Mostrando postagens com marcador consumo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador consumo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 29 de março de 2024

The future of consumption

 


A ACR - Association for Consumer Research informou no dia de hoje que o livro "The Future of Consumption: How Technology, Sustainability and Wellbeing will Transform Retail and Customer Experience", editado por Kristina Bäckström, Carys Egan-Wyer e Emma Samsioe, e publicado neste ano pela editora Palgrave Macmillan, pode ser acessado e ter o seu download realizado gratuitamente. Trata-se de uma boa oportunidade de leitura para acadêmicos e praticantes interessados sobre o tema. 

Para acessar e baixar o arquivo no formato PDF, clique aqui.

domingo, 26 de setembro de 2021

Consumo, Mercado e Desigualdades: Painel EnANPAD 2021

 

O Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (EnANPAD) 2021, que será realizado de forma on-line entre os dias 04 e 08 de outubro, terá na programação da Divisão de Marketing o painel Consumo, Mercados e Desigualdades. O painel, que ocorrerá das 8:30 às 10:15 na quinta-feira dia 08, será coordenado por Eduardo Ayrosa, e terá João Felipe Sauerbronn, Marcus Hemais, Marlon Dalmoro, Renata Oliveira e Ronan Quintão como painelistas. Vale a pena conferir! 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

10 anos do blog Cultura e Consumo




Quando comecei a publicar o blog um ex-aluno meu fez um comentário curioso.

- Publicar um blog é como comprar uma chácara; você tem duas alegrias: uma quando compra e outra quando vende - disse ele.

Com o passar do tempo compreendi claramente o que ele quis dizer. Manter o blog tem sido uma experiência de aproximação e distanciamento. Em certos momentos é motivo de prazer, em outros nem tanto.

Em 10 anos muita coisa acontece. No universo da internet muito mais ainda. Trata-se de uma realidade que contempla não só condições virtuais, como dimensões exponenciais. Por mais que possa parecer, isso não é nada trivial. 

O Facebook conecta e desconecta pessoas, o YouTube redefiniu a noção de som e imagem, o Twitter modificou o que se entende por conteúdo, o WhatsApp é a palavra do dia, e o Instagram é o queridinho da vez. Em meio a tudo isso, o Blog transcendeu a ideia inicial de ser uma espécie de diário online e passou a ser uma forma de expressar o pensamento. Hoje em dia, sobretudo considerando o uso das diferentes redes sociais online, o Blog é uma forma de resistência.

Há exatos 10 anos eu criei o blog Cultura e Consumo e nele fiz o meu primeiro post. De início estive centrado em fenômenos de cultura e consumo presentes no nosso cotidiano e procurei lançar um olhar sobre tais fenômenos, entendendo-os como construções tanto individuais quanto coletivas. Em anos mais recentes tenho procurado fazer comentários e observações sobre cultura e consumo, bem como sobre administração de marketing e construção de mercados (market-making).

Agradeço por sua visita ao blog e por sua leitura dos posts que tenho feito. Espero que, de alguma maneira, essa forma de expressão tenha sido e possa continuar a ser relevante.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Há algo errado no paraíso

Eu costumo dizer para os meus alunos que quando Maringá espirra é porque o Brasil está resfriado já há algum tempo. Por extensão, é razoável supor que de alguma forma a mesma observação possa ser válida para o Estado do Paraná. Alguns dados regularmente publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que servem de suporte para esse comentário. Por conta dessa condição foi que tive grande surpresa com a notícia de que o Paraná é o Estado brasileiro que possui o maior percentual de famílias endividadas. Segundo os dados fornecidos pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, e divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio), 86,3% dos paranaenses possuem alguma dívida. Em outras palavras, praticamente 9 entre cada 10 paranaenses possui uma dívida!

É como se tal informação causasse uma espécie de dissonância cognitiva, ou seja, algo que não se espera ouvir ou ler, e que não faz muito sentido diante de um conjunto de referências anteriores que se tem. Em geral, olhando-se os indicadores relativos às diferentes unidades federativas do Brasil, o Paraná ocupa uma posição de destaque, quase sempre entre as cinco ou seis mais bem posicionadas e com melhores resultados.

Apenas a título de ilustração, e considerando dados recentemente divulgados pelo IBGE, relativos aos anos de 2014 e 2015, o Paraná possui o quinto Produto Interno Bruto (PIB) entre os estados brasileiros, ficando atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Além disso, segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES), divulgados em dezembro do ano passado, o Paraná foi o Estado da Região Sul que mais reduziu a pobreza entre 2009 e 2015. Como se não bastasse, também ainda em dezembro, o IPARDES informou que o impacto da atual crise econômica no mercado de trabalho no Paraná tem sido inferior àquele que é observado, em média, em outras unidades federativas. Olhando-se para o conjunto desses dados, portanto, é recrudescido o sentimento de surpresa com o nível de endividamento das famílias paranaenses.

Tendo em vista outros indicadores como, por exemplo, a taxa de alfabetização da população, em que o Paraná possui o sexto melhor indicador do país, com quase 95% da população alfabetizada, a surpresa com o nível de endividamento se transforma em indagação. A rigor, transforma-se em um problema em busca de resposta. Mas não daquele tipo de resposta que aponta para programas de educação financeira. Já disseram que não há respostas simples para problemas complexos.

A realidade do endividamento informado pela Fecomércio impõe uma necessidade de compreensão e explicação. Se colocada diante de um contexto social que é objeto de uma narrativa cotidianamente construída de forma positiva, e onde, via de regra, lê-se notícias sobre abertura de empresas, geração de empregos, alta renda per capita, elevado potencial de consumo, boa qualidade de vida, bom nível de educação, alto índice de desenvolvimento humano, etc., tal necessidade é mais urgente ainda, pois parece que há algo errado no paraíso.

* Publicado originalmente em O Diário do Norte do Paraná, Terça-feira, 17 de janeiro de 2017, Artigo de Opinião, página A2.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Ode de resistência ao consumo



Escrita por Humberto Gessinger, líder da banda Engenheiros do Hawaii, 3a. do Plural é uma canção que denuncia a corrida desenfreada para se vender as coisas. De modo inteligente e em forma de contraposição, a letra da canção ilustra dilemas relacionados a oferta de produtos e faz alusão ao poder implícito de atores econômicos que operam no mercado. Em dado momento a canção afirma que eles "não querem te deixar pensar". Por outro lado, particularmente em seu refrão, a canção insiste na pergunta: "Quem são eles? Quem eles pensam que são?"

Referências Conexas

Barros, D. F., Sauerbronn, J. F. R., Costa, A. M., Darbilly, L. V. C., & Ayrosa, E. A. T. (2010). Pirataria, não! Resistência. Um estudo sobre as práticas de resistência do consumidor brasileiro de música digital. Comunicação, Mídia e Consumo, 7(18), 125-151.

Kraemer, F., Silveira, T., & Rossi, C. A. V. (2012). Evidências cotidianas de resistência ao consumo como práticas individuais na busca pelo desenvolvimento sustentável. Cadernos EBAPE.BR, 10(3), 677-700.

domingo, 17 de maio de 2015

Pop Zen: o que é seu é seu?




O que, de fato, é meu, seu, nosso, dele ou dela? Nada! Não há expressão objetiva de posse humana na materialidade das coisas. Há apenas contratos, condições prévias estabelecidas entre agentes, e que mesmo assim estão sujeitos - ambos, coisas e agentes - às mudanças e transformações do tempo. Tão simples e orgânico, mas árduo de admitir, sobretudo porque parte da identidade é definida por meio da posse. Talvez o que é meu, seu, nosso, dele ou dela, esteja exatamente na condição de circularidade e movimento, onde, paradoxalmente, a identidade não estaria no reter, mas sim no transferir. De algum modo, isso é o que está poeticamente expresso na música Pop Zen, de autoria de Alexandre Leão, Manuca Almeida e Lalado, cantada por Arnaldo Antunes em especial acústico para a MTV, acompanhado pela brilhante participação do trompetista Guizado. 

Referências Conexas

Barros, D. F., & Costa, A. M. (2010). Consumo consciente e resistência. In M. A. Chauvel & M. Cohen (Org.), Ética, sustentabilidade e sociedade (pp. 175-192). Rio de Janeiro: Mauad.

Belk, R. (1988). Possessions and the extended self. Journal of Consumer Research, 15(2), 139-168.

Richins, M. L., & Chaplin, L. N. (2015). Material parenting: how the use of goods in parenting forsters materialism in the next generation. Journal of Consumer Research, 41(6), 1333-1357. 

Rousseau, J-J. (2013). Do contrato social: princípios do direito político. São Paulo: Pillares.

Scaraboto, D. (2012). From co-creation to cultures of circulation: understanding market dynamics in value-creating networks (Ph.D. Dissertation). Schulich Business School, York University, Canada.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

XVII Congresso Brasileiro de Sociologia




A Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) promoverá o XVII Congresso Brasileiro de Sociologia entre 20 e 23 julho de 2015 na cidade de Porto Alegre - RS. O evento será realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Campus Central.

O Congresso conta com um Grupo de Trabalho (GT) de interesse direto para aqueles que estudam consumo. Trata-se do GT 05 - Consumo e Cidadania, coordenado por Lívia Barbosa e Fátima Portilho. 

As propostas de trabalhos para o GT poderão ser submetidas até o dia 22/12/2014. A divulgação dos resultados acerca das propostas ocorrerá até 15/02/2015. Uma vez selecionadas as propostas apresentadas, os trabalhos completos deverão ser submetidos até 05/06/2015.

O website do XVII congresso Brasileiro de Sociologia pode ser acessado clicando aqui.

sábado, 31 de agosto de 2013

Novo Blog: Marketing, Consumo e Sociedade

Foi lançado dia 27/08/2013, terça-feira dessa semana, pelo Prof. João Felipe Sauerbronn, o blog Marketing, Consumo e Sociedade. O blog tem o propósito de promover a divulgação e incentivar reflexões e discussões relacionadas à temática que lhe confere o título.
 
A produção de conteúdos para o blog estará, também, relacionada aos estudos, pesquisas e experiências desenvolvidas no Observatório de Marketing, Consumo e Sociedade, grupo de pesquisa com base na UNIGRANRIO (Universidade do Grande Rio), cadastrado no Diretório de Pesquisa do CNPq. Visite o blog clicando aqui.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Consumer Culture Theory

O periódico Marketing Theory, editado pela Sage, acaba de lançar uma edição especial com o título "Consumer Culture Theory: History, Perspectives and Prospectives". 

A edição especial foi organizada pelos professores Soren Askegaard (University of Southern Denmark) e Linda Scott (Oxford University). Foram publicados cinco artigos. Vale a pena conferir. Para acessar a edição, clique aqui.

Esse post compõe uma série chamada "Web News". Trata-se de observações acerca de eventos relacionados à cultura e consumo informados no World Wide Web.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Antropologia dos mercados e do consumo

Foi realizada, entre os dias 7 e 9 desse mês, na Universidade da Califórnia - Irvine, a Conferência Antropologia dos Mercados e do Consumo. A conferência reuniu acadêmicos e pesquisadores praticantes de diferentes especialidades interessados em estudos de mercado e práticas de consumo e que empregam teorias e métodos antropológicos com o intuito de entender comportamentos do mercado e questões de consumo.
 
Os organizadores da conferência disponibilizaram um link no Dropbox, de modo que aqueles que tenham interesse possam fazer download dos trabalhos que foram apresentados e debatidos na conferência. O link é: https://www.dropbox.com/sh/lnt7os7usn9iexv/XOVCI6LXk2

Esse post compõe uma série chamada "Web News". Trata-se de observações acerca de eventos relacionados à cultura e consumo informados na World Wide Web.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O consumo do conceito de gestão

Na língua portuguesa, o substantivo gestão denota o ato de gerir ou gerenciar que, por sua vez, é sinônimo de administrar. Pelo menos a princípio, e por questões de campo de formação e responsabilidade profissional, a gestão de organizações, lugares, recursos ou pessoas, entre outras possibilidades, deveria estar relacionada à administração. Mas, não é o que acontece.

O conceito de gestão adquiriu vários desdobramentos e passou a ser apropriado de inúmeras maneiras. Os verbos administrar, gerir ou gerenciar, não são singulares, mas sim plurais. E isso não é uma questão de inter ou multidisciplinaridade! Conselhos de classe profissionais sucumbem à fragmentação e à interpenetração, características próprias da sociedade pós-moderna. Simplesmente não demarcam formalmente quais os limites e condições em torno do exercício profissional do gestor.

Tais limites apenas recrudesceram nos últimos 20 anos. Na esteira da difusão do modo neoliberal de conduzir as organizações e estabelecer suas relações com os mercados, o conceito de gestão ganhou centralidade. Essa realidade chegou, inclusive, às universidades, onde o conceito de gestão tem sido largamente consumido.

Em um espaço cujo modelo de produção de conhecimento, via de regra, é constituído por estruturas departamentalizadas, é bastante comum se deparar com o uso do conceito e a oferta de atividades vinculadas à gestão por parte de cursos como, por exemplo, Economia, Zootecnia, Engenharia Química, Engenharia de Produção e Odontologia. Todos são gestores!

Referências Conexas

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

DRUCKER, Peter. Gestão. Rio de Janeiro: Agir, 2011.

FAYOL, Henry. Administração industrial e geral. São Paulo: Atlas, 1994.

domingo, 28 de novembro de 2010

Buy nothing day

Há um movimento que propõe o dia 28 de novembro como o dia mundial para não se comprar nada, absolutamente nada. A rigor, a ideia do movimento é levar as pessoas a refletirem sobre o nível de consumo e gastos que realizam em suas vidas cotidianas. Acredita-se que, em geral, consome-se mais do que o necessário para se viver.

Ainda que o movimento seja voltado para consumidores cujo perfil está relacionado à classe média e a um maior nível de instrução formal, bem como seja um movimento centrado especialmente na realidade estadounidense, onde o consumo alcançou proporções ímpares na vida social, trata-se de algo oportuno.

Naturalmente, há inúmeros desdobramentos associados à reflexão proposta, qualquer que seja a posição que se adote perante a proposição do movimento. Não comprar nada durante um dia inteiro não significa não gastar, já que se consome água, energia, espaço físico e alimentos para se viver. Por outro lado, o que se consome hoje pode ter sido comprado ontem ou pode vir a ser pago amanhã. Em ambos os casos há o ato da compra e o dispêndio de dinheiro.

Tais limitações, contudo, não obscurecem o “buy nothing day”. Em uma sociedade fragmentada, ansiosa e veloz, parar por um dia para pensar sobre o consumo desnecessário é algo culturalmente significativo.

Referências Conexas

BAUMAN, Zygmunt. Collateral casualties of consumerism. Journal of Consumer Culture, v. 7, n.1, p. 25–56, 2007.

FEATHERSTONE, Mike. Cultura de consumo e pós-modernismo. São Paulo: Studio Nobel, 1995.

KLEIN, Jill G.; SMITH, N. Craig; JOHN, Andrew. Why we boycott: consumer motivations for boycott participation. Journal of Marketing, v. 68, n. 3, p. 92-109, 2004.

KOZINETS, Robert V.; HANDELMAN, Jay M. Adversaries of consumption: consumer movements, activism, and ideology. Journal of Consumer Research, v. 31, n. 3 p. 691-704, 2004.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Consumo de professores


Próximo ao dia 15 de outubro, editoras e livrarias enviam cartões virtuais para professores, felicitando-os pela passagem daquele que se convencionou ser o seu dia, isto é, o dia dos professores. A lógica que orienta tal felicitação é meramente comercial e é feita a partir das bases de dados dessas empresas, as quais possuem sistemas de gerenciamento automático de e-mails. Algumas enviam cumprimentos, e outras, além dos cumprimentos, tentam ampliar as vendas dos seus livros. Fazem isso por meio de ofertas com descontos especiais para o dia professor e as consideram um presente!

Curiosa essa situação. Ela mostra de forma bastante simples como os professores são duplamente consumidos: como agentes intermediários do mercado e como o próprio mercado final. No primeiro caso, ao indicarem livros para seus alunos. No segundo, ao adquirirem, eles próprios, livros que são instrumentos de trabalho.

Essa, no entanto, é apenas uma das facetas do consumo de professores. Como trabalhadores do setor de prestação de serviços na sociedade contemporânea, é provável que nunca antes na história os professores tenham sido consumidos com tanta voracidade como nos dias atuais. Afinal, são vários e diversos os papéis por eles assumidos, como, por exemplo, educadores, instrutores, incentivadores, idealizadores, conselheiros, escritores, editores, gestores, orientadores, facilitadores, articuladores, animadores, relatores, revisores ...

Referências Conexas

BASSO, Itacy S. Significado e sentido do trabalho docente. Cadernos CEDES, v.19, n. 44, p. 19-32, 1998.

BELK, Russell. Sharing. Journal of Consumer Research, v. 36, n. 5, p. 715–734, 2010.

FAR, Alessandra E. O livro e a leitura no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.

VICENTINI, Paula P. Celebração e visibilidade: o dia do professor e diferentes imagens da profissão docente no Brasil (1933-63). In: 26ª REUNIÃO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO (2003: Poços de Caldas). Anais ... História da Educação. Rio de Janeiro: ANPED, 2003. (Versão integral no website da ANPED)

sábado, 4 de setembro de 2010

Obama não precisa de chá

O sistema financeiro mundial tem sido responsável por grande parte das mazelas e dilemas enfrentados por indivíduos e estados nacionais. A crença reinante é que é preciso protegê-lo a todo e qualquer custo, afinal se trata de algo fundamental para o modelo capitalista: um não existe sem o outro.

A despeito das chamadas livre iniciativa e sociedade civil organizada ou, ainda, da figura supostamente central do consumidor, o sistema financeiro parece não ser incomodado nos períodos de crise. O sabor neoliberal do mercado termina por ser experimentado de modo mais intenso, e quase que exclusivo, por agentes que não estão no centro do sistema.

O argumento preferido e frequentemente veiculado na mídia em geral é que não se pode mexer no sistema financeiro, pois isso afetaria o relacionamento do mesmo com as empresas, as quais, uma vez prejudicadas, perderiam força e seriam obrigadas a demitir funcionários, entre outras ações. O fantasma que se coloca no ar é que caso isso efetivamente aconteça, o mercado será reduzido e causará mais custo e impacto aos estados nacionais. A crença nessa lógica do sistema, de algum modo disseminada como elemento de cultura organizacional, funciona como uma espécie de chantagem ou argumento para a perpetuação de condições que inviabilizam o próprio sistema no longo prazo. Estados nacionais tem ficado reféns dessa situação.

O impacto da última crise do sistema, entretanto, exigiu uma resposta por parte de diferentes estados, os quais, em alguma medida, procuraram preservar as estruturas de consumo – mesmo que essas não prescindam do sistema para o financiamento de suas operações. Dentro dessa tendência, recentemente o governo Obama aprovou uma lei que impede o resgate do sistema financeiro em situações de crise e que procura alterar a dinâmica daquilo que passou a ser o centro simbólico e nevrálgico do sistema financeiro mundial, materializado por Wall Street (curioso esse trocadilho, não? Em uma tradução livre para o português, poderíamos entender Wall Street como “rua de paredes” ou “rua de muros” – muros que limitam, que cerceiam ou que encaixotam dinheiro e possibilidades individuais e de estados nacionais).

Dentro da lógica do mercado estadounidense neoliberal, onde o consumidor supostamente tem uma centralidade singular em relação a outros estados nacionais, a proteção ao consumidor é a justificativa para a criação da lei. No entanto, tendo em vista que é o estado nacional, por meio do seu governo de plantão, que canaliza recursos quase que infindáveis para sanear o sistema, sem que o consumidor seja ouvido, torna-se curioso que no momento de adotar algum tipo de ação contrária ou que minimamente limite o sistema, seja o mesmo consumidor que sirva como argumento central para a ação.

Supõe-se que esse tipo de medida renda alguns dividendos aos políticos, inclusive a Obama. Nem toda a pressão do Tea Party, movimento que tem um perfil extremamente conservador, pretensamente associado aos ideais de fundação dos Estados Unidos contra as crescentes taxações inglesas à época em que eram colônia, e que mantem fortes relações com o partido republicano, é capaz de articular algo contrário. Os outdoors publicados e patrocinados em Iowa comparando Obama a Hitler e a Lênin, não foram suficientes para evitar a ação. Aparentemente, Obama não precisa de chá. Nem mesmo os da cinco, cujo hábito inglês de alguma maneira foi incorporado à cultura estadounidense.

Referências Conexas

DAVIS, Gerald F. Managed by the markets: how finance re-shaped America. Oxford: Oxford University Press, 2009.

FRIED, Joseph. Democrats and republicans - rhetoric and reality: comparing the voters in statistics and anecdotes. New York: Algora Publishing, 2008.

HARVEY, David. A brief history of neoliberalism. Oxford: Oxford University Press, 2005.

KOWARIC, Lúcio. Sobre a vulnerabilidade socioeconômica e civil: Estados Unidos, França e Brasil. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v.18, n. 51, p. 61-86, 2003.

STIGLITZ, Joseph E. Obama´s ersatz capitalism. The New York Times, New York, 1 abr. 2009. Op-Editorial, p.2.

YÚDICE, George. A conveniência da cultura: usos da cultura na era global. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O PIB e as maiores cidades brasileiras

No final de 2008 o IBGE informava que os cinco estados com maior concentração do PIB brasileiro eram São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. Já ao término de 2009 o mesmo IBGE informou que cinco cidades concentram 25% do PIB: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba.

Observando-se, contudo, não apenas os dados do PIB, mas os dados sobre a população, também divulgados pelo IBGE em 2009, verifica-se que São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília e Fortaleza são as maiores cidades brasileiras em termos de população. Os dados são curiosos e instigantes, pois revelam, para uns, e comprovam, para outros, que não há uma vinculação direta entre o que se chama de riqueza e o tamanho da cidade.

Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre não estão entre as cinco maiores cidades, mas são capitais de três dos cinco estados mais ricos da federação. Entre outras coisas, isso sugere que os padrões de consumo em Salvador e Fortaleza, terceira e quinta maiores cidades do país, são distintos daqueles de Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. Talvez isso explique, pelo menos em parte, o interesse que o consumo de baixa renda tem despertado em anos recentes.

Referências Conexas

SOUZA, Celina. Intermediação de interesses regionais no Brasil: o impacto do federalismo e da descentralização. Dados, v. 41, n. 3, p. 1-16, 1998.

LOPES, Luiz M.; LANZANA, Antonio E. T. Economia brasileira: da estabilização ao crescimento. São Paulo: Atlas, 2009.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Natureza para consumo

A capacidade de criar novos produtos para consumo tem ido cada vez mais longe. Os alimentos naturais, originários diretamente do campo, representavam até pouco tempo atrás uma barreira para inovações. Com o advento das modificações genéticas em sementes realizadas em laboratórios de órgãos de pesquisa estatais e, mais ainda, em laboratórios de grandes corporações, essa barreira deixou de existir. Há casos e mais casos de produtos agrícolas que apresentam maior produtividade e maior resistência às pragas e condições climáticas adversas, que são consumidos diretamente ou integram a composição de outros alimentos.

As frutas de largo consumo in natura representam uma nova fronteira para modificações e adaptações visando à comercialização. Consumidas em estado original, parecem oferecer alguma margem para a realização de mudanças em termos de tamanho, sabor, textura e coloração, e pouca ou nenhuma margem para mudanças em termos de forma. Um exemplo de exploração dessa estreita margem acaba de ser alcançado na Austrália com a produção de morangos em forma de coração. A fruta é acondicionada em um plástico moldado como um coração quando ainda está em um tamanho bem pequeno e termina por, ao crescer, assumir a forma de um coração.

O morango, historicamente, tem sido uma fruta explorada como símbolo de sedução, sensualidade e romantismo. A sua forma, como encontrado na natureza, já remete à forma de um coração. Acondicioná-lo durante o crescimento e moldá-lo como um coração significa uma maneira adicional de concretizar a sua materialidade como um símbolo para consumo.

Referências Conexas

HOSSAIN, Ferdaus; ONYANGO, Benjamin; SCHILLING, Brian; HALLMAN, William; ADELAJA, Adesoji. Product attributes, consumer benefits and public approval of genetically modified foods. International Journal of Consumer Studies, v. 27, n. 5, p. 353-365, 2003.

KOVACS, Michelle H.; BARBOSA, Maria de L. de A.; KOVACS, Erica P.; DURÃO, André F.; SILVA, Wesley M. da. A maçã proibida: os alimentos geneticamente modificados e a moral religiosa, a proposição da tipologia de risco percebido do “paradoxo de Adão”. In: I ENCONTRO DE MARKETING (2004: Porto Alegre). Anais ... Rio de Janeiro: ANPAD, 2004. (Versão integral em CD-ROM do Evento)

sábado, 16 de janeiro de 2010

O Consumo da solidariedade

A tragédia causada pelo terremoto no Haiti reacende o debate sobre a disposição de ajudar o outro. Trata-se, no mínimo, de uma perspectiva diferente para o verão, período em que as pessoas estão mais centradas nelas mesmas e em seus prazeres pessoais. Talvez a repercussão dessa tragédia seja maior no Brasil do que em outros países, tanto pelo fato de haver um contingente do exército brasileiro como força de estabilização em missão da ONU naquele país, quanto pela morte da médica Zilda Arns, que lá estava em missão humanitária e que possuía longa e conhecida trajetória de trabalho comunitário.

Nesses casos, por uma questão de interesses geopolíticos, Estados nacionais assumem papéis de solidariedade: destinam fundos e enviam alimentos e remédios, entre outros recursos. Indivíduos, em menor escala, doam recursos ou se oferecem para trabalhos voluntários. Em ambos os casos ocorre o consumo da solidariedade. No primeiro, um consumo pragmático, no segundo um consumo simbólico.

Costumes, hábitos e, especialmente, valores, individuais, comunitários ou mesmo religiosos, orientam o caráter de ações individuais e sociais de solidariedade. Assim, a solidariedade, mesmo que revestida de nobreza, não é consumida de modo igual e com o mesmo sentido. A propósito, entre o segundo semestre de 2008 e o primeiro de 2009, ocorreram chuvas de extrema intensidade nas regiões nordeste e sul do nosso país, deixando milhares e milhares de pessoas desabrigadas. Para cada R$ 1,00 recebido em solidariedade pela região nordeste, a região sul recebeu R$ 8,50, quando havia uma proporção de 4 desabrigados na primeira para cada 1 desabrigado na segunda.

Que o legado de Zilda Arns não seja tão rapidamente esquecido como parece já ter sido esquecido aquele deixado pelo Betinho (Herbert José de Sousa), que criou no início dos anos 1990 o movimento Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida. Pois, afinal, como já dizia Caetano Veloso, em canção do disco comemorativo dos 25 anos do tropicalismo, lançado em 1993, “o Haiti é aqui”.

Referências Conexas

DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

NEPSTAD, Sharon E. Convictions of the soul: religion, culture, and agency in the Central America solidarity movement. Oxford: Oxford University Press, 2004.

WEBER, Max. Ensaios sobre a teoria das ciências sociais. São Paulo: Centauro, 2003.

WYMER JR., Walter W.; SAMU, Sridhar. Volunteer service as symbolic consumption: gender and occupational differences in volunteering. Journal of Marketing Management, v. 18, n. 9, p. 971-989, 2002.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Cultura e consumo no nosso dia-a-dia


Os blogs, a princípio, foram criados como uma espécie de diário daqueles que neles escrevem. Com o passar do tempo, tornaram-se plataformas para a expressão de pensamentos, a divulgação de informações e a realização de análises, entre outras diferentes possibilidades. O meu propósito com esse blog é lançar um olhar sobre fenômenos de cultura e consumo, o que, em maior ou menor medida, corresponde a quase totalidade do que fazemos e vivemos em nosso dia-a-dia. Nesse sentido, a ideia é usar este blog como um meio para a realização de observações, comentários e interpretações sobre cultura e consumo.

O leque de possibilidades é extraordinariamente amplo. Fenômenos de cultura e consumo, enquanto construções individuais e coletivas, podem ser ou estar associados à desde um simples artefato material, como uma enxada que se usa para capinar, até complexos padrões de comportamento, como o engajamento em trabalhos voluntários de caráter social. Possuem, portanto, um caráter tanto conspícuo quanto simbólico e são transversais à vida cotidiana.

No mundo contemporâneo, para o bem ou para o mal, há muito que o consumo deixou de ser um substantivo masculino e passou a ser visto como um vilão ou um redentor da vida em sociedade. Poucos, entretanto, o vêem como inexorável, ou menos ainda como uma espécie de vetor, simultâneo, de produção e reprodução cultural. Por um lado se impõe uma racionalidade de criação e estruturação de mercados, bem como geração de riquezas e a concepção de que a felicidade virá por meio dos bens. Por outro, subsiste a expectativa de uma lógica distinta. Em meio a esse processo, pessoas e empresas definem e constroem identidades que estão presentes e permeiam espaços privados e públicos, inclusive no que diz respeito à relação com o Estado.

Olhar fenômenos de consumo e cultura no nosso dia-a-dia, compreendendo consumidores como sujeitos socialmente construídos, e empresas como estruturas que têm agência social, é, assim, objetivo deste blog.

Referências Conexas

BARBOSA, Lívia; CAMPBELL, Colin. (Orgs.) Cultura, consumo e identidade. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2006.

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

BELK, Russel; GER, Güliz; ASKEGAARD, Søren. The fire of desire: a multisited inquiry into consumer passion. Journal of Consumer Research, v. 30, n. 3, p. 326-351, 2003.

BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean C. Reproduction in education, society and culture. London: Sage, 1990.

FIRAT, A. Fuat; DHOLAKIA, Nikhilesh. Consuming people: from political economy to theaters of consumption. London: Routledge, 2003.

LIPOVETSKY, Gilles. A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

McCRACKEN, Grant. Cultura e consumo: novas abordagens ao caráter simbólico dos bens e das atividades de consumo. Rio de Janeiro: MAUAD, 2003.

SAHLINS, Marshall. Cultura e razão prática. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.

SHERRY, John F. (Ed.) Contemporary marketing and consumer behavior: an anthropological sourcebook. Thousand Oaks: Sage, 1995.

SLATER, Don; TONKISS, Fran. Market society: markets and modern social theory. Cambridge: Polity, 2001.