Há um movimento que propõe o dia 28 de novembro como o dia mundial para não se comprar nada, absolutamente nada. A rigor, a ideia do movimento é levar as pessoas a refletirem sobre o nível de consumo e gastos que realizam em suas vidas cotidianas. Acredita-se que, em geral, consome-se mais do que o necessário para se viver.
Ainda que o movimento seja voltado para consumidores cujo perfil está relacionado à classe média e a um maior nível de instrução formal, bem como seja um movimento centrado especialmente na realidade estadounidense, onde o consumo alcançou proporções ímpares na vida social, trata-se de algo oportuno.
Naturalmente, há inúmeros desdobramentos associados à reflexão proposta, qualquer que seja a posição que se adote perante a proposição do movimento. Não comprar nada durante um dia inteiro não significa não gastar, já que se consome água, energia, espaço físico e alimentos para se viver. Por outro lado, o que se consome hoje pode ter sido comprado ontem ou pode vir a ser pago amanhã. Em ambos os casos há o ato da compra e o dispêndio de dinheiro.
Tais limitações, contudo, não obscurecem o “buy nothing day”. Em uma sociedade fragmentada, ansiosa e veloz, parar por um dia para pensar sobre o consumo desnecessário é algo culturalmente significativo.
Referências Conexas
BAUMAN, Zygmunt. Collateral casualties of consumerism. Journal of Consumer Culture, v. 7, n.1, p. 25–56, 2007.
FEATHERSTONE, Mike. Cultura de consumo e pós-modernismo. São Paulo: Studio Nobel, 1995.
KLEIN, Jill G.; SMITH, N. Craig; JOHN, Andrew. Why we boycott: consumer motivations for boycott participation. Journal of Marketing, v. 68, n. 3, p. 92-109, 2004.
KOZINETS, Robert V.; HANDELMAN, Jay M. Adversaries of consumption: consumer movements, activism, and ideology. Journal of Consumer Research, v. 31, n. 3 p. 691-704, 2004.













