

Você já teve a sensação de que sua paciência foi quase levada ao limite em uma ligação telefônica para um banco ou para uma operadora de telecomunicações? Se a sua resposta foi sim, fique chateado, mas não se sinta mal. Você é apenas mais um entre tantos outros que sistematicamente têm sofrido com o descaso de empresas que criaram um serviço de atendimento ao consumidor (SAC) ou uma central de relacionamento.

O que deveria ser sinônimo de bom atendimento ou construção de relacionamento, quase que se transformou em uma tortura psicológica, com minutos e mais minutos de espera. Os sistemas informatizados vão guiando os usuários por meio de gravações que apresentam opções como se fossem um menu de um restaurante: “digite 4 se você quer continuar”; “digite 5 se você quer voltar”; “digite 6 se você que ser atendido por um de nossos atendentes” ... digitar tantos números para ter um problema resolvido ou para obter uma informação, é um verdadeiro incômodo.

Centrais de relacionamento foram criadas para proporcionar uma melhor experiência de interação com os clientes de uma empresa, como o próprio nome já sugere tal objetivo. Ocorre que do jeito em que funcionam hoje em dia, elas só têm prejudicado a imagem das empresas. Há uma visão comum, corrente no mercado, que esses sistemas não funcionam adequadamente e de forma respeitosa para com os consumidores. Há muitos abusos, como, por exemplo, os que têm sido cometidos por instituições financeiras e por operadoras de telecomunicação. Se você tiver alguma dúvida do que está lendo aqui, experimente telefonar para uma delas!

Além da possibilidade de um contato maior e mais rápido com os consumidores, as centrais de relacionamento representaram, a princípio, uma significativa redução de custos para as empresas. A implantação das mesmas envolveu a redução no número de funcionários e o subsequente corte na folha de pagamento das empresas que as implantaram. Simplesmente reproduziu-se a ideia de que maior volume de tecnologia implica em mais eficiência e menos custos. Será mesmo?

No caso dos diversos sistemas de atendimento automatizado, a promessa de eficiência raramente se traduz em facilidade para o usuário. Imagine o desafio imposto a indivíduos com baixo letramento digital ou limitações sensoriais e cognitivas. Para esse grupo, que inclui desde idosos com dificuldades de memorização até pessoas que não dominam a linguagem técnica dos menus, o “0800” torna-se um obstáculo não tão simples de ser superado. Instituições financeiras e operadoras de telecomunicações exigem, logo de início, que se digitem agências, contas, CPFs e senhas complexas, antes mesmo de apresentarem o menu principal. O que deveria ser um suporte transforma-se em um labirinto de comandos, exigindo uma agilidade motora e um esforço mental que ignoram as limitações e o ritmo de cada um. É um martírio manter a concentração e a lucidez diante de gravações repetitivas que até parecem projetadas para vencer o consumidor pelo cansaço.

O marketing de relacionamento foi desenvolvido no final do século passado tendo em vista a importante constatação de que é mais caro conquistar um novo cliente do que manter um cliente já existente. Pessoas satisfeitas e bem atendidas tendem a valorizar as organizações, bem como permanecerem fiéis às mesmas. Centrais de atendimento, por meio de telefonia, constituem-se em importante ferramenta de marketing para esse processo. Devem ser usadas adequadamente para evitar que a estratégia acabe gerando o efeito oposto ao pretendido: o afastamento do consumidor. Não faz sentido, portanto, fechar os olhos e achar que é normal as pessoas ficarem minutos e minutos ao telefone para serem atendidas. Nesse caso, ao invés de digitarem “0800”, seria melhor digitarem “paciência”!

Obs.: o texto deste post foi originalmente publicado no livro Marketing: Casos do Cotidiano

Referências Conexas

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Matos, C. A. de, & Rohden, S. F. (2016). Comportamento de reclamação de clientes de serviços bancários e de telefonia móvel. RIMAR - Revista Interdisciplinar de Marketing, 6(1), 11-25. https://doi.org/10.4025/rimar.v6i1.27500

Nogami, V. K. da C., Filardi, F., Fonseca, E. A., & Barboza, R. A. (2023). 25 anos de pesquisa na base da pirâmide: um estudo bibliométrico. ReMark - Revista Brasileira de Marketing, 22(2), 783–834. https://doi.org/10.5585/remark.v22i2.22100

domingo, 25 de janeiro de 2026

Teaching marketing in emerging countries: reflections from a Brazilian undergraduate classroom


Departamento de Administração, UEM

Department of Business Administration, State University of Maringá, Brazil

Emerging markets seemed, for a long time, to have been only marginally considered by marketing academics. More recently, however, they were finally “discovered”, as evidenced by several calls for papers and special issues devoted to these markets. Nevertheless, research on emerging markets was often approached through a neocolonial lens. A similar situation could be observed in marketing education and, consequently, in the teaching of marketing itself.

This scenario posed a considerable challenge for marketing professors working in emerging countries, particularly in undergraduate programs, where students usually demanded practical and applied content. Within this context, I repeatedly faced a set of unavoidable questions: how could I teach marketing to undergraduate students in an emerging country without reinforcing a colonial view of the realities in which they lived? How could I incorporate students’ everyday experiences, as well as their involvement with small and medium-sized enterprises, into the learning process, given that many of them were involved in these businesses as employees or family members? And how could marketing education respond to public policies aimed at fostering entrepreneurship in local communities, a key issue in many emerging economies?

Although there were several possible answers to these questions, one of the paths I pursued was the use of product development as a pedagogical approach in undergraduate marketing courses. This was an experience that I developed over several years, beginning in 1992, at the Universidade Estadual de Maringá, in the state of Paraná, Brazil.

At the beginning of the marketing course, I invited students to form teams of three or four members. Each team was challenged to develop a product that was not yet available in the market. The product did not need to be entirely new or radically innovative; it could be a modified, adjusted, or adapted version of an existing offering. What mattered most was that it remained closely connected to the reality of the local market. Although local markets were already deeply intertwined with global dynamics, I encouraged students to begin by observing local needs and engaging with local culture.

Throughout the course, each programmatic unit was directly connected to the product under development. In this way, I provided a structured roadmap that guided students step by step. This roadmap included, in summary: (i) initial product identification; (ii) analysis of the market environment; (iii) understanding of the consumer market; and (iv) the marketing mix, encompassing detailed actions and strategies related to product, distribution and logistics, communication and promotion, costs and pricing, which together amounted to approximately 30 sub-items. At the end of the course, students produced a written report on the developed product, presented a prototype, and delivered a public presentation to me and to their classmates.

This teaching experience generated several positive outcomes, including initial processes of brand and patent registration undertaken by some students. Perhaps its most important contribution was the opportunity it offered students to think autonomously, starting from their own realities and progressively discovering market agents and relationships. The high level of student engagement throughout the project was also noteworthy. On the other hand, one of the main limitations of the experience was the difficulty of synchronizing the content of the marketing course with other disciplines offered concurrently in the curriculum.

The experience reported here sought to address a longstanding issue in marketing education. At the same time, it acknowledged that education is, above all, a dynamic process that is neither static nor governed by uniform standards. Rather than proposing a definitive model, I simply aimed to share an alternative way of teaching marketing in emerging countries, offering one possible path beyond dominant approaches to marketing education.

Related References

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Vieira, F. G. D. (1994). Em direção à qualidade na formação de administradores: Criando e desenvolvendo produtos na disciplina de marketing. Em Anais do XVIII Encontro Nacional da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração (EnANPAD): Vol. 6. Área de Formação e Treinamento de Administradores (pp. 115-126). Curitiba, PR: ANPAD. 

domingo, 18 de janeiro de 2026

A Empregada e o livro como produto para consumo

 

Livros de Freida McFadden à venda em uma livraria

Eu já ouvira falar sobre o livro A Empregada, escrito por Freida McFadden. Todavia, fiquei bastante surpreso quando, ao visitar uma livraria, deparei-me com uma gôndola inteira de livros dedicada à exposição de diversos títulos da mesma autora. Isso me levou a refletir que mesmo a despeito de algum estranhamento ou resistência em admitir, o livro também é um produto para consumo.

E se livro é um produto para consumo, ele pode ser planejado, escrito, publicado e promovido no mercado como qualquer outro produto. Sim, eu sei que isso pode parecer estranho em um primeiro momento, sobretudo dada a natureza mágica que muitos de nós atribuímos aos livros, mas essa é a realidade mercadológica.

Diferentes produtos possuem diferentes protocolos para o seu desenvolvimento e lançamento e, apesar de muitos esforços e cuidados, nada garante que sejam bem-sucedidos no mercado. Mas e o livro? O que faz um livro que não é técnico ou científico, porém sim um livro da literatura de entretenimento, tornar-se um produto extremamente bem-sucedido no mercado, um típico best-seller?

Já diziam que não tem resposta fácil para pergunta complexa, não é mesmo? Se houvesse uma receita pronta para um livro da literatura de entretenimento se tornar um absoluto sucesso de vendas, suponho que inúmeros autores iriam experimentar essa receita. De qualquer modo, alguns dos aspectos necessários para alavancar vendas são conhecidos pelas editoras e, naturalmente, pelos próprios autores. Tal conhecimento, entretanto, não é uma garantia que acontecerá aquilo que se deseja.

Livros de suspense e que são thriller psicológicos, como no caso do livro A Empregada, costumam possuir narrativas frenéticas, e uma espécie de plot twist a cada meia dúzia de páginas. É como se houvesse uma constante tentativa de não deixar nada se acomodar, de trazer sempre algo diferente e que tende a mudar tudo, ou quase tudo, até então lido. E isso parece funcionar bem na literatura de entretenimento.

A leitura de entretenimento é a leitura que cola, que gruda, que não se quer deixar de lado. Parece que o mais importante não é necessariamente o que está sendo dito, mas como se diz aquilo que está sendo dito. É como se tivesse uma surpresa sempre à espreita. E, sinceramente, isso facilita por demais a leitura, no caso, o consumo de um livro.

A propósito de tal estrutura narrativa, a autora de A Empregada, Freida McFadden, é uma verdadeira expert. Segundo o New YorkTimes, ela é a autora de suspense mais vendida nos Estados Unidos. Ela publicou o primeiro livro (The Devil Wears Scrubs) em 2013 e a partir dessa primeira obra lançou mais 30 títulos. Há anos, como 2022 e 2024, por exemplo, em que ela lançou cinco novos títulos. Não! Você não leu errado. Isso mesmo: cinco títulos. Cada um em um intervalo de menos de três meses.

Os dados de vendas disponíveis são difusos, porém de acordo com a Livraria da Vila, o título A Empregada vendeu mais de três milhões de exemplares no mundo todo, e foi o primeiro de uma série composta por mais três títulos: O Segredo da Empregada, A Empregada Está de Olho, e O Casamento da Empregada. Os quatro títulos foram lançados no Brasil pela Editora Arqueiro (veja foto acima, no início deste post).

De tanto sucesso que fez, o livro A Empregada terminou sendo adaptado para o cinema no ano passado. O filme tem o mesmo título do livro e foi dirigido por Paul Feig, com a participação de Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandons Skelnar, Indiana Elle, e Michele Morrone como atores principais. Como era de se esperar, o lançamento e a exibição do filme fez com que o livro vendesse e fosse consumido ainda mais.

Colocando-se à parte, entretanto, o fato de A Empregada ter seguido uma espécie de protocolo para o sucesso editorial, aparentemente foi o BookTok que promoveu uma rápida expansão no número de seus leitores. Esse destaque é feito por Alessandra Monaco em coluna publicada na Revista Exame, onde aborda o papel exercido por usuários da plataforma TikTok que compartilharam suas experiências de leitura e impulsionaram o consumo do livro. Esse fato revela a existência de mais um agente de mercado influente no contexto de indicações de livros, que vai além da indicação de livros usualmente feita por familiares, professores ou críticos literários.

E aqui vale ressaltar algo que me parece relevante: se existem muitas críticas às redes sociais pelo que produzem em termos de comportamento nas pessoas, algum reconhecimento deveria existir pelo que trazem em termos de possibilidades de leitura. É cada vez mais comum observar diferentes fotos de livros sendo postadas nas redes sociais. Usuários das redes se orgulham em publicar fotos daquilo que estão lendo. Na pior das hipóteses, os agentes do mercado editorial deveriam agradecer. E aí estão incluídas as livrarias. Afinal, a prática da leitura é sempre uma boa coisa, e não importa se é leitura de gibi, previsão do tempo, jornal online ou livro. O importante é ler!

Bom, até hoje estou ruminando a visão que tive da gôndola na livraria e todo esse fenômeno em torno do livro A Empregada. Sei que, de um modo geral, livro é algo sacralizado, muitas vezes um objeto de distinção, algo que possui uma aura de nobreza e que é cercado de valor simbólico e estético. Não obstante, o livro é, a rigor, um produto para consumo.

A esse propósito, estudos sobre cultura de consumo têm se dedicado a diferentes fenômenos, mas não me recordo de nenhum que tenha sido voltado para a literatura ou para o consumo de literatura. Talvez seja uma boa oportunidade de estudo. Um tema relevante a ser investigado, especialmente no que se refere às obras que não só foram sucesso editorial, mas que também foram sucessos cinematográficos.

Referências Conexas

Adorno, T. W. (2002). Indústria cultural e sociedade. São Paulo: Paz e Terra.

Almeida, M. I. S., Costa, M., Coelho, R. L. F., & Scalco, P. R. (2016). “Engaja-me e atraia-me, então eu compartilharei”: uma análise do impacto da categoria da postagem no marketing viral em uma rede social. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, 18(62), 545-569. https://doi.org/10.7819/rbgn.v18i62.2620

Mardon, R., Cocker, H., & Daunt, K. (2023). How social media influencers impact consumer collectives: an embeddedness perspective. Journal of Consumer Research, 50(3) 617-644. https://doi.org/10.1093/jcr/ucad003

McFadden, F. (2023). A empregada: bem-vinda à família. São Paulo: Editora Arqueiro.

Nascimento, T. C. (2023). Como se formam comunidade de consumo no TikTok. GV-executivo, 22(2), 18-24. https://doi.org/10.12660/gvexec.v22n2.2023.89268

Pires, V. C. (2003). A evolução da comunicação boca-a-boca. RIMAR – Revista Interdisciplinar de Marketing, 2(1), 35-47. https://doi.org/10.4025/rimar.v2i1.26496

Silvestre, M. G., & Vieira, F. G. D. (2013). Ciclo de vida de produtos, empreendedorismo, tecnologia e globalização: um olhar através da Caverna de Saramago. Acta Scientiarum. Human and Social Sciences, 35(1), 1-11. https://doi.org/10.4025/actascihumansoc.v35i1.20078

Tanwar, A. S., Chaudhry, H., & Srivastava, M. K. (2024). Social media influencers: literature review, trends and research agenda. Journal of Advances in Management Research, 21(2), 173-202. https://doi.org/10.1108/JAMR-10-2022-0218

domingo, 11 de janeiro de 2026

Blogger x Substack: qual é o melhor?

 

Blogger x Substack

Percebi algumas pessoas usando o Substack recentemente e fiquei a pensar sobre o meu blog, sua trajetória, e se seria pertinente migrar para a nova plataforma. Será que o Blogger já não serve mais? Será que estamos mesmo diante de uma plataforma inovadora? Ou será que a escolha entre uma e outra é apenas uma questão de funcionalidade e contexto?

Sei que a internet vive de ciclos de hype. Quase sempre, é como se as pessoas perguntassem: qual é a boa do momento? Quem tem interesse em escrever ou produzir algum conteúdo para disponibilizar digitalmente pode considerar que o Substack é a melhor coisa do momento.

Quando comecei a publicar comentários e observações sobre cultura de consumo, marketing e construção de mercados, o Blogger parecia ser a plataforma mais adequada para escolha, pois era gratuito, fácil de usar e atendia ao que eu estava pensando à época. 

O principal desafio de manter um blog é a regularidade. Além desse desafio, há os desafios de lidar com as novidades da internet. E o Substack, claro, é uma delas! A propósito de regularidade, lembro-me que quando comecei, um aluno que já tinha passado por essa experiência me fez um alerta curioso: "manter um blog é como ter uma chácara". Perguntei o que ele queria dizer com aquilo e ele respondeu o seguinte: "você tem duas grandes alegrias, uma quando compra e outra quando vende!" Bem, não comprei ou vendi chácara, e mesmo sem a regularidade desejada, o blog está por aqui. Mas isso não é tudo.

A questão é que o Substack é o assunto do momento na escrita digital, especialmente para quem acompanha redes sociais como o Instagram e observa pessoas conhecidas criando uma conta e postando por lá. Em um primeiro momento parece ser uma vantagem importante, pois é um tipo híbrido de espaço digital: algo como um blog clássico, uma rede social e também newsletter. Essa característica híbrida lembra bem aquilo que Firat e Venkatesh anteciparam décadas atrás, ou seja, o quanto as coisas na modernidade possuem um caráter híbrido.

O que eu e você sabemos é que há de tudo na internet. Há gente que gosta de ver imagens, assistir a vídeos, ouvir músicas, e também ler textos, ou todas essas coisas, juntas ou separadas. E, aparentemente, algumas pessoas se cansaram de ter suas opções definidas pelos algoritmos que atuam fortemente em redes sociais como o Facebook e o Instagram, por exemplo, e decidem tudo ou quase tudo o que as pessoas acessam. É bem possível que o Substack tenha desfrutado dessa oportunidade, proporcionando àqueles que lá publicam criarem uma comunidade ou viabilizarem newsletter.

A esse respeito, um post no Blogger parece aquele sujeito perdido em meio à multidão, esperando ser encontrado por alguém, enquanto um post no Substack é aquele sujeito que tem alguns conhecidos que têm o hábito de aparecer para dar um oi e bater um papo. De qualquer maneira, ainda que leitores do Substack recebam uma mensagem, elegantemente chamada de newsletter, comunicando sobre novos posts, ambos precisam de divulgação para obterem leitores e garantir audiência. 

Alguns pontos que pesam contra, ou não tão a favor assim do Substack, envolvem o fato de que é preciso ter o e-mail das pessoas, e muita gente já está com a caixa postal cheia de mensagens para receber mais uma enviada pelo Substack. Por outro lado, o conteúdo do Substack também precisa de divulgação, precisa ser comunicado por aí, seja no Instagram, no LinkedIn, no Facebook ou em outro espaço digital qualquer.

Bom, fiquei matutando sobre essas coisas no dia de ontem, que foi o aniversário de criação do Cultura e Consumo e, por fim, decidi ficar no Blogger e não ir para o Substack. Considerando o hype em torno do Substack, ficar no Blogger parece até uma ação de resistência digital (risos). De qualquer maneira, depois de 16 anos o blog já pode até ter RG e CPF. Acho que ele vai continuar por mais um tempo!

Referências Conexas

Balabanis, G., & Chatzopoulou, E. (2019). Under the influence of a blogger: the role of information-seeking goals and issue involvement. Psychology & Marketing, 36(4), 342-353.

Firat, A. F., & Venkatesh, A. (1995). Liberatory postmodernism and the reenchantment of consumption. Journal of Consumer Research, 22(3), 239-267.

Fontenelle, I. A. (2017). Cultura do consumo: fundamentos e formas contemporâneas. Rio de Janeiro: Editora FGV.

Meneses, M. Y. A., & Gómez-Escalonilla, G. (2025). Substack, the nem “home” for cultural journalism. Journalism and Media, 6(3), 128.

Newtiz, A. (2021). Where Substack went wrong. NewScientist, 250(3330), 22.

Pinto, M. de R., & Joaquim, A. de M. (Eds.). (2020). Cultura e consumo no Brasil: avançando em novas articulações. Belo Horizonte: Editora PUC Minas.

Quintão, R., & Pereira, S. (2017). Fórum estudos brasileiros no campo da pesquisa da Teoria da Cultura de Consumo. RIMAR - Revista Interdisciplinar de Marketing, 7(2), 191-193.

Senra, K. B., & Vieira, F. G. D. (2023). Desenvolvimento e teorização da cultura de consumo: origem e consolidação de uma perspectiva interpretativa e multidisciplinar. Caderno de Administração, 31(1), 91-109. 

quarta-feira, 23 de abril de 2025

XII Encontro Nacional de Estudos do Consumo

 


O XII Encontro Nacional de Estudos do Consumo será realizado na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), na cidade do Recife. O evento ocorrerá de 6 a 8 de outubro deste ano.

Maiores informações podem ser obtidas diretamente no website do ENEC. Para isso, clique aqui.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Organizações concorrentes em um mesmo totem digital

 


 

Imagine quatro organizações concorrentes anunciando serviços idênticos ou semelhantes em um mesmo canal de comunicação, no mesmo lugar, na mesma hora, para um mesmo público.  

Essa foi exatamente a situação com a qual me deparei em um totem digital ao circular pelos corredores de um shopping center em uma cidade da região sul do Brasil. 

Será que essas organizações ao pagarem pelo anúncio sabiam que existiriam organizações concorrentes anunciando no mesmo lugar e horário? 

O que você acha disso? Você considera essa situação eficiente, produtiva, estratégica, confusa,  equivocada, ou prefere escolher algum outro adjetivo para explicar a situação?

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

VI Encontro Cultura e Consumo Brasil


O VI Encontro Cultura e Consumo Brasil será realizado na cidade do Rio de Janeiro, no IAG Escola de Negócios da PUC-Rio, de 07 a 08 de novembro de 2024. 

O evento retoma o formato presencial após duas edições ocorridas de forma online e haverá painéis, palestras, e um conjunto de atividades, tanto para alunos com teses e dissertações em desenvolvimento, quanto para docentes que ensinam e pesquisam no campo de estudos de consumo.

Para saber mais sobre o evento, incluindo realização de inscrição, clique aqui.

domingo, 21 de abril de 2024

Textinho, textão e imagens nas redes sociais


Precisamos pedir desculpas por escrever "textão"? 

Outro dia alguém estava falando comigo sobre o tamanho dos textos nos posts que são feitos nas redes sociais. Após a conversa fiquei pensando com meus botões que essa discussão sobre textinho e textão é muito chata. Alguém vai escrever (postar) algo e aí avisa ... lá vai textão. Putz! Agora tem que se desculpar por escrever textos supostamente longos. 

Ouvi dizer ou li em algum lugar que textos com um menor número de caracteres - portanto, curtos - são mais lidos do que os textos mais longos. Dizem até que é por essa razão que o X (antigo Twitter) fez e ainda faz tanto sucesso. Será que é por isso mesmo? Talvez essa seja apenas uma das razões! 

Quando o Facebook começou a perder engajamento e muita gente migrou para o Instagram, uma das explicações que escutei foi a de que os posts no Facebook estavam perdendo a centralidade nas fotos e passando a incorporar textos cada vez mais longos. O argumento de que o Instagram fez sucesso por causa da maneira como deu primazia à imagem, também não parece ser suficiente, pois o sucesso do Facebook foi alicerçado na disponibilização de imagens. Por outro lado, se em um primeiro momento o Instagram exerceu fascínio em função de imagens e maior dinâmica, também se presta à publicação de posts com textos, e não necessariamente curtos, ainda que limitados pela plataforma.

Ah ... as coisas mudam rapidamente, o universo da tecnologia é muito rápido, ninguém tem tempo para ficar lendo nada, e é melhor postar só uma imagem. Afinal, todos nós gostamos de imagens. Okay! A questão é que são tantas imagens, e em um ritmo tão frenético, que não necessariamente há uma conexão implícita ou explícita entre elas - o fluxo caótico que muitas vezes se observa em stories no Instagram é uma evidência a esse respeito. Esta condição não impede, mas muitas vezes dificulta a construção de uma narrativa. E sem narrativa se estabelece um paradoxo, aproximando-se da negação da constituição de uma memória. 

Aparentemente, o que ocorre é que, além de vivermos em uma sociedade do espetáculo, que reconhecidamente valoriza a imagem, os textos mais longos são preteridos nas redes sociais devido aos propósitos para os quais essas redes foram concebidas.

Referências Conexas

Avivi, M., & Megawati, F. (2020). Instagram post: writing caption through process approach in developing writing skill. EduLite - Journal of English Education, Literature, and Culture, 5(2), 240-250.

Brown, S. (2005). Writing marketing: literary lessons from academic authorities. London: Sage. 

Grosseck, G., Bran, R., & Tiru, L. (2011). Dear teacher, what should I write on my wall? A case study on academic uses of Facebook. Procedia - Social and Behavioral Sciences, 15, 1425-1430.

Klostermann, J., Plumeyer, A., Böger, A., & Decker, R. (2018). Extracting brand information from social networks: integrating image, text, and social tagging data. International Journal of Research in Marketing35(4), 538-556.

terça-feira, 16 de abril de 2024

Sabonete para peles tatuadas

 

Tempos atrás eu estava fazendo compras em um supermercado e percebi que a Colgate-Palmolive, por meio de sua marca Protex, lançou um sabonete específico para pele tatuada: Protex Pro Tattoo. Eu nunca havia visto ou ouvido falar em algo parecido antes. A Colgate-Palmolive está simplesmente aumentando a profundidade de sua linha de sabonetes ou está construindo um novo mercado de produtos para pessoas com pele tatuada? 

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Bombou no Tik Tok


Já há algum tempo que a comunicação de marketing foi substancialmente modificada em função do advento da internet. Entretanto, o que se viu tempos atrás em nada se assemelha com o efeito de persuasão gerado a partir das redes sociais e interações que nelas ocorrem.

A LÓccitanne au Brésil traz esse efeito para o ambiente interno de suas lojas por meio de um simples cartaz, onde se observa o uso de uma técnica de comunicação clássica para a divulgação de uma informação: "esse produto bombou no Tik Tok". O encontro entre o espaço virtual e o material expressa de forma curiosa e instigante uma ação de comunicação integrada de marketing entre mídias on e offline.           

Obs.: a foto acima é da loja da L'Occitane au Brésil no Américas Shopping, Av. das Américas, 15.500, Recreio do Bandeirantes, Rio de Janeiro, Brasil, e foi feita por João Felipe Sauerbronn, professor da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da FGV.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Construção e Dinâmicas de Mercado - EnANPAD 2024


O EnANPAD 2024 será realizado na Universidade Federal de Santa Catarina, na cidade de Florianópolis, entre 16 e 18 de setembro. Construção e Dinâmicas de Mercado está entre os temas da Divisão de Marketing pelo sexto ano consecutivo. Trata-se de excelente oportunidade para a interação e debate acadêmico. O link para as submissões de trabalhos já está disponível e pode ser acessado aqui.

sexta-feira, 29 de março de 2024

The future of consumption

 


A ACR - Association for Consumer Research informou no dia de hoje que o livro "The Future of Consumption: How Technology, Sustainability and Wellbeing will Transform Retail and Customer Experience", editado por Kristina Bäckström, Carys Egan-Wyer e Emma Samsioe, e publicado neste ano pela editora Palgrave Macmillan, pode ser acessado e ter o seu download realizado gratuitamente. Trata-se de uma boa oportunidade de leitura para acadêmicos e praticantes interessados sobre o tema. 

Para acessar e baixar o arquivo no formato PDF, clique aqui.

domingo, 24 de março de 2024

Sobre biologia e teoria da cultura de consumo (CCT): Acadêmicos precisam de um amor para chamar de seu!

 

O universo da CCT e seus horizontes

A ideia que ignorar a biologia é um reducionismo pode ser considerada pertinente ou válida dentro da construção de certa narrativa para legitimar CCT e expandir seus horizontes e possibilidades. No limite, pode ser considerado algo semelhante ao que aconteceu com o próprio campo de comportamento do consumidor, quando buscou se aproximar da psicologia experimental para se legitimar como ciência. 

A biologia está em um campo epistêmico tradicional, digamos assim, onde a ideia de cientificidade não é questionada como no campo das ciências sociais, onde existe uma profusão quase que infindável de conceitos, os quais surgem a cada tempo, cada novo movimento, como resposta à dinâmica, às transformações e contradições da vida em sociedade. A biologia faz parte das hard sciences. Biologia, química e física explicam a vida!

Ao se aproximar da biologia e denunciar um eventual reducionismo em relação à mesma, pesquisadores de CCT tentam ampliar espaços de investigação empírica, assim como ampliar possibilidades de novas teorizações. Se essa aproximação ocorrer em função do corpo, das condições objetivas do corpo enquanto expressão biológica e material da vida, pode fazer sentido. Na medida, porém, em que a CCT coloque a biologia no centro ou se aproxime da biologia com o argumento de que há uma questão de ambiente da vida, e de modulação da ação humana em práticas de consumo em relação a questões de ordem biológica, ela corre o risco de assumir uma perspectiva ecocêntrica. Tal perspectiva pode implicar em uma espécie de abandono das contradições, vulnerabilidades, subjetividades, e limites da vida em sociedade para explicar práticas e dinâmicas de consumo.

É de se imaginar que uma aproximação entre CCT e biologia seja engendrada por meio de dados e informações mensuráveis, objetivamente verificáveis, etc. Nesse caso, a importância da interpretação do pesquisador sobre o seu próprio trabalho será reduzida. Possivelmente, haverá recursos disponíveis  para esse tipo de pesquisa, inclusive envolvendo intercâmbio com pesquisadores do campo da fisiologia, da genética, da medicina, etc. Isso poderá amplificar a ação de legitimar a CCT, e pesquisadores poderão resolver pegar carona em eventual nova trend. É até provável que seja menos árduo produzir novos papers.

A CCT surgiu com o propósito de estudar consumo em uma perspectiva interdisciplinar, multiparadigmática, etc. Certamente, as dinâmicas sociais e culturais foram consideradas importantes e capazes de explicar a construção das práticas de consumo. É pouco provável imaginar a Odisseia de Russell Belk e companhia limitada, pensando em biologia. Mas, enfim, novas possibilidades aparecem. E como costumo dizer: acadêmicos precisam de um amor para chamar de seu! Talvez a intersecção entre CCT e biologia seja o amor da vez.

Referências Conexas

Belk, R. (2014). The labors of the Odysseans and the legacy of the Odissey. Journal of Historical Research in Marketing, 6(3), 379-404.

Cronin, J., & Fitchett, J. (2022). Consumer culture theory and its contented discontent: an interview with Søren Askegaard. Journal of Marketing Management, 38(1-2), 127-144.

Levy, S. J. (2015). Roots and development of consumer culture theory. In Consumer Culture Theory. Research in Consumer Behavior, Vol. 17 (pp. 47-60). Leeds: Emerald.

Quintão, R., & Pereira, S. (2017). Fórum estudos brasileiros no campo da pesquisa da Teoria da Cultura de Consumo. RIMAR - Revista Interdisciplinar de Marketing, 7(2), 191-193.

Shaw, E. H., & Jones, D. G. B. (2005). A history of schools of marketing thought. Marketing Theory, 5(3), 239-281.

quinta-feira, 21 de março de 2024

Me, myself, and I



Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Mais do que promover um possível momento de prazer pessoal por meio do consumo de chás da Moncloa, a imagem acima parece expressar os sujeitos na sociedade contemporânea.

Esse post compõe uma série chamada “Cenas do Mercado”. Trata-se de observações oriundas de visitas a espaços de vendas de produtos ou serviços.

terça-feira, 19 de março de 2024

A caixa de bombons da Lacta e suas mensagens

 

Bombons Lacta com embalagens reduzidas em supermercado
Bombons Lacta em supermercado

Tempo de Páscoa para os cristãos. Tempo de páscoa para os chocólatras. Bombons, barras, tabletes, ovos, coelhos ... ao leite, branco, ruby, amargo, meio amargo, nem tanto ... 

A novidade que vi neste ano foi a iniciativa da Lacta em imprimir palavras que funcionam como mensagens em suas caixas de bombons sortidos: Obrigado, Com Amor, Te Adoro, Felicidades. Além dos chocolates, a embalagem tem uma mensagem. Parece uma solução adequada para quem quer presentear e ao mesmo tempo dizer algo. É uma espécie de 2 em 1: simples e eficiente. 

Acredito que pouca gente vai se incomodar com a informação de que os bombons possuem alta quantidade de açúcar adicionado e de gordura saturada. E, mais ainda, sou capaz de arriscar dizer que quase ninguém vai reparar que a caixa foi reduzida de tamanho e o peso líquido é de 250,6g. 

É curioso pensar que um dia essa caixa foi vermelha, era identificada por conter bombons finos, e pesava 500g. Coisas do mercado!

Esse post compõe uma série chamada “Experiências de Consumo”. Trata-se de observações oriundas de compra ou consumo de produtos ou serviços.