domingo, 20 de novembro de 2011

Consumindo a ansiedade ...

O técnico de futebol não dura muito tempo no cargo. O motorista e o motoqueiro não esperam o sinal abrir, já aceleram antes. A televisão não permanece no mesmo canal. O MSN e o Facebook não são usados para falar com uma única pessoa, mas sim com várias, simultaneamente. O telefone celular é olhado constantemente. O ouvinte não espera o interlocutor terminar de falar para expressar o que pensa. A comida mal foi servida, as pessoas ainda nem se sentaram à mesa, mas alguém já está beliscando. A aula ainda não terminou, mas o aluno já está saindo. O cinema mal começou a exibir os créditos do filme e todos já se levantaram. O avião acabou de parar, após a aterrizagem, a porta ainda vai demorar para ser aberta, mas já começam a se levantar para pegar os pertences ... a ansiedade está em tudo e em todos!

Referências Conexas

BROWN, Stephen. Marketing pós-moderno: vale tudo! In: BAKER, M. J. (Org.) Administração de Marketing. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. pp. 13-23.

De MASI, Domenico. O ócio criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.

FIRAT, Fuat A; SHERRY, Jr. John F.; VENKATESH, Alladi. Postmodernism, marketing and the consumer. International Journal of Research in Marketing, v 11, n. 4, p. 311-316, 1994.

sábado, 19 de novembro de 2011

Brasileiro gosta de produtos de beleza e higiene pessoal

O consumo de cosméticos, produtos de limpeza e higiene pessoal tem crescido a passos largos no Brasil. Uma evidência do aumento no consumo dessa categoria de produtos pode ser verificada pela ampliação da oferta de novos produtos feita por empresas que operam no mercado brasileiro. O Laboratório do Núcleo de Estudos da Embalagem da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) publicou em sua página na web que, em um total de 5.916 embalagens lançadas no primeiro semestre desse ano no Brasil, e tomadas como amostra em uma pesquisa, 4,8 % correspondem a embalagens de esmaltes para unhas, 4,4 % de produtos para o corpo, 4,3% de maquiagens para os lábios, 3,7% de shampoos, 3,5% de tratamentos para cabelos, 3,0% de condicionadores, 2,4% de sabonetes em barras, 2,2% de desodorantes e 1,7,% de produtos para o banho, entre outros tipos de embalagens. A soma dessas categorias representa exatos 30,0% do total de embalagens lançados no país. É ... podem dizer várias coisas de brasileiros, mas não podem dizer que não gostam de tomar banho e cuidar dos cabelos!

Esse post compõe uma série chamada “Web News”. Trata-se de observações realizadas acerca de notícias relacionadas à temática de cultura e consumo publicadas na World Wide Web.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Consumo em grupos AAA

Luxo, tecnologia, sofisticação e diversão. Esses são os argumentos usados para que alguém de altíssimo poder aquisitivo passe a fazer parte de grupos restritos que têm acesso a carros que outras pessoas vêem apenas em filmes e revistas. O For Private Group, com base na cidade de São Paulo, cobra, no mínimo, R$ 287 mil como taxa de associação e R$ 13 mil de mensalidade para quem tem dinheiro, muito dinheiro, sobrando e quer desfrutar, por um lado, e ostentar, por outro, o uso de carros considerados exclusivos.

Cada grupo tem uma composição de quatro carros e quatro pessoas, consideradas cotistas. Cada pessoa usa um carro diferente a cada semana, durante todo o ano, sobretudo nos finais de semana que, em geral, começam antes dos sábados e terminam às segundas. Os membros do grupo precisam se preocupar apenas em usar os carros. Limpeza, manutenção, pagamento de seguro e IPVA, não pertencem ao mundo deles. Está tudo incluído nas mensalidades. A única coisa que precisam se preocupar é escolher com que carro vão passar o final de semana, como, por exemplo, uma Ferrari 458, um Maserati Gran Turismo, um Bugatti Veyron 16.4 Grand Sport ou um Bentley Super Sport.

Depois de 24 meses o cotista ainda pode receber metade do valor da cota que pagou para se associar ao grupo. É consumo, mas para o For Private Group é, também, investimento.

Referências Conexas

STREHLAU, Suzane. Marketing de luxo. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

TRUONG, Yann; SIMMONS, Geoff; McCOLL, Rodd; KITCHEN, Philip J. Status and conspicuousness – are they related? Strategic marketing implications for luxury brands. Journal of Strategic Marketing, v. 16, n. 3, p. 189-203, 2008.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Obras urbanas para consumo

Obras públicas de grande porte podem definir marcos geográficos em cidades em todo o mundo. Quando essas obras são assinadas por arquitetos famosos tendem a se tornar referências para visitação e alimentam o consumo de espaços urbanos por turistas e habitantes locais. Esse é o caso da Estação Ciência, Cultura e Artes, construída na cidade de João Pessoa, e que traz a assinatura de Oscar Niemeyer.


Obs.: as fotos acima são do complexo da Estação Ciência, Cultura e Artes, localizada no Altiplano Cabo Branco, João Pessoa, Paraíba, Brasil (agosto de 2011).

Esse post compõe uma série chamada “Nota de Viagem”. Trata-se de um conjunto de pequenas observações realizadas durante viagens.

domingo, 9 de outubro de 2011

O consumo do delivery

Quem ainda não consumiu serviços de delivery não reside nesse planeta. Pizzas, refeições, remédios, compras de supermercados, pouca coisa passa ao largo da necessidade de serviços de entrega em domicílio. Inicialmente disponibilizado pelas empresas como uma espécie de extensão daquilo que se pode oferecer para estimular o consumo de seus produtos, o serviço de delivery tornou-se algo imperativo em diferentes setores.

A tecnologia de comunicação, com uso de aparelhos telefônicos e da internet, ajudou a expandir ainda mais o uso do delivery. Nos anos 1980 e 1990 os serviços de delivery eram basicamente restritos aos consumidores chamados de cocooners, que viviam em espécies de casulos, pouco saiam de casa e não tinham o hábito de interagir com grande número de pessoas. Os nerds, que acordavam e dormiam na frente de computadores, também contribuíram com a popularização do delivery. Os chamados tele-entrega e disk entrega completaram o ciclo da popularização.

Hoje em dia, o delivery já está institucionalizado. A sociedade pós-moderna, apressada e ocupada, pressupõe o delivery como serviço já imbricado em inúmeras relações de consumo. Poucos são os casos em que não estão presentes. Basta ver o número de furgões e motoboys nas ruas das cidades.

Referências Conexas

FISHER, Marshall L. What is the right supply chain for your product? Harvard Business Review, March-April, p. 105-116, 1997.

LUMMUS, Rhonda R.; VOKURKA, Robert J. Defining supply chain management: a historical perspective and practical guidelines. Industrial Management & Data Systems, v. 99, n. 1, p.11 – 17, 1999.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Trabalho Interno

O mundo acostumou-se a palavra crise. Habituou-se, também, a palavra mercado. Os mercados dormem, acordam e se agitam. Do mesmo modo, têm humor, reconhecem, valorizam e penalizam. A mídia de difusão trata o mercado como se fosse uma entidade. Os textos de jornais, bem como as falas nas emissoras de rádio e na TV, a ele se referem com o uso de sujeito e predicado.

Crise e mercado são palavras que têm estado juntas. Nos últimos dias, o noticiário tem sido inundado por elas e outras mais, como bolsa de valores, câmbio, dólar, consumo, PIB, produção industrial, emprego, greve, etc. Vive-se em crise.

A propósito, a crise de hoje parece ser a mesma de ontem. É provável que ela apenas tenha se reconfigurado, mudado de lugar e de enredo. Essa suposição ganha sentido assistindo-se o documentário Trabalho Interno (Inside Job, EUA, 2010). Vencedor do Oscar e lançado no Brasil em fevereiro de 2011, esse documentário revela os bastidores da crise financeira mundial de 2008 e deixa pistas de que o problema é indômito!

Dirigido por Charles Ferguson e escrito por ele próprio, juntamente com Chad Beck e Adam Bolt, o documentário é muito bem estruturado e editado. Ao longo de 120 minutos, e guiado pela narração segura de Matt Damon, o espectador se depara com informações estarrecedoras sobre como a crise foi engendrada dentro do próprio sistema financeiro. Depara-se, também, com informações sobre os diferentes atores envolvidos na formação da crise e os desdobramentos que ela traz para a vida de todas as pessoas. Nesse caso, a crise de 2008 não parece ser tão diferente da crise de 2011 ou outras de anos anteriores.

Esse post compõe uma série chamada “Filme”. Trata-se de sugestões de filmes.

domingo, 25 de setembro de 2011

Uma imagem, mil palavras

A expressão do título desse post não é nova, mas permanece forte e com uma rara capacidade de síntese na língua portuguesa. De uma forma brilhante, foram usados quatro chaveiros com chaves de quatro marcas diferentes para compor a logomarca da Audi. A riqueza simbólica da imagem é que ela sugere que a Audi reúne em uma única marca atributos que se encontram diluídos em outras marcas como Alfa Romeo (design), BMW (velocidade), Volvo (segurança) e Mercedes-Benz (tecnologia). Tenta-se, assim, definir uma identidade para consumo sobre, e acima de, outras empresas concorrentes.

Referências Conexas

BARBOSA, Lívia; CAMPBELL, Colin. Cultura, consumo e identidade. Rio de Janeiro: Editora da FGV, 2006.

ELLIOTT, Richard; WATTANASUWAN, Kritsadarant. Brand as symbolic resources for the construction of identity. International Journal of Advertising, v. 17, n.2, p. 131-144, 1998.