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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Citação de artigos: o paradoxo dos cinco anos

Qual é a lógica que orienta decisões editoriais em que os artigos acadêmico-científicos publicados nos últimos cinco anos são as referências mais importantes para uso em outros artigos que se queira submeter à publicação? Trata-se apenas do conceito definido como estado-da-arte, em que esses artigos trazem o conhecimento em seu estado mais atual, com descobertas e proposições mais recentes?

Os artigos publicados nos últimos cinco anos são, de fato, aqueles mais importantes e consistentes? A contribuição de um artigo tem data marcada para acabar ou prazo de validade, como um produto perecível?

Se a pesquisa que ontem-hoje se fez e que hoje-amanhã se publica não é valorizada por mais do que cinco anos, qual o sentido de fazê-la? Como e com base em quais critérios se definem a consistência e a relevância temporal do conhecimento produzido? O conhecimento publicado em periódicos está fadado ao consumo em um horizonte máximo de meia década? Esse é o limite?

A quem serve tal decisão? Serve aos pesquisadores e autores dos artigos? Alguém lembrou de perguntar qual o papel da indústria editorial para a construção dessa lógica, especialmente o segmento de publicação de periódicos científicos? As instituições de ensino e pesquisa, bem como as agências de fomento à pesquisa têm, também, algo a dizer acerca dessa construção?

Referências Conexas

CANAGARAJAH, A. Suresh. “Nondiscursive” requirements in academic publishing, material resources of periphery scholars, and the politics of knowledge production. Written Communication, v. 13, n. 4, p. 435-472, 1996.

GODIN, Benoit; GINGRAS, Yves. The place of universities in the system of knowledge production. Research Policy, v. 29, n.2, p. 273-278, 2000.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O consumo do conceito de gestão

Na língua portuguesa, o substantivo gestão denota o ato de gerir ou gerenciar que, por sua vez, é sinônimo de administrar. Pelo menos a princípio, e por questões de campo de formação e responsabilidade profissional, a gestão de organizações, lugares, recursos ou pessoas, entre outras possibilidades, deveria estar relacionada à administração. Mas, não é o que acontece.

O conceito de gestão adquiriu vários desdobramentos e passou a ser apropriado de inúmeras maneiras. Os verbos administrar, gerir ou gerenciar, não são singulares, mas sim plurais. E isso não é uma questão de inter ou multidisciplinaridade! Conselhos de classe profissionais sucumbem à fragmentação e à interpenetração, características próprias da sociedade pós-moderna. Simplesmente não demarcam formalmente quais os limites e condições em torno do exercício profissional do gestor.

Tais limites apenas recrudesceram nos últimos 20 anos. Na esteira da difusão do modo neoliberal de conduzir as organizações e estabelecer suas relações com os mercados, o conceito de gestão ganhou centralidade. Essa realidade chegou, inclusive, às universidades, onde o conceito de gestão tem sido largamente consumido.

Em um espaço cujo modelo de produção de conhecimento, via de regra, é constituído por estruturas departamentalizadas, é bastante comum se deparar com o uso do conceito e a oferta de atividades vinculadas à gestão por parte de cursos como, por exemplo, Economia, Zootecnia, Engenharia Química, Engenharia de Produção e Odontologia. Todos são gestores!

Referências Conexas

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

DRUCKER, Peter. Gestão. Rio de Janeiro: Agir, 2011.

FAYOL, Henry. Administração industrial e geral. São Paulo: Atlas, 1994.