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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Clinton e Bush para o Haiti

Atendendo a pedidos de Obama, Clinton e Bush, ex-presidentes estadounidenses, criaram um fundo para ajudar o Haiti a se reerguer após o terremoto que devastou a capital do país no início do ano passado. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos que recebe doações que são enviadas ao Haiti. Enquanto presidentes, Clinton e Bush, pertencentes a partidos divergentes e também com diferentes orientações de política internacional, ignoraram solenemente o Haiti. No entanto, o terremoto ocorrido no Haiti fez com o que ambos se juntassem em nome desse país. Bom para os haitianos que precisam de ajuda, porém é lamentável a constatação de que as tragédias tem o efeito colateral de criar commodities para consumo geral. O Haiti tornou-se uma commodity desde o ano passado e serve para o consumo simbólico de diferentes maneiras e por diferentes pessoas, inclusive, e sobretudo, por instituições.

Referências Conexas

BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectivas, 2009.

HIRSCHMAN, Elizabeth C. Comprehending symbolic consumption: three theoretical issues. In: HIRSCHMAN, Elizabeth C.; HOLBROOK, Morris B. (Ed.) Symbolic Consumer Behavior. Duluth: Association for Consumer Research, 1981. pp 4-6.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

SS solidariedade


Duas atrizes estadounidenses, Sandra Bullock e Scarlett Johansson, resolveram ajudar o Haiti. Sandra anunciou a doação de US$ 1 milhão e Scarlett leiloou um encontro com um fã. Sandra está no filme “Um Sonho Possível” e Scarlett está na peça de teatro “A View from the Bridge”. Sandra está no circuito mundial do cinema e Scarlett está na Broadway, meca do teatro em Nova Iorque. Sandra concorre ao prêmio de melhor atriz no próximo Oscar pela sua atuação no filme e Scarlett busca credibilidade como atriz por meio da peça escrita por Arthur Miller.

Referências Conexas

ALBERT, Steven. Movie stars and the distribution of financially successful films in the motion picture industry. Journal of Cultural Economics, v. 22, n. 4, p. 249-270, 1998.

GOLD, Lorna. The sharing economy: solidarity networks transforming globalization. Hants: Ashgate Publishing, 2004.

MARCHESINI, Fernando R. de A. O processo de gerenciamento de impressões como instrumento de busca de legitimidade no ambiente sócio-cultural. Rio de Janeiro: FGV-EBAPE, 2002. (Dissertação de Mestrado em Gestão Empresarial)

sábado, 16 de janeiro de 2010

O Consumo da solidariedade

A tragédia causada pelo terremoto no Haiti reacende o debate sobre a disposição de ajudar o outro. Trata-se, no mínimo, de uma perspectiva diferente para o verão, período em que as pessoas estão mais centradas nelas mesmas e em seus prazeres pessoais. Talvez a repercussão dessa tragédia seja maior no Brasil do que em outros países, tanto pelo fato de haver um contingente do exército brasileiro como força de estabilização em missão da ONU naquele país, quanto pela morte da médica Zilda Arns, que lá estava em missão humanitária e que possuía longa e conhecida trajetória de trabalho comunitário.

Nesses casos, por uma questão de interesses geopolíticos, Estados nacionais assumem papéis de solidariedade: destinam fundos e enviam alimentos e remédios, entre outros recursos. Indivíduos, em menor escala, doam recursos ou se oferecem para trabalhos voluntários. Em ambos os casos ocorre o consumo da solidariedade. No primeiro, um consumo pragmático, no segundo um consumo simbólico.

Costumes, hábitos e, especialmente, valores, individuais, comunitários ou mesmo religiosos, orientam o caráter de ações individuais e sociais de solidariedade. Assim, a solidariedade, mesmo que revestida de nobreza, não é consumida de modo igual e com o mesmo sentido. A propósito, entre o segundo semestre de 2008 e o primeiro de 2009, ocorreram chuvas de extrema intensidade nas regiões nordeste e sul do nosso país, deixando milhares e milhares de pessoas desabrigadas. Para cada R$ 1,00 recebido em solidariedade pela região nordeste, a região sul recebeu R$ 8,50, quando havia uma proporção de 4 desabrigados na primeira para cada 1 desabrigado na segunda.

Que o legado de Zilda Arns não seja tão rapidamente esquecido como parece já ter sido esquecido aquele deixado pelo Betinho (Herbert José de Sousa), que criou no início dos anos 1990 o movimento Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida. Pois, afinal, como já dizia Caetano Veloso, em canção do disco comemorativo dos 25 anos do tropicalismo, lançado em 1993, “o Haiti é aqui”.

Referências Conexas

DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

NEPSTAD, Sharon E. Convictions of the soul: religion, culture, and agency in the Central America solidarity movement. Oxford: Oxford University Press, 2004.

WEBER, Max. Ensaios sobre a teoria das ciências sociais. São Paulo: Centauro, 2003.

WYMER JR., Walter W.; SAMU, Sridhar. Volunteer service as symbolic consumption: gender and occupational differences in volunteering. Journal of Marketing Management, v. 18, n. 9, p. 971-989, 2002.