Dentro de poucos anos o Brasil não
será mais um país jovem. Pouco se fala nisso, mas segundo dados do IBGE, 11% da
população brasileira atual tem 60 ou mais anos de idade e esse percentual tende
a aumentar a cada ano que passa. Conforme projeções do IBGE, divulgada após o mais recente Censo, em 2050 serão 65
milhões de idosos.
Esses dados colocam em
perspectiva uma situação curiosa: pelo menos por enquanto, os idosos brasileiros
não conseguem se ver nas propagandas veiculadas no país. Idosos possuem renda,
consomem inúmeros produtos e serviços, mas quando os publicitários de plantão
usam suas imagens associadas a práticas de consumo, em geral as usam para
colocá-los, no máximo, como coadjuvantes. Em algumas situações, usam imagens
que até mesmo causam constrangimento ou os ridicularizam, como nas propagandas
da cerveja de marca Nova Schin na televisão ou do UOL em revista – no primeiro
caso dois jovens são perseguidos por idosas e no segundo uma idosa demonstra
lentidão no uso de equipamento eletrônico.
Em uma sociedade que valoriza a juventude
e que tanto cultua a estética do corpo, como será a propaganda nos próximos
anos? Idosos continuarão a ser ignorados, como se não existissem, não fizessem
parte da população e não consumissem? O país do futuro está envelhecendo, mas,
aparentemente, ainda não percebeu.
Referências Conexas
Camargo, L. O. de L., &
Bueno, M. L. (2008). Cultura e consumo:
estilos de vida na contemporaneidade. São Paulo: Senac.
Debert, G. G. (2003). O velho na propaganda. Cadernos Pagu, 21, p. 133-155.
Moschis, G. P., Mosteller, J., & Fatt, C.
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A longitudinal study of the use of the elderly in magazine advertising. Journal of Consumer Research, 13(1), p. 131-133.
