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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Caxirola


Algumas coisas não deram certo no Brasil em relação à Copa do Mundo da FIFA 2014. Umas, para lembranças tristes por várias décadas; outras para serem saudadas e comemoradas exatamente por não terem obtido êxito - por mais paradoxal que isso possa parecer. A caxirola, instrumento musical criado por Carlinhos Brown para ser usado na Copa do Mundo da FIFA no Brasil, é o típico caso daquilo que deve ser comemorado por não ter cumprido a expectativa. Por alguma razão, alguém acreditou que a caxirola seria a vuvuzela brasileira nos estádios-arenas durante a Copa do Mundo da FIFA no Brasil. Se os sul-africanos chamaram a atenção do mundo por soprarem com paixão e fazerem tanto barulho nos estádios-arenas com suas vuvuzelas, bem que os brasileiros poderiam fazer o mesmo balançando suas caxirolas. Não deu certo. O brasileiro não consumiu a caxirola. O estrangeiro que veio ao Brasil durante a Copa, também não.

Obs.: a foto acima é de um expositor de caxirolas na vitrine de uma loja do Aeroporto Santos Dumont na cidade do Rio de Janeiro, Brasil.

Esse post compõe uma série chamada "Nota de Viagem". Trata-se de observações realizadas durante viagens.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Artes e poesia no metrô

Não há livros de poesias em vitrines de livrarias. Se há, é fato raro, quase que único na paisagem das compras. E se a poesia não é consumida em caráter privado, por meio dos dispositivos de entrega convencionais do mercado, ela é consumida – ou oferecida ao consumo – em público.

Foi isso que aconteceu com “O Mistério O Tempo em Poesias”, exposição de caráter multimodal do artista Cacau Brasil, instalada na Estação Ipanema, Metrô Rio. O curioso é que como se fosse para fazer jus a sua proposta multiforme e de “não lugar”, tendo em vista o fato de ser itinerante, a exposição localizou-se entre duas importantes referências geográficas cariocas: a Praia de Ipanema e o Morro do Cantagalo.

Obs.: a foto acima é de um painel na Estação General Osório, Metrô Rio, em Ipanema, Rio de Janeiro, Brasil.

Esse post compõe uma série chamada "Nota de Viagem". Trata-se de pequenas observações realizadas durante viagens.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Mirante da Paz, casa para a paz

 
A paz está no imaginário de todos. Simbolicamente, assume inúmeras possibilidades. Entre elas, junções como morro-asfalto, favela-bairro, pobre-rico. Tais junções sugerem uma espécie de compreensão de que a paz está nos segundos elementos: asfalto, bairro, rico. A violência, seria o oposto. A junção, portanto, engendraria uma síntese: paz. Governos e gente desavisada pensam assim.

 
Unidades de Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro operam dentro dessa lógica. O discurso é o da ocupação, quando, a rigor, o que parece resolver é a presença do Estado com serviços básicos e não apenas com polícia.

 
A paisagem estonteante de alguns lugares do Rio de Janeiro até comungam para promover essa síntese. A paz pode até ser representada por meio do anúncio da venda de residências na favela, afixado em cima do grafite que faz parte do ponto turístico. Comércio e, sobretudo, consumo não imaginados em outras circunstâncias. O bom é que, nesse contexto, a paz pode ser tomada por meio de uma de suas principais metáforas: a casa.

Obs.: as fotos acima são do Mirante da Paz, instalado entre o bairro de Ipanema e a Comunidade do Pavãozinho, no Rio de Janeiro.

Esse post compõe uma série chamada “Nota de Viagem”. Trata-se de um conjunto de pequenas observações realizadas durante viagens.