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terça-feira, 27 de março de 2012

Comércio (e consumo) de órgãos humanos

A vida é um drama. Não necessariamente com um final feliz. Milhares de pessoas precisam e esperam a doação de algum órgão, como rim, fígado, córnea, para a realização de transplantes e tentativa de prolongar o tempo de vida. Nem sempre, contudo, as doações acontecem. Isso faz com que se discuta sobre, e pressione para, a liberação do comércio de órgãos humanos.

Há vários anos - mais de uma década -, tem-se tentado promover um debate sobre essa questão. A liberalização do comércio legitimaria o consumo de órgãos humanos por humanos. Os defensores do livre comércio, liberais em essência, acreditam que a comercialização de órgãos resolveria uma série de problemas e ajudaria a salvar vidas. Aqueles que são contra argumentam, principalmente, que um comércio dessa natureza ultrapassaria limites do ponto de vista moral e induziria pessoas sem rendimento econômico a se mutilarem para vender seus próprios órgãos, como o rim.

A rigor, qualquer que seja a posição que se venha a ter sobre essa questão, ela envolve uma lógica perversa de construção e formatação de um mercado que, antes de mais nada, atende aos interesses das indústrias médica, hospitalar e farmacêutica.

Obs.: a foto acima é de um outdoor na Estação de Metrô Queensway, localizada em Bayswater Road, Londres, Inglaterra.

Esse post compõe uma série chamada “Nota de Viagem”. Trata-se de um conjunto de pequenas observações realizadas durante viagens.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Morango no verão (do norte)

No Brasil, especialmente na região sul, é frequente o consumo de morango durante o inverno. Várias padarias, casas de lanche, cafés e chocolatarias, em especial, oferecem doces e sobremesas com morango. A propósito, é bem possível que a combinação mais usada seja a de morango com chocolate, particularmente em tortas.

No hemisfério norte, o morango é usado ao longo de todo o ano, mas é mais consumido no verão. Aliás, é muito comum que o morango seja usado como um símbolo dessa estação. É isso que ocorre na Inglaterra, por exemplo, onde o morango tem um destaque especial como ingrediente da culinária do verão.

Obs.: a foto acima é de um anúncio do menu do The Garden Café, localizado no The Regent´s Park, Londres, Inglaterra.

Esse post compõe uma série chamada “Nota de Viagem”. Trata-se de um conjunto de pequenas observações realizadas durante viagens.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Um banco, muitas memórias


O tempo para caminhar, parar, sentar e apreciar o movimento das ruas, paisagens ou jardins, está cada vez mais escasso na sociedade contemporânea. Quando isso acontece, os bancos de rua representam bom suporte e servem também para nos acomodar para a leitura de um livro ou para uma conversa. Décadas atrás, o banco de rua tinha uma presença importante na paisagem urbana. Hoje, está praticamente relegado ao esquecimento ou é algo circunscrito ao uso de pessoas da chamada terceira idade – o ócio, além de não ser bem-visto, é indesejado em nossa sociedade. Na Inglaterra, os bancos possuem um significado de destaque entre as diversas maneiras de se homenagear entes queridos. É habitual a aquisição e doação de bancos de rua e jardim, onde são afixadas mensagens escritas para pessoas com as quais se compartilhou um lugar e momentos ao longo da vida. A título de ilustração, além da foto acima, há uma cena no filme Um Lugar Chamado Notting Hill (direção de Roger Michell), que indica bem o uso de bancos com o sentido aqui apontado. No filme, os personagens William Thacker e Anna Scott, encenados por Hugh Grant e Julia Roberts, respectivamente, sentam-se em um banco de jardim onde está escrito o seguinte texto: “For June who loved this garden – from Joseph who always sat beside her. June Wetherby, 1917-1992” (À June, que amava este jardim – de Joseph, que sempre a acompanhava).

Obs.: a foto acima consiste em um “close” de dizeres em um banco de rua em Wansfell Road, na cidade de Ambleside, Inglaterra.

Esse post compõe uma série chamada “Nota de Viagem”. Trata-se de um conjunto de pequenas observações realizadas durante viagens.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Boicote à Harrods


A Harrods é uma das maiores referências mundiais em lojas de departamentos. Suas origens remontam ao século XIX. Nos dias de hoje possui mais de 300 departamentos e é a única loja de departamentos da Inglaterra que continua a vender roupas e casacos que têm pele de animal como matéria-prima. Ativistas do movimento contra a matança de animais costumam portar cartazes e fazer protestos em frente à Harrods conclamando as pessoas a promoverem boicote e não comprarem nenhum produto na Harrods até que ela interrompa a venda desses produtos. Por enquanto, ainda não conseguiram sucesso. Certamente, menos por seus esforços e mais pelo fato de que ainda existem consumidores para esse tipo de produto. E não são consumidores de baixa renda ou analfabetos!

Obs.: a foto acima, onde é possível se observar pessoas portando cartazes contra a matança de animais, é de uma entrada lateral da loja de departamento Harrods, em Brompton Road, Londres, Inglaterra.

Esse post compõe uma série chamada “Nota de Viagem”. Trata-se de um conjunto de pequenas observações realizadas durante viagens.

domingo, 5 de setembro de 2010

Queijos para todos os gostos

É muito raro encontrar no Brasil alguma loja que venda apenas queijos. Aquelas que mais se aproximam dessa condição, normalmente são chamadas de “casa do queijo” e vendem outros produtos além de queijos. Já em países europeus como a Inglaterra, por exemplo, é possível encontrar lojas especializadas na venda de queijos. Nessas lojas não há outros produtos que não sejam queijos, e de todas as espécies possíveis. De certa maneira, e apenas a título de curiosidade, o baixo consumo de queijo no Brasil, o qual, segundo a ABIQ – Associação Brasileira das Indústrias de Queijo, gira em torno de 3,5 kgs ao ano, ajuda a entender a realidade da estrutura de oferta no nosso país.

Obs.: a foto acima é de uma loja de queijos na Vila de Cartmel, pertencente ao município de Lancashire, região de Lake District, Inglaterra.

Esse post compõe uma série chamada “Nota de Viagem”. Trata-se de um conjunto de pequenas observações realizadas durante viagens.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Preço do estacionamento

As cidades brasileiras experimentam uma grande expansão da oferta de estacionamentos privados. Tal expansão é fruto do considerável aumento da frota de veículos em circulação no país, a qual decorre tanto das políticas governamentais favoráveis à indústria automobilística, quanto das ações de mercado empreendidas por essa indústria. Os preços para se usar estacionamentos no Brasil, contudo, são muito caros. É possível que esses preços reflitam o oportunismo do mercado em relação à “paixão” do brasileiro por carro, assim como é possível que sejam apenas resultado objetivo da expansão da frota ou, ainda, que se vinculem à violência das grandes cidades e suas ameaças, entre elas a depredação e o roubo de automóveis. Apenas a titulo de ilustração, o preço do estacionamento na região de Lake District, Inglaterra, é algo em torno de R$ 2,80 por 4 horas. Em muitas cidades brasileiras, o preço do estacionamento, pelo mesmo tempo, é em média o dobro desse valor. Detalhe: Lake District é considerado o principal parque nacional da Inglaterra, lugar para onde convergem milhares de pessoas durante o verão europeu.


Obs.: a foto acima é do principal estacionamento da Vila de Cartmel, pertencente ao município de Lancashire, região de Lake District, Inglaterra.

Esse post compõe uma série chamada “Nota de Viagem”. Trata-se de um conjunto de pequenas observações realizadas durante viagens.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O falso rigor inglês

Durante anos, talvez décadas ou mesmo séculos, a Inglaterra construiu uma imagem de rigor, pontualidade e precisão perante a opinião pública mundial. Tal imagem tornou-se admirada de diferentes maneiras e se constituiu em uma das referências da cultura inglesa. No ocidente, talvez ela tenha rivalizado apenas com as culturas germânica e, possivelmente, a suíça – que ademais, tem muito em comum.

A imagem de tal rigor, contudo, não encontra sustentação em fatos ocorridos na última década. O envolvimento inglês na guerra do Iraque e a morte de Jean Charles de Menezes decorrente de ação empreendida pela polícia londrina na estação de Stockwell do metrô de Londres, são exemplos claros dessa situação. No primeiro caso, o primeiro-ministro Tony Blair nunca conseguiu justificar o envolvimento da Inglaterra na referida guerra. Já no segundo caso, e até o dia de hoje, quando são completados cinco anos da morte de Jean Charles, nenhum dos envolvidos foi responsabilizado criminalmente perante a justiça inglesa.

Os eventos de 11 de setembro de 2001, e outros que deles foram decorrentes, funcionaram como vetores para a mudança de hábitos, valores e padrões de ação de estados nacionais. Os fatos acima mencionados até podem ser traduzidos como desdobramentos desses eventos. Mas não é só isso.

Fenômenos sociais certamente promovem mudanças culturais individuais e institucionais. Não obstante, o que ocorreu e, pior, ainda tem ocorrido em torno da morte de Jean Charles, é meramente uma tentativa de gerenciamento de impressões de um rigor inglês que é coisa do passado.

Referências Conexas

CHOSSUDOVSKY, Michel. Guerra e globalização: antes e depois de 11 de setembro de 2001. São Paulo: Expressão Popular, 2004.

FIRAT, Fuat; VENKATESH, Alladi. Liberatory postmodernism and the reenchantment of consumption. Journal of Consumer Research, v. 22, n. 3, p. 239-267, 1995.

MENDONÇA, J. Ricardo C. de; AMANTINO-DE-ANDRADE, Jackeline. Gerenciamento de impressões: em busca da legitimidade organizacional. Revista de Administração de Empresas, v. 43, n. 1, p. 36-48, 2003.

REINER, Robert. A política da polícia. São Paulo: Editora da USP, 2004.

SCOTT, W. Richard. Unpacking institutional arguments. In: POWELL, Walter; DiMAGGIO, Paul (Ed.). The new institutionalism in organizational analysis. Chigaco: University of Chigaco Press, 1991. p.164-82.

VAUGHAN-WILLIAMS, Nick. The shooting of Jean Charles de Menezes: new border politics? Alternatives: Global, Local, Political, v. 32, n. 2, p. 177-195, 2007.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Para a boca e para os olhos

A cultura da jardinagem, bastante difundida entre os ingleses, é levada por meio de várias possibilidades para as relações de consumo. É o caso, por exemplo, de uma simples estrutura de varejo como uma padaria, que pode ser transformada em um espaço que traz prazer para diferentes sentidos do corpo.

Obs.: a foto acima é da “The Apple Pie, Cafe & Bakery”, Rydal Road, Ambleside, Inglaterra.

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domingo, 18 de julho de 2010

Café para um futuro sustentável

Os copos do café servido nos trens da Virgin, companhia inglesa que opera em inúmeros setores, inclusive o de trens, serve a dois propósitos: um de acondicionar o café a ser bebido e o outro de posicionar o produto junto aos usuários do serviço da companhia. O posicionamento se dá por meio da exibição de uma logomarca de fairtrade impressa de forma vistosa no copo, junto a qual se lê a informação da existência de melhores acordos de compra e venda para os produtores do café. Tais produtores, no caso, são colombianos e enquadram-se naquilo que nos anos 1950 convencionou-se chamar de terceiro mundo. O que mais desperta a atenção, contudo, não é o apelo de fairtrade contido na embalagem do café, e que é chancelado pela Fairtrade Foundation, uma Organização Não-Governamental do Reino Unido, mas sim a sugestão de que o consumo daquele café, em específico, representa a chance de um futuro sustentável!

Esse post compõe uma série chamada “Nota de Viagem”. Trata-se de um conjunto de pequenas observações realizadas durante viagens.