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domingo, 25 de outubro de 2015

Que Horas Ela Volta?




Se você ainda não viu, não deixe de assistir. Que Horas Ela Volta é um filme raro, daqueles que divertem e fazem pensar. Dirigido por Anna Muylaert, tem Regina Casé e Camila Márdila interpretando as principais personagens, Val e Jéssica, mãe e filha, respectivamente. A propósito, Regina Casé, que é carioca, está simplesmente sensacional no papel de uma pernambucana que trabalha como empregada doméstica na casa de uma família de classe média alta de São Paulo.

Muitos observam no filme as relações sociais no Brasil contemporâneo. Particularmente, observam a relação entre a casa grande e a senzala, tendo como pano de fundo a mobilidade social recente ocorrida no país. Mas o filme é mais que isso. É a narrativa quase silenciosa da cumplicidade.    

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Casamento de Romeu e Julieta

A temporada de futebol em 2012 começou dias atrás. Muito espaço na mídia para pouco resultado em campeonatos estaduais. Os próximos meses, contudo, reservam outros torneios como a Copa do Brasil e a Copa Libertadores da América. Essa última, desejada por 11 entre cada 10 clubes brasileiros.

O futebol, como se sabe, é um esporte que envolve e desperta a paixão de milhões e milhões de brasileiros. Com bastante frequência tem produzido comportamentos difíceis de serem explicados com a mínima racionalidade. Tendo em vista as proporções que alcançou, seria mais adequado dizer que se transformou em um grande negócio para diferentes indústrias: entretenimento, imprensa, material esportivo, eletrodomésticos, eletrônicos, saúde, etc. E é exatamente isso que estamos vendo em curso nesse início de ano.

O Casamento de Romeu e Julieta (BRA, 2005, 93 minutos), comédia dirigida por Bruno Barreto, baseada em um conto de Mario Prata, ilustra bem esse universo. Como o título sugere, envolve um amor quase impossível entre um homem e uma mulher. No caso, um corintiano, interpretado pelo ator Marco Ricca, e uma palmeirense, interpretada pela atriz Luana Piovani.

Trata-se de um filme que apresenta diferentes aspectos do consumo material e simbólico em torno do futebol, que muitas vezes não percebemos. É curioso observar como o universo do futebol pode ser demarcado pelo consumo de alimentos, bebidas, lugares, roupas, relações familiares, experiências e viagens, entre outras possibilidades. O filme proporciona boa diversão e, também, uma ótima oportunidade para observamos o consumo do futebol na sociedade brasileira.

Esse post compõe uma série chamada “Filme”. Trata-se de sugestões de filmes.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Estômago

Pensar a culinária é como pensar a natureza humana. De tão imbricada em nosso cotidiano não nos apercebemos disso. A diferença é que o universo de suas possibilidades é infinito.

O filme Estômago, lançado em 2007, numa co-produção Brasil-Itália, dirigido por Marcos Jorge e que tem o ator João Miguel vivendo Raimundo Nonato, o personagem principal, usa a culinária como fio condutor de uma narrativa sobre o poder na constituição das relações entre as pessoas. Nuances e detalhes em torno da arte de cozinhar são abordados, assim como é centralizado na narrativa o modo como um prato de comida, simples, pode transformar o entorno das pessoas. O filme mostra que não se oferece ou se consome só a comida, mas também as falas, os sentimentos, as interações, as expectativas do outro. As cenas se iniciam em um bar popular, avançam por um restaurante italiano e terminam em uma prisão. Bem filmado, narrado e interpretado, o filme mostra que a culinária pode ser sobrevivência, envolvimento e celebração, mas também pode ser sexo e, sobretudo, poder. Com um especial toque de angostura!

Esse post compõe uma série chamada “Filme”. Trata-se de sugestões de filmes.