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domingo, 9 de fevereiro de 2020

Omo: redução de embalagem e neurolinguística


Embalagem do sabão OMO
Embalagem do Sabão OMO

Estava fazendo compras em um supermercado e me deparei com mais uma nova embalagem do Omo, marca pioneira de sabão em pó no mercado brasileiro, produzida pela Unilever desde 1957, e que no ano passado foi, mais uma vez, a marca mais lembrada do Brasil, segundo a pesquisa Folha Top of Mind 2019.

A embalagem contem várias informações ou apelos - se quiser chamar assim. São oitocentos gramas, mas é igual a um quilograma. Não é tão simples pensar sobre o que é proposto: 800g = 1kg! 

- "Pode isso, Arnaldo?" 
- "Para a Unilever, aparentemente, pode, sim."

E a linguagem usada na embalagem? As palavras foram escolhidas para impressionar o consumidor: "novo" ... "lavagem perfeita" ... "remove" ... "cuida" ... "não deixa resíduos" ... "ativo" ... "concentrado" ... "poderoso" ... "rende muito".

A Administração de Marketing apregoa que a embalagem além se servir para acondicionar produtos, serve também para informar e, por extensão, até mesmo persuadir. Esse caso do Omo é curioso, porque não é a embalagem em um formato já conhecido, cuja referência usual é 1kg. É uma embalagem com 20% (vinte por cento) a menos de um produto. Isso não é um simples detalhe!

Eu já tinha visto antes redução de embalagem (shrinking size). Mas redução de embalagem com o uso de neurolinguística, ainda não. Foi a primeira vez. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A embalagem e o produto



O que vemos, o que compramos, o que consumimos.


Referências Conexas

Cochoy, F. (2004). Por uma sociologia da embalagem. Antropolítica, 17, 69-96.

Vieira, F. G. D. (2003). A soberania do consumidor como um mito perante situações de redução de embalagens no mercado brasileiro. Anais do Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, Atibaia, SP, Brasil, 27.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Embalagem grande, letra minúscula


Limpador multiuso. Fabricado pela Colgate-Palmolive. Embalagem de 1 litro. Rótulo com "instruções de uso" e "precauções" ocupando cerca de 1/3 do espaço do verso da embalagem. Letras minúsculas, quase impossíveis de serem lidas. Algo aparentemente normal e que passa ao largo da observação de órgãos reguladores e fiscalizadores.

domingo, 1 de setembro de 2013

Tamanho de viagem


 
A indústria de perfume criou um novo argumento para aumentar o consumo de seus produtos. Diante da situação pouco prática de se levar em viagens a embalagem de perfume usada no dia-a-dia, normalmente com capacidade de 50ml, a indústria lançou embalagens com capacidade de 15ml. O argumento usado é que essa é a medida certa para uma nécessaire e, portanto, a embalagem mais adequada para ser usada fora de casa.
 
A rigor, embalagens com menor capacidade de armazenamento de perfume existem há muitos anos. A diferença é que agora elas são claramente posicionadas como capazes de oferecer um novo atributo para consumo. E isso se torna ainda mais enfático quando quem usa o argumento é a Sephora, loja francesa, com filial no Brasil, considerada a maior loja de produtos de beleza do mundo.

Referências Conexas

Ampuero, O., & Vila, N. (2006). Consumer perceptions of product packaging. Journal of Consumer Marketing, 23(2), 100-112.
 
Krishna, A., Lwin, M. O., & Morrin, M. (2010). Product scent and memory. Journal of Consumer Research, 37(1), 57-67.

domingo, 15 de julho de 2012

Criatividade na apresentação de produtos orgânicos

 

Durante muitos anos produtos orgânicos ficaram à margem e constituíram um mercado pouco conhecido e valorizado. Por serem produzidos em menor escala, sobretudo por meio de agricultura familiar, e terem uma distribuição restrita, quase sempre tiveram um preço maior do que seus similares não orgânicos e durante um bom tempo foram tidos como sinônimo de produtos caros, tendo pouca demanda. Essa situação mudou consideravelmente hoje em dia. Embora não existam dados precisos, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) estima que o consumo de produtos orgânicos cresça a uma taxa de cerca de 10% ao ano.


É natural que o aumento no consumo dos produtos orgânicos seja resultado de inúmeros fatores. Um deles, no entanto, parece estar vinculado à compreensão por parte dos produtores de que não basta que o produto seja saudável, é preciso, também, que ele seja agradável aos olhos. É isso, por exemplo, que produtores têm procurado fazer ao estimularem o consumo por meio de uma melhor apresentação dos produtos. E ao fazerem isso, não reinventam a roda, mas antes procuram usar elementos de cultura material que são referências para os consumidores, como é o caso da alface embalada em forma de um arranjo de flor nas fotos que fiz para este post, logo acima.
 
Referências Conexas
 
Camilo, A. N. (Ed.). (2011). Guia de embalagens para produtos orgânicos. Barueri: Instituto de Embalagens.
 
Miller, D. (Ed.) (1998). Material cultures: why some things matter. Chicago: University of Chicago Press.
 
Motta, S. L. S., & Rossi, G. B. (2001). A influência do fator ecológico na decisão de compra de bens de conveniência. Revista de Administração Mackenzie, 2(2), p. 109-130.
 
Portilho, F. (2008, junho). Consumidores de alimentos orgânicos: discursos, práticas e auto-atribuição de responsabilidade socioambiental. Anais da Reunião Brasileira de Antropologia, Porto Seguro, BA, Brasil, 26.

sábado, 19 de novembro de 2011

Brasileiro gosta de produtos de beleza e higiene pessoal

O consumo de cosméticos, produtos de limpeza e higiene pessoal tem crescido a passos largos no Brasil. Uma evidência do aumento no consumo dessa categoria de produtos pode ser verificada pela ampliação da oferta de novos produtos feita por empresas que operam no mercado brasileiro. O Laboratório do Núcleo de Estudos da Embalagem da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) publicou em sua página na web que, em um total de 5.916 embalagens lançadas no primeiro semestre desse ano no Brasil, e tomadas como amostra em uma pesquisa, 4,8 % correspondem a embalagens de esmaltes para unhas, 4,4 % de produtos para o corpo, 4,3% de maquiagens para os lábios, 3,7% de shampoos, 3,5% de tratamentos para cabelos, 3,0% de condicionadores, 2,4% de sabonetes em barras, 2,2% de desodorantes e 1,7,% de produtos para o banho, entre outros tipos de embalagens. A soma dessas categorias representa exatos 30,0% do total de embalagens lançados no país. É ... podem dizer várias coisas de brasileiros, mas não podem dizer que não gostam de tomar banho e cuidar dos cabelos!

Esse post compõe uma série chamada “Web News”. Trata-se de observações realizadas acerca de notícias relacionadas à temática de cultura e consumo publicadas na World Wide Web.

domingo, 18 de setembro de 2011

Redução de embalagens

Pouca gente percebe, mas elas continuam acontecendo. A redução de embalagens, em termos de unidades e pesos em produtos comercializados no mercado brasileiro é mais comum do que se pensa. Representam um aumento disfarçado nos preços dos produtos.

Grandes companhias, como a Nestlé, por exemplo, reduzem em até 25% a quantidade dos produtos oferecidos ao mercado. Pouca gente fala sobre o assunto, praticamente ninguém fiscaliza e muito menos reclama. Como se não bastasse, o Estado é omisso e elas vicejam como ervas daninhas.

Referências Conexas

VIEIRA, Francisco. G. D. ; CRUBELLATE, João M.; SILVA, Ilse G. ; SILVA, Wânia. R. Silêncio e omissão: aspectos da cultura brasileira nas organizações. Revista de Administração de Empresas – Eletrônica, v. 1, n. 1, p. 1-14, 2002.

VIEIRA, Francisco. G. D. A soberania do consumidor como um mito perante situações de redução de embalagens no mercado brasileiro. In: XXVII ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO (2003: Atibaia). Anais ... (Área de Marketing). Rio de Janeiro : ANPAD, 2003. (Versão integral em CD-ROM do Evento)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Onde está o vinho em caixa?

O mercado brasileiro ainda não é maduro para o consumo do vinho. Nesse sentido, muito tem sido feito e investido para aumentar o consumo de vinho no país. Uma das medidas foi o lançamento do vinho Onorabile, cerca de seis meses atrás, pela Wine Park.

A novidade no lançamento concerniu ao uso da embalagem Tetra Pak para comercializar o vinho. A ideia inicial da empresa era promover um processo de distribuição em larga escala para a venda em supermercados.

Decorridos, no entanto, mais de seis meses do lançamento, ainda não é possível encontrar facilmente o vinho nas gôndolas dos supermercados. Resta saber se o produto na nova embalagem não está sendo distribuído como anunciado ou se há resistência para o consumo do vinho em caixa.

Referências Conexas

GARCIA-PARPET, Marie-France. Dinâmica de mercado e trajetória de produtores em face do sistema de classificação de vinhos. Revista de Administração de Empresas, v. 47, n. 2, p. 26-36, 2007.

KNIAZEVA, Maria; BELK, Russell W. Packaging as vehicle for mythologizing the brand. Consumption Markets & Culture, v. 10, n. 1, p. 51 – 69, 2007.

WRIGHT, James T. C.; JOHNSON, Bruce B.; SANTOS, Silvio A. dos. Estratégias tecnológicas para a competitividade: a indústria vinícola brasileira. Revista de Administração, v. 28, n.1, p. 44-52, 1993.