Folha de S. Paulo, 1ª Página, 23/02/2016
Nota: Esse post foi escrito a partir de uma realidade vivida 10 anos atrás, mas acredito que que ela ocorrerá novamente agora em 2026 e por muitos anos ainda. Infelizmente, profissionais de marketing continuam sendo tratados como marqueteiros, e tanto acadêmicos brasileiros, quanto profissionais de mercado não parecem fazer muito esforço para mudar essa visão.
Marqueteiro remete a marreteiro, enganador, oportunista, mentiroso, falsário, entre tantas outras coisas ou significados. Para a mídia de difusão, marqueteiro é qualquer um que trabalhe com marketing, propaganda e publicidade ou vendas.
Você que é profissional de marketing, gestor de marketing, publicitário, pesquisador de mercado, professor ou estudante de marketing, é marqueteiro?
Sem entrar no mérito dos aspectos político e partidário contidos na manchete, que outra atividade ou campo de atuação da administração ganha a primeira página do principal jornal do país, e de forma tão negativa?
Com uma manchete como essa, alguém acredita que, em algum lugar, vão tratar um profissional de marketing sem desconfiar dele em algum momento?
Por que é que isso não causa incômodo e indignação? Por que é que todos parecem assistir silenciosamente o contínuo tratamento negativo que a mídia de difusão emprega aos profissionais de marketing?
Já em 1999, por meio do artigo "Arte ou Ciência?", publicado na Revista Exame, e a propósito do desconhecimento sobre marketing, o professor Carlos Rossi (UFRGS) indagou se o nosso desconforto não havia chegado próximo ao limite da tolerância.
Pelo jeito não chegou. Pior: sequer é possível afirmar que há desconforto. Quase duas décadas depois, aparentemente permanecemos não só tolerantes, como também desarticulados!
